Presidente do Avaí revela cenário financeiro do clube e momento do futebol em entrevista ao ND+

Em entrevista ao ND+, Júlio Heerdt abriu o jogo sobre a situação financeira do Avaí, o momento difícil vivido pelo futebol e a permanência de Eduardo Barroca

Foto de Ian Sell

Ian Sell Florianópolis

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Em momento de reestruturação, especialmente financeira, o Avaí completa 99 anos nesta quinta-feira (1º) com muito a comemorar. São títulos importantes, histórias e muitas glórias no cenário catarinense e nacional.

Presidente Júlio Heerdt conversou com a reportagem do Arena ND+Presidente Júlio Heerdt conversou com a reportagem do Arena ND+ – Foto: Ian Sell/ND

Hoje o clube disputa uma Série A de Campeonato Brasileiro e luta pela permanência para tentar, além de desportivamente, viver dias melhores fora das quatro linhas.

Na última segunda-feira (29), o presidente Júlio Heerdt recebeu a reportagem do Grupo ND em seu escritório no estádio da Ressacada.

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Com a serenidade habitual, o mandatário conversou com o Arena ND+ por cerca de 30 minutos. Entre os assuntos, o balanço da gestão de oito meses, o momento financeiro do clube, a avaliação do futebol e também o futuro do técnico Eduardo Barroca, que hoje balança no cargo.

Confira a entrevista na íntegra:

* O conteúdo está disponível em texto e áudio

Situação financeira do clube ao assumir em janeiro

Júlio Heerdt: Eu já tinha uma atuação política dentro do clube e conhecia a situação financeira em termo gerais. Uma vez na gestão, você tem condições de saber todos os detalhes. Ali surgiram algumas surpresas e tivemos que gerenciá-las também. Quando você tem o volume de dívidas que foram encontradas no Avaí, você precisa trabalhar em cima disso.

Balanço de gestão nestes oito meses

Júlio Heerdt: Me sinto preparado para fazer essa gestão. A primeira coisa que você precisa fazer é tornar o clube no seu cotidiano superavitário e pagar todas as dívidas para não ter um acréscimo delas. Uma vez que você cria esse valor que você gera no clube, aí você começa a estudar como você fará o pagamento e o resgate das questões passadas. Mantivemos o ato trabalhista, estamos fazendo os pagamentos reduzindo a dívida trabalhista. Agora com o regime centralizado de execuções, estamos focando nas dívidas cíveis. Temos também a preocupação fiscal, que é a dívida de impostos que não foram pagos ao governo que também estão sendo paralelamente trabalhadas.

Pagamentos em dia

Júlio Heerdt: O Avaí está com salários, direitos de imagem dos atletas, todas as obrigações, como impostos, em dia. Nenhuma dívida deste ano está compondo o conjunto de dívidas do clube. Estamos estudando separar parte dos recursos deste ano para pagamentos de dívidas de gestões passadas.

Recuperação da credibilidade do clube perante ao mercado

Júlio Heerdt: Assumimos a gestão com cinco meses de salários atrasados e nove meses de direitos de imagem. Os jogadores quando são contactados, eles conversam entre si. Perguntam como está a situação de salários. Logo nos primeiros dias de gestão tivemos uma ação junto ao SJTD pedindo que o Avaí perdesse pontos da Série B do ano passado por atrasos salariais. Vários jogadores que Avaí tinha interesse não vieram no início do ano em virtude destas notícias. Não é um trabalho que vamos resolver todas essas dívidas em um ano, mas sim um trabalho consistente ao longo dos quatro anos de gestão.

Importância da permanência na Série A

Júlio Heerdt: A permanência dá garantia da continuidade do trabalho. O problema de você jogar uma Série B, do ponto de vista de receitas, é que a Série A te proporciona receitas muito maiores. E então você consegue ter uma margem de manobra de fazer os pagamentos corretos do ano corrente, fazer um time melhor, trazendo jogadores mais “consagrados” ou com um nível maior do que você teria na Série B. O que complica o clube é essa “gangorra” em que você trabalha com um orçamento numa Série A e depois com outro em uma Série B. Muitas vezes o esforço de você subir te impulsiona a gastar mais do que você tem e aí você joga essa dívida de um ano para outro. O esforço que foi feito ano passado para subir trouxe R$ 34 milhões de dívidas recentes para este ano. A permanência tira você dessa gangorra. Se conseguirmos ficar uns quatro anos na Série A, conseguiríamos equalizar a questão financeira do clube.

Presidente Júlio Heerdt conversou com a reportagem do Arena ND+ – Foto: Ian Sell/NDPresidente Júlio Heerdt conversou com a reportagem do Arena ND+ – Foto: Ian Sell/ND

Impacto da venda de Arthur Chaves no orçamento

Júlio Heerdt: Não só o Arthur, mas tudo o que o clube pode arrecadar. O aumento do número de sócios implicou em um aumento de receitas do clube. Essas receitas extras vão ser muito úteis para a manutenção das contas em dia e da reestruturação financeira. Quando fazemos mudanças nos bares, de bebidas e alimentação, o clube está arrecadando mais. Quando vendemos mais ingressos, o clube está arrecadando mais. Quando o clube disputa uma Série A e recebe mais dinheiro da televisão, isto também é importante para as receitas. O Arthur é um ativo que foi formado na base do Avaí e teve quase 11 anos de clube. Ele foi vendido e fará a carreira dele na Europa. Cada centavo, independente da origem, faz parte do que deve ser bem administrado no clube.

Avaliação da pasta futebol do Avaí no ano

Júlio Heerdt: Começamos o ano disputando o Campeonato Catarinense, externei aos torcedores que nossa campanha foi pífia. Quando um time consegue um acesso da forma que foi e também tendo uma mudança de gestão, renovação parcial do elenco e manutenção do treinador, depois uma troca deste mesmo treinador, tudo isso culminou em um conjunto de situações e mudanças onde o time não rendeu em  campo. Isso também acabou afetando a Copa do Brasil. É inadmissível termos perdido a vaga da maneira que foi. Iniciamos o Brasileiro com o Barroca tendo três semanas para trabalhar e vimos uma mudança muito positiva.

Situação do técnico Eduardo Barroca

Júlio Heerdt: O Avaí passou um turno inteiro sem estar na zona de rebaixamento, agora tivemos alguns resultados que não estávamos esperando. Entramos no Z-4 e a pressão vem em cima do treinador. O futebol exige uma cabeça. Se eu fizer o comum, como todo presidente normalmente faz: eu vou lá, tiro o treinador e trago outro. Eu acompanho o dia a dia e acho que o trabalho está sendo bem executado. Com o elenco e orçamento que o Avaí tem, está tendo uma boa performance em campo. Tenho consciência de que também temos feito alguns jogos ruins e o que estou cobrando da comissão técnica é a correção destas rotas. Ficaria muita fácil trocar o treinador e tirar a pressão das minhas costas. Eu opto pelo caminho que acredito ser melhor para a permanência do Avaí, não pelo caminho mais fácil.

Barroca permanece independente do resultado contra o Juventude?

Júlio Heerdt: A permanência do Barroca está garantida pela performance do time. Se o time sentir que o Barroca não consegue mais tirar o que é necessário, é claro que as mudanças serão tomadas. Ninguém tem cadeira cativa no Avaí. Não é teimosia, e sim uma análise do trabalho e confiar que os jogadores e o treinador possam fazer mais do que estão fazendo.

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