Presidente do JEC fala sobre dívidas, bloqueios e planos para a Copa SC e Catarinense

Darthanhan Oliveira, presidente do JEC, falou sobre a atual situação do clube e planejamento para a Copa Santa Catarina e para o Campeonato Catarinense

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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A situação delicada do JEC extrapola os limites do campo. Em recuperação judicial, o clube pagou a primeira parcela de R$ 40 mil no dia 20 de junho e foi apenas a primeira de uma dívida de cerca de R$ 20 milhões que deverá ser liquidada em 10 anos. Mas, não é apenas a negociação de débitos trabalhistas que constam como conta fixa no orçamento de um clube que sequer calendário nacional tem.

Presidente do JEC confirmou que elenco da Copa SC será jovemPresidente do JEC, Darthanhan Oliveira, fala sobre situação do clube e planejamento para os próximos meses – Foto: Gustavo Mejía/JEC/Divulgação/ND

Além da dívida trabalhista, negociada com os credores e fixada na recuperação judicial com parcelas que, no primeiro ano, são de R$ 40 mil mais 30% de toda receita extraordinária do clube, o Joinville também tem como pendência outros cerca de R$ 20 milhões em tributos que não foram pagos de maneira adequada ao longo dos anos.

Essa dívida gera bloqueio de contas e coloca em risco de penhora o Centro de Treinamento, conta o presidente do clube, Darthanhan Oliveira. O pedido de penhora chegou a ser realizado, no entanto, o clube entrou com um embargo para evitar que o CT ficasse comprometido. Ainda de acordo com ele, o JEC abriu negociação com a Procuradoria Geral da União para também “parcelar” a dívida e ter mais um valor fixo mensal para diluir o valor milionário.

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“O pouco de dinheiro que tem está bloqueado e você não consegue operar da maneira saudável que deveria ser. Nós estamos com o mesmo esforço que tivemos na recuperação judicial, trabalhando para que se possa fazer uma boa negociação para que tão logo o Joinville tenha uma parcela fixa a pagar, assim como teve com a RJ, vai ter também com os tributos. Não vai ser barato pagar essa conta, mas é importante que o Joinville possa se organizar, saber o que deve e de maneira organizada passe a pagar para ter um futuro melhor adiante”, afirma.

JEC com receitas mínimas e valores de negociações a receber

Com dívida já fixada e outra negociação em curso, o JEC sofre com a falta de receitas, reflexo do calendário nacional inexistente. Com apenas duas competições no ano, o Campeonato Catarinense no primeiro semestre e a Copa Santa Catarina, que começa em setembro, o clube viu o número de sócios encolher ainda mais.

O time que há menos de 10 anos estava na série A e ultrapassou a marca de 10 mil sócios, hoje não chega a ter 2 mil adimplentes. Além disso, a queda de patrocinadores aconteceu naturalmente com a fase delicada dentro de campo.

CT foi ameaçado de penhora devido às dívidas tributárias – Foto: Arquivo/JEC/Divulgação/NDCT foi ameaçado de penhora devido às dívidas tributárias – Foto: Arquivo/JEC/Divulgação/ND

Outro fator que prejudica financeiramente é o não pagamento da venda de ativos, uma das principais ferramentas de arrecadação do futebol. O Internacional ainda não quitou os valores que deve referentes à negociação que o clube gaúcho fez com o árabe Al Wheda pelo volante Anselmo. O JEC tinha 35% direito a 35% dos 3 milhões de euros, no entanto, ainda não recebeu todas as parcelas. A negociação foi feita ainda em 2018.

Mas, não é só o Colorado que deve ao Tricolor. Recentemente, o presidente do JEC divulgou que a negociação do atacante Chrystian ao Corinthians também deveria render ao time um valor expressivo para a atual realidade, mas mais uma vez, as parcelas estão em atraso. O valor total que o Tricolor deve receber pela transação é de R$ 600 mil e, do montante total, R$ 200 mil já estão atrasados.

“Sobre valores extraordinários, como a venda do Chrystian, obviamente a gente conta muito com isso para o nosso fluxo de caixa, por não ter fluxo de caixa, a gente acaba sentindo bastante. Não recebemos ainda o valor de R$ 600 mil e desses, R$ 200 mil estão atrasados, temos as duas últimas parcelas do Internacional, temos parcelas atrasadas desses vencimentos. Não é fácil fazer futebol”, fala.

Clube continua com movimentos para viabilizar SAF

Um caminho que se popularizou entre os times de futebol, a SAF (Sociedade Anônima de Futebol) vem ganhando cada vez mais adeptos no país. Entre os times que saíram no modelo associativo estão o Bahia, Cuiabá, Cruzeiro, Vasco e o líder da Série A, Botafogo.

Apesar do sucesso do clube carioca, o vizinho Vasco é um exemplo que nem sempre a SAF é sinônimo de sucesso imediato e é por isso que muitos clubes relutam em seguir essa via.

No JEC, o processo começou ainda no ano passado, no entanto, não teve continuidade especialmente com o pedido de recuperação judicial. Com as dívidas do clube negociadas e outras ainda em negociação, o presidente ressalta que o Tricolor precisa “se preparar como clube associativo para então se tornar SAF. A gente tem que criar músculo para se colocar no mercado de maneira adequada”, diz.

De acordo com Darthanhan, ainda que o clube continue no modelo associativo e lidando com a pior crise financeira – e dentro de campo – da sua história, há movimentos para receber propostas de investidores, mas com cautela.

“A SAF é uma realidade em vários clubes do Brasil, clubes grandes inclusive se tornaram SAF. Alguns fizeram bons negócios, outros nem tanto. Então, hoje o Joinville consegue balizar o que seria um bom negócio para ele. Não podemos entregar o JEC para qualquer comprador porque se ele não for bem-sucedido, acaba com o clube de vez”, fala.

O clube havia iniciado esse processo no ano passado e, segundo o presidente, o movimento continua ainda no primeiro momento, de análise.

“De maneira muito criteriosa, o conselho deliberativo, junto com a diretoria estão vendo as possibilidades de o Joinville se tornar SAF, mas ainda em um passo embrionário de analisar possíveis investidores para que daí se defina a valoração do Joinville, quanto de fato ele vale e mais do que quanto ele vale, quanto esse investidor está disposto a colocar a longo prazo no clube porque precisamos de um clube perene, um clube que tenha vitórias a longo prazo”, ressalta.

JEC terá time jovem e focado em performance na Copa Santa Catarina

Única competição do JEC no segundo semestre, a Copa Santa Catarina é encarada como uma competição para que o time possa performar e criar uma base para o Campeonato Catarinense. O último título tricolor foi justamente o da Copinha, na edição de 2020, que na verdade foi disputada em 2021 devido à pandemia.

Último título do JEC foi a da Copa Santa Catarina de 2020 – Foto: Arquivo/Vitor Forcellini/JECÚltimo título do JEC foi a da Copa Santa Catarina de 2020 – Foto: Arquivo/Vitor Forcellini/JEC

Com recursos limitados e sem calendário, o Tricolor não é exatamente um destino que atraia jogadores e o perfil do elenco para a competição será jovem, adiantou o presidente.

Além de cerca de 10 jogadores do Sub-20, o clube deve contratar entre 12 e 15 atletas com idade média de 24 anos. O perfil jovem encaixa com o trabalho do técnico Fabinho Santos, que já treinou a base e o time principal do Joinville.

“Para a Copa Santa Catarina, o nosso objetivo é performance, que esses meninos possam performar e sendo assim, podemos brigar pelo título, por que não? Mas o foco é que esses meninos não sintam, assim como estão indo bem na categoria deles, que possam ir bem no profissional e possam estar no Catarinense do ano que vem”, diz.

Além dos garotos da base e dos atletas que serão contratados, dois jogadores têm contrato com o JEC até o fim do Catarinense de 2024. O goleiro Glauco, que está emprestado ao Athletic, de Minas Gerais, e o atacante Lucas Douglas, emprestado ao Maringá. Os dois estão disputando a Série D e o retorno está condicionado ao desempenho dos times na competição.

“O investimento maior será no Campeonato Catarinense do ano que vem. A Copa Santa Catarina é para que possamos performar e ter uma espinha dorsal para o ano que vem”, finaliza Darthanhan.

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