Em entrevista concedida na manhã desta terça-feira (13), no estádio Orlando Scarpelli, o presidente do Figueirense, Norton Boppré, falou, dentre outras coisas, sobre o surto recente de coronavírus pelos corredores do clube.
Conforme reportagem trazida pelo nd+ ainda na segunda-feira (12), foram 21 casos confirmados em intervalo de 12 dias. Da comissão técnica seis pessoas, entre elas o técnico Elano Blumer, além de 15 atletas.
Norton Boppré, presidente do Figueirense Futebol Clube, falou sobre o surto de coronavírus, dentre outras coisas em entrevista que durou quase uma hora – Foto: FFC/divulgaçãoPara Boppré, que falou via web com os jornalistas diretamente da sala de imprensa André Podiack, a passagem do Figueirense por Maceió foi “um divisor de águas”, referindo-se ao duelo contra o CSA onde, em campo, o time foi derrotado por 3 a 0.
Seguir“Toda comissão técnica voltou com coronavírus, atletas, membros da diretoria, enfim, não sei se devemos caracterizar como um erro”, alegou o presidente.
Questionado sobre o foco da contaminação, Boppré explicou que não há como precisar, mas assegurou que o clube disponibiliza uma espécie de cartilha, deliberada pelo departamento médico, para que seus atletas, funcionários e demais servidores cumpram de modo a evitar a contaminação e disseminação do novo vírus.
“O clube tem tomado todas as providências para que não haja essa recorrente infecção para o coronavírus. As providências têm foco na eliminação desse processo. O Figueirense tem tomado todos os cuidados, mas os efeitos da pandemia nos surpreendem diariamente”, explicou Boppré.
O presidente ainda acredita que, até a partida contra o Sampaio Corrêa, agendada para esta quarta-feira (14), a partir das 16h, o clube não tenha mais casos confirmados.
Adiamento da partida
O presidente falou sobre a tentativa do clube de pedir o adiamento do jogo de quarta partida junto a CBF (Confederação Brasileira de Futebol). Norton explicou que, em comum acordo com a FCF (Federação Catarinense de Futebol), esse pedido fora feito via entidade local.
A negativa, inclusive, aconteceu a partir de uma nova resolução do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) em razão de diversos pedidos de adiamento de partidas pelo Brasil. Mas a determinação é que se o clube tiver até 13 jogadores disponíveis para entrar em campo, o jogo acontece.
Dessa forma, em rodada adiada da 4ª volta da Série B justamente devido aos casos confirmados no Sampaio Corrêa, está marcada para às 16h desta quarta-feira.
Desempenho e erros de arbitragem
Atualmente na 17ª colocação com 14 pontos, o Figueirense ainda faz muita força para tentar se afastar do grupo dos quatro últimos.
Com uma melhora no aproveitamento desde que o técnico Elano assumiu o time, o Furacão vê no encontro com o Sampaio Corrêa um duelo chave para se posicionar “corretamente” na tabela, uma vez que se trata de um jogo atrasado.
Atletas ouvem o técnico Elano; surto de coronavírus no vestiário do Figueirense – Foto: Patrick Floriani/FFCPara o presidente Boppré, no entanto, o grupo montado e o desempenho técnico apresentado estão de acordo com as atuais dificuldades não só emaranhadas no clube, mas também as provocadas pela pandemia do novo coronavírus.
Norton Boppré ainda condenou “erros de arbitragem” como preponderantes para que o clube esteja na situação em que se encontra.
O presidente citou o clássico contra o Avaí e o duelo contra o Cuiabá, em Mato Grosso, quando a arbitragem anulou um gol legítimo do Furacão no final da partida.
“Fomos seriamente prejudicados pela arbitragem. E quem nos paga esse prejuízo? Estamos fazendo o que é possível e até um pouco mais, mas os erros nos tiraram pontos preciosos”, justifica.
Contratações
Sobre novos nomes que possam desembarcar em Florianópolis, em sua região continental, Norton Boppré não confirma já que o clube passa por sérias dificuldades financeiras.
Ele lembra, no entanto, a contratação do centroavante Alecsandro e do colombiano Felix Micolta em negócios de ocasião. Lembra ainda a confirmação do lateral Elacio, indicado pelo técnico Elano Blumer.
“Com o que é possível fazer, estamos fazendo, eu diria até que estamos fazendo mais”, revelou.
Queda nas receitas e salários atrasados
Norton Boppré, como sempre o fez desde que assumiu o clube, jamais escondeu as dificuldades financeiras que, como bem se sabe, não são novidades no bairro Estreito.
O chefe alvinegro ainda lembrou a queda nas receitas com a saída de patrocinadores, abandono de sócios, falta de público no estádio e até um problema no repasse da emissora detentora dos direitos de transmissão da Série B.
Em contrapartida, o clube busca essa adequação e adaptação com o momento, seja na busca por recursos, ou até mesmo patrocínios pontuais.
Boppré admitiu que o clube tem salários atrasados, mas voltou a reiterar que está trabalhando para que a situação seja contornada.