‘Procura-se um 9’: Seleção Brasileira vive carência em posição de ‘craques do passado’

Seleção Brasileira vem há anos sem um camisa 9 'incontestável' e situação vira "dilema"; quem deve ser o centroavante do Brasil?

Foto de Ian Sell

Ian Sell Florianópolis

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Não é de hoje, mas a camisa 9 da Seleção Brasileira vem há tempos sem um “dono incontestável”. Talvez desde a dupla Ronaldo e Adriano em 2006 (que bem verdade, não funcionou), o torcedor tenha dificuldade em afirmar quem deve ser o dono da posição.

Richarlison em ação contra o Peru; centroavante passou novamente em branco em jogo da Seleção BrasileiraRicharlison em ação contra o Peru; centroavante passou novamente em branco – Foto: Vitor Silva/CBF/ND

Último “candidato”, Richarlison fez um bom Mundial em 2022 no Catar, no entanto, vive uma espécie de “inferno astral” e não consegue repetir o bom desempenho de anteriormente.

O jogador vem de uma temporada muito ruim no Tottenham, da Inglaterra, onde marcou apenas 3 vezes em 35 jogos, contudo, ganhou um voto de confiança de Fernando Diniz nesta primeira convocação do treinador.

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O “pombo” foi titular nas partidas contra Bolívia e Peru, as duas primeiras das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. Em ambas passou em branco e com atuações discretas.

No duelo diante do Peru, no início da madrugada desta quarta-feira (13), o jogador chegou a marcar. No entanto, após uma interminável consulta ao VAR de quase 10 minutos, o gol foi anulado por impedimento.

Anos de procura por um “9”

Talvez a busca por um “9” que fosse por anos dono da posição tenha iniciado ainda após a Copa do Mundo de 2006, quando o “quadrado mágico”, que tinha Adriano e Ronaldo no ataque, passou longe de sequer funcionar bem.

É bem verdade, contudo, que em momento algum a capacidade técnica da dupla foi questionada.

Ainda em 2007, Vagner Love foi o primeiro escolhido da “Era Dunga” para tentar ser esse jogador. O atacante, porém, jamais conseguiu se firmar como titular da Amarelinha.

Luis Fabiano teve bons momentos com a 9 do Brasil – Foto: CBF/Divulgação/NDLuis Fabiano teve bons momentos com a 9 do Brasil – Foto: CBF/Divulgação/ND

No ciclo para o Mundial da África do Sul, em 2010, Luis Fabiano se candidatou como este jogador. O “Fabuloso” foi muito bem nas Eliminatórias e na Copa das Confederações e chegou a ter bons momentos durante a Copa do Mundo, onde marcou três gols. No entanto, a queda precoce do Brasil nas quartas de final não ajudou o jogador a se firmar por mais tempo.

Cadê o Pato?

Alexandre Pato surgiu como um “fenômeno” no Internacional em 2006, conquistando o Mundial de Clubes em cima do Barcelona. Dotado de exímio talento e com uma veia goleadora, o jogador, antes mesmo de completar 18 anos, foi vendido ao Milan, da Itália, por uma fortuna.

Quem não lembra da clássica edição de setembro de 2007 da Revista Placar com os dizeres “Te cuida, Ronaldo”, estampando a foto do então jovem jogador, que estava chegando ao Milan, justamente para “dividir vestiário” com o Fenômeno.

Alexandre Pato jamais conseguiu se firmar com a camisa da Seleção – Foto: AFP/NDAlexandre Pato jamais conseguiu se firmar com a camisa da Seleção – Foto: AFP/ND

O jogador, é bem verdade, teve vários bons momentos pelo clube italiano, no entanto, jamais conseguiu se firmar na Seleção Brasileira e nunca sequer disputou uma Copa do Mundo. Foram menos de 30 jogos com a Amarelinha, com 10 gols marcados.

O jogador chegou a ser convocado durante os ciclos para as Copas de 2010 e 2014, porém, passou longe de encantar em ambos. A última convocação do atleta foi ainda em 2013.

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    Capas clássicas da Revista Placar - Arquivo/Revista Placar/ND
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A “queda” do Imperador

Talvez um dos maiores “desperdícios de talento” da história do futebol mundial, Adriano passou a ter uma luta pessoal com a depressão após a morte do pai, em 2004.

O Imperador, alcunha que recebeu da torcida da Inter de Milão, foi o principal nome da Seleção na Copa América de 2004 e na Copa das Confederações de 2005, no entanto, acabou indo muito mal no Mundial da Alemanha no ano seguinte.

Adriano encerrou precocemente uma brilhante carreira no futebol – Foto: Conmebol/Divulgação/NDAdriano encerrou precocemente uma brilhante carreira no futebol – Foto: Conmebol/Divulgação/ND

Mesmo em baixa na Europa nos anos seguintes, ele chegou a ser convocado por Dunga, embora não conseguisse repetir o bom desempenho.

Adriano retornou ao Brasil em 2009, onde foi o principal jogador do Flamengo, clube do coração do jogador, na conquista do Campeonato Brasileiro.

A vaga na Copa da África do Sul, como reserva imediato de Luis Fabiano, parecia certa. No entanto, após um início de temporada de 2010 com vários problemas, más atuações e polêmicas, o jogador foi cortado da lista final por Dunga.

Ainda em 2010, Adriano deixou o Brasil e voltou para a Itália para atuar pela Roma, onde não conseguiu repetir o bom desempenho de anos anteriores.

Ele retornou ao Brasil em 2011, onde foi campeão brasileiro pelo Corinthians, mas no ano seguinte deixou o clube por “problemas internos”. Após isso, o Imperador jamais conseguiu voltar a ter uma carreira profissional e teve como último clube o Athletico-PR em 2014, em breve passagem.

Adriano ao lado de Kaká em treino da Seleção Brasileira em 2004 – Foto: ANTONIO SCORZA / AFP / NDAdriano ao lado de Kaká em treino da Seleção Brasileira em 2004 – Foto: ANTONIO SCORZA / AFP / ND

“Eu realmente não queria falar sobre isso, mas vou te dizer que, depois daquele dia [morte do pai], meu amor pelo futebol nunca mais foi o mesmo. Ele amava futebol, então eu amava futebol. Simples assim. Era meu destino. Quando joguei futebol, joguei pela minha família. Quando marquei, marquei para a minha família. Então, quando meu pai morreu, o futebol nunca mais foi o mesmo”, disse o ex-jogador em entrevista ao “Players Tribune“.

De Fred a Gabriel Jesus

Especialmente após o Mundial da África do Sul, a posição de camisa 9 voltou a ser incógnita. Mano Menezes, o substituto de Dunga após a Copa, tentou Pato, Leandro Damião e até Neymar como “falso 9”.

Após a queda de Mano, em 2012, Felipão retornou ao comando e iniciou o ciclo com Luis Fabiano e Fred. O segundo acabou “tomando conta” da posição e teve boas atuações, especialmente na Copa das Confederações de 2013.

Fred ficou marcado negativamente na Copa do Mundo de 2014 – Foto: Arquivo/Ari Ferreira/Lancepress!/NDFred ficou marcado negativamente na Copa do Mundo de 2014 – Foto: Arquivo/Ari Ferreira/Lancepress!/ND

Fred e Jô foram os escolhidos de Felipão para a Copa do Mundo no Brasil. As atuações de ambos, contudo, foram decepcionantes. O primeiro, inclusive, anotou apenas um gol no Mundial e foi marcado por críticas “pesadas” na época.

Após a saída de Felipão, Dunga retornou, mas durou pouco tempo e acabou demitido em 2016 após duas campanhas ruins em Copas Américas e no início das Eliminatórias.

Tite assumiu e logo em sua primeira convocação chamou o jovem Gabriel Jesus, na época no Palmeiras. O garoto deu conta do recado e foi um dos principais jogadores do Brasil no ciclo para o Mundial da Rússia.

Gabriel, no entanto, passou em branco na Copa do Mundo de 2018 e recebeu uma enxurrada de críticas.

Gabriel Jesus passou em branco no Mundial da Rússia pela Seleção Brasileira – Foto: AFP/NDGabriel Jesus passou em branco no Mundial da Rússia pela Seleção Brasileira – Foto: AFP/ND

Nos anos seguintes, Tite testou uma série de atletas na posição: Roberto Firmino, Gabigol, Richarlison, Pedro… Os três gols na Copa deram casca para o “Pombo”, atual “dono da 9”, no entanto, como já abordado, ele passa longe de viver uma boa fase.

De olho no futuro

Dois nomes em especial surgem como principais promessas para donos da camisa 9 nos próximos anos: Marcos Leonardo, do Santos, e Vitor Roque, do Athletico-PR.

A dupla foi convocada para a Seleção sub-23 e agora aguarda uma chance na equipe principal, especialmente diante do momento “pouco artilheiro” de Jesus e Richarlison.

Atacante Vitor Roque se mostra como um jogador para o futuro da posição – Foto: Rafael Ribeiro/CBF/NDAtacante Vitor Roque se mostra como um jogador para o futuro da posição – Foto: Rafael Ribeiro/CBF/ND

Vitor Roque, inclusive, foi negociado com o Barcelona e em 2024 será companheiro de Robert Lewandowski.

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