Mais um caso de racismo no futebol e, desta vez, foi na Série B do Campeonato Catarinense. O caso aconteceu na tarde de quinta-feira (8), durante o jogo entre Juventus e Nação, no estádio João Marcatto, em Jaraguá do Sul. Após um lance no segundo tempo, o zagueiro Fernando, do Nação, imediatamente relatou o crime, identificou o torcedor e o apontou para o árbitro da partida.
Zagueiro Fernando denunciou caso de racismo em jogo entre Nação e Juventus pela Série B do Campeonato Catarinense – Foto: Bruno Abdala/Nação Esportes/Divulgação/ND“Eu chutei a bola para fora, aí um torcedor foi e me chamou de macaco. Na hora eu ouvi, o atacante deles também ouviu, na hora eu já falei com o árbitro, apontei quem foi que falou essas coisas pra mim e automaticamente o árbitro parou o jogo, fez o protocolo certo, pegou ele na arquibancada e encaminhou ele”, conta Fernando.
Apesar de não querer representar contra o torcedor, que estava atrás do gol defendido pelo time de Joinville, o atleta registrou Boletim de Ocorrência. “Conversei com o cara que me xingou, eu fiz o boletim porque tem que fazer, tem que denunciar mesmo, também dei o ato de perdão, mas nunca podemos nos calar”, explica.
SeguirO zagueiro contou que nunca havia sido vítima de racismo em jogos de futebol e reforçou a necessidade de expor os casos, que se repetem em todo o mundo.
“É uma coisa muito triste, fica esse racismo estrutural que tem no Brasil, não só no Brasil, como no mundo. Parece que é uma palavra normal porque quando eu relatei que fui xingado, a torcida começou a me vaiar e toda vez que eu pegava na bola, eles me vaiavam, como seu tivesse sido o culpado e ele a vítima. Eu vou continuar falando, vou continuar denunciando não só por mim, pelos meus filhos que são pretos, nunca vamos nos calar, sempre teremos voz. Nunca tinha passado por isso, foi a primeira vez, muitos falam que é mimimi porque não sentem na pele o que a gente sente, quem não sente na pele não tem o que falar. Somos iguais a todos, temos direitos como todos e buscamos por isso, não buscamos nada mais que ninguém, a gente só busca direitos iguais e sermos respeitados como os brancos”, salienta.
Árbitro relatou caso de racismo na súmula de jogo
Além do boletim de ocorrência, o caso também foi relatado pelo árbitro Tiago Soares dos Santos em súmula.
“Aos 15 minutos e 30 segundos do segundo tempo, fui informado pelo atleta de nº 03, o Sr. Fernando Carlos Miranda Teixeira, da equipe do Nação, que ele havia sido chamado de “macaco” por um torcedor da equipe do Juventus, localizado na arquibancada atrás da meta defendida por sua equipe. Tal ato teria ocorrido quando o referido atleta acabou deixando o campo em consequência de uma jogada. O jogo ficou paralisado por 04 minutos para identificação do torcedor por parte do atleta da equipe do Nação e retirada do torcedor pela polícia militar”, escreveu.
Ainda de acordo com o árbitro, a equipe não viu ou ouviu o que aconteceu no lance, mas relatou o caso de acordo com o relato de Fernando, que identificou imediatamente o torcedor.
Momento em que Fernando identifica o torcedor – Vídeo: FCFTV/Divulgação
Momento em que torcedor é retirado pela Polícia Militar – Vídeo: FCFTV/Divulgação
Nação se manifesta
Em nota divulgada na noite desta quinta-feira, o Nação repudiou os fatos e ainda afirmou que espera que o “racismo seja erradicado do futebol brasileiro”. Veja a nota na íntegra:
O Nação Esportes Futebol Clube, através deste comunicado, infelizmente, vem a público relatar mais um triste caso de racismo no futebol brasileiro.
Durante a partida envolvendo Juventus e Nação, em Jaraguá do Sul, pela segunda rodada do Catarinense Série B, o atleta Fernando foi chamado de macaco por um indivíduo que estava presente na torcida do clube mandante. Aos 15 minutos do segundo tempo, o jogo foi paralisado para que o mesmo fosse identificado e retirado da arquibancada pela Polícia Militar de Santa Catarina. Após o jogo, nosso atleta registrou um boletim de ocorrência ainda dentro do Estádio João Marcatto.
O Nação Esportes FC, clube formador de atletas e com uma filosofia religiosa que nos guia, repudia todo e qualquer ato de racismo e espera que esse tipo de crime seja combatido e erradicado do futebol brasileiro.
“Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita, escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos.” Colossenses 3:11