Se atualmente Santa Catarina conta com três representantes na Série B do futebol brasileiro, há um sentimento de que paira sobre o Estado de que esse número pode pular para cinco.
Com Bruque e Criciúma na luta pelo acesso em 2021, cresce a esperança para que o Estado aumente sua representatividade na Segundona e, assim, vislumbre voos ousados na elite do futebol nacional.
Partida entre o Criciúma e Brusque; os dois representantes de SC na Série C do nacional – Foto: Instagram/Criciúma Oficial/Reprodução/NDComo esquecer o ano de 2015 onde o Estado emplacou quatro clubes, 20% dos componentes da principal divisão do futebol do País.
SeguirPara que esse cenário se repita, ou até aumente, a Série C é um importante passo onde, nesse momento, o Brusque se ensaia mais próximo. Líder do grupo B desde as primeiras rodadas, o Marreco pode carimbar sua classificação à próxima fase nas próximas semanas.
O Criciúma, apesar de encontrar mais dificuldade e aparecer fora do G4 do Grupo B, aposta no peso da sua camisa para que, nessa reta final, aumente seu poder de produção e feche sua participação na primeira fase entre os quatro primeiros.
Diferente da Série A e Série B, a Terceirona é disputada em pontos corridos, com as equipes divididas em dois grupos, e depois em mata-mata. O Criciúma ocupa a modesta 6ª colocação, com 16 pontos, dois da Tombense, primeira equipe dentro da zona de classificação para a próxima fase.
O Brusque, com 27, tem três a mais que o vice-líder Ypiranga-RS e outros dez do primeiro time fora do G4, o Ituano.
Brusque
Não é de hoje que a fase do Brusque impressiona. Atual campeão Brasileiro da Série D, da Copa Santa Catarina e da Recopa Catarinense, além de conquistar o vice no último Campeonato Catarinense, a equipe do Vale se consolidou como uma das principais forças do futebol estadual. Não bastasse, a campanha do quadricolor no Campeonato Brasileiro Série C tem animado os torcedores. Em 13 jogos foram oito vitórias, três empates e apenas duas derrotas.
Bruscão segue em ascensão no cenário nacional do futebol; mais líder do que nunca na Série C – Foto: Lucas Gabriel Cardoso/Brusque FCPara o goleiro Zé Carlos, o segredo do Brusque está no elenco equilibrado. “Temos um grupo muito homogêneo acima de tudo, os atletas que saem e que entram estão dando conta do recado. Isso é muito importante, porque um grupo vencedor não feito por um, dois ou três jogadores, mas sim por um grupo”, diz o capitão da equipe.
Se continuar nesse ritmo a equipe do Vale pode superar, inclusive, a melhor campanha da fase classificatória desde 2012, quando começou a ser disputada no formato de dois grupos com dez clubes cada. Na época o Fortaleza teve um aproveitamento de 72,2%, um pouco maior que os atuais 69,2% do Brusque.
Se a campanha anima os torcedores, o discurso dentro do clube é de muito respeito e pé no chão. “A gente fica feliz, fica lisonjeado, mas sabe que não ganhamos nada. A classificação, se ela vir, vai ser muito importante, mas se depois no quadrangular não fizer por onde as coisas não vão acontecer. Não adianta você fazer 30, 40 pontos, bater recordes de pontos na primeira fase e depois ficar pelo caminho. O mais importante é o acesso à Série B”, reitera Zé Carlos.
O Brusque, como bem mostra o desempenho da equipe, sempre se manteve no topo da Série C – Foto: CBF/Série C/divulgaçãoNa próxima rodada o Brusque recebe o Boa Esporte (MG) em casa. O confronto está marcada para segunda-feira (9), às 20h, no Estádio Augusto Bauer.
Criciúma
O Criciúma foi rebaixado após 10 anos entre a Série B e A, onde passou duas temporadas na elite do futebol nacional. Por conta disso, precisou fazer uma grande reformulação no elenco para a temporada 2020.
Raio X do Tigre: Criciúma apresenta rendimento “modesto” na Série C – Foto: Divulgação/Douglas Picolo Arquitetura/NDSob o comando do experiente técnico Roberto Cavalo, o Tigre fez uma campanha razoável no Campeonato Catarinense, sendo que conseguiu se classificar em 5ª e foi eliminado apenas na semifinal, nos pênaltis, para a Chapecoense, que se sagrou campeã.
Já na estreia da Série C, o Criciúma ficou apenas no empate com o Londrina. Entre um jogo atrasado e outro, o Tigre fez um bom início de campeonato, onde venceu duas – Boa Esporte e São Bento -, empatou outras duas – Londrina e Volta Redonda e perdeu apenas para o Tombense. No entanto, assim como a maioria das equipes, o Tigre passou por algumas baixas por conta da Covid-19 e o trabalho do técnico Roberto Cavalo começou a ser contestado no Heriberto Hulse.
Gráfico mostra a “instabilidade” do Criciúma na Série C – Foto: Reprodução/CBF/NDO estopim para a demissão de Cavalo foi a derrota no clássico catarinense diante do Brusque, por 3 a 1. Para o seu lugar, foi contratado o técnico Itamamar Schulle, que também comandou o Tigre em, 2009 e 2010. Desde então, o Criciúma venceu apenas a partida diante do Londrina, empatou com o São Bento, – que tinha apenas um atleta no banco devido as baixas por conta da Covid-19, e perdeu para o Boa e Tombense.
Números do Tigre no Grupo B da Série C
- 5ª melhor ataque (14 gols marcados)
- 4ª melhor defesa (15 gols sofridos)
- Dois jogos sem sofrer gols
- 4 vitórias l 4 empates l 5 derrotas (41% de aproveitamento)
- 14 gols marcados l 15 gols sofridos l saldo de gols: -1
*números até 2/11
Situação para passar de fase
O Criciúma terá ainda mais cinco partidas – Volta Redonda, Ituano, Ypiranga, São José e Brusque.
Na última vez em que o Criciúma esteve na Série C, em 2010, as equipes ainda eram divididas em quatro grupos. Na ocasião, o Criciúma terminou líder do grupo D. Analisando as últimas três temporadas, nenhuma equipe conseguiu o acesso com menos de 48% de aproveitamento, ou seja, 26 pontos.
Faltando cinco rodadas para o fim da fase de grupo, a equipe carvoeira apresenta apenas 41% de aproveitamento na competição. Sendo assim, os comandados de Itamar Schulle precisam melhorar seu rendimento para manter vivo o sonho do retorno para a Série B.