Raio-X do Figueirense: o pior Furacão da década no Brasileirão

Edição 2020 do Figueirense soma 33% de aproveitamento, o que consiste no pior índice do Furacão no campeonato brasileiro ao término do 1º turno

Foto de Diogo de Souza

Diogo de Souza Florianópolis

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É o pior Figueirense da década. E não se trata de uma afirmação deste repórter, mas sim, o que apontam os aproveitamentos do alvinegro em dez anos de Campeonato Brasileiro, entre as Séries A e B, passada a primeira metade da competição no já tradicional modelo pontos corridos.

Figueirense, de Elyeser [à esq.] e Guilherme, em duelo do Figueirense na Série B 2020; time apresenta uma campanha tímida até aqui.  – Foto: Andrey de Oliveira/FFCFigueirense, de Elyeser [à esq.] e Guilherme, em duelo do Figueirense na Série B 2020; time apresenta uma campanha tímida até aqui.  – Foto: Andrey de Oliveira/FFC
A partir do levantamento feito em comparação as demais temporadas, o Furacão teve, em 2020, o seu desempenho mais tímido: atualmente com 19 pontos na 18ª colocação e 33% de aproveitamento, registra a pior marca do clube ao longo de dez anos.

Há quem lembre de 2012, na Série A, um Furacão na lanterna da competição com 14 pontos somados em 19 jogos. Por uma questão de relevância, no entanto, em um cenário envolvendo os principais clubes do País esse número passa a ser “aceitável”, uma vez que o alvinegro atualmente amarga o rodapé da Segunda Divisão nacional.

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É importante ressaltar também que, desde 2015, em duas oportunidades na Série A – sendo a queda em 2016 – e outras três na Série B, o Figueirense terminou a competição mais próximo da degola que, propriamente, do êxito do acesso.

Poucos gols e luta na parte de baixo

Com apenas quatro vitórias em 19 jogos, o Figueirense não conseguiu, sequer se aproximar, da metade superior da tabela. Depois de começar com o técnico Márcio Coelho a frente da equipe, Elano Blumer foi contratado no dia 29 de agosto.

O desempenho e os números do alvinegro até melhoraram, mas não o suficiente para que a equipe alçasse voos maiores na tabela. É bem verdade que o clube foi acometido por um surto de coronavírus e chegou a registrar, em intervalo de duas semanas, 25 casos da Covid-19 dentro dos seus corredores.

Elano Blumer chegou ao Figueirense em 29 de agosto de 2020, melhorou o desempenho alvinegro, mas não o suficiente para decolar na Série B – Foto: Patrick Floriani/FFC/NDElano Blumer chegou ao Figueirense em 29 de agosto de 2020, melhorou o desempenho alvinegro, mas não o suficiente para decolar na Série B – Foto: Patrick Floriani/FFC/ND

Elano, em seu desembarque, pegou uma equipe com quatro pontos conquistados em 12 disputados. Empatou com o Confiança (SE) em sua estreia, emendou duas derrotas para Náutico e Paraná, respectivamente, e ainda viu mais de 30 bandidos invadirem o estádio Orlando Scarpelli e agredirem atletas, integrantes da comissão técnica e funcionários.

Em duas oportunidades, emendou três jogos de invencibilidade com uma vitória e dois empates. Primeiramente entre as rodadas oito e 10, e mais recentemente nas rodadas 16, 17 e 18, empate com o Brasil-RS, vitória sobre o CRB e empate com o Juventude.

Um dos principais indícios dessa má campanha está no poder ofensivo do Furacão: 13 gols marcados em 19 jogos, um índice melhor apenas que Botafogo (com 12) e Oeste (com 10).

Mudança de discurso

O cenário atual preocupa no estádio Orlando Scarpelli, mas ainda é contornável. Ao longo dessa caminhada no primeiro turno, o discurso no bairro do Estreito até foi alterado.

Depois da derrota para o Paraná Clube, no dia 4 de setembro, o técnico Elano, ao ser indagado, rejeitou a ideia de que o Figueirense pudesse brigar na parte de baixo da tabela. Restava ali, ainda que de maneira mais discreta, a esperança e o sentimento de que o clube poderia tentar digladiar nas primeiras posições.

Desempenho do Figueirense na Série B, como é possível perceber, é de luta contra a queda – Foto: Série B/CBF/divulgaçãoDesempenho do Figueirense na Série B, como é possível perceber, é de luta contra a queda – Foto: Série B/CBF/divulgação

Ao passo que os jogos foram acontecendo e o aproveitamento cambaleando, a retórica foi se moldando. Depois da vitória do Figueirense sobre o CRB, no último dia 21, Elano admitiu a necessidade do clube de somar o maior número de pontos para que a manutenção na Série B seja devidamente mantida.

Desempenho do coirmão

De acordo com os números do Departamento de Matemática da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o Figueirense apresenta 46,6% de chance de rebaixamento à Série C.

Esse número, como bem o futebol e toda sua magia imponderável ensina diariamente, pode ser diluído.

Em levantamento feito sobre as últimas dez edições da Segundona, em apenas duas oportunidades o “ponto de corte” dos 45 pontos foi superado: em 2011, com o Icasa, que caiu mesmo após somar 47 pontos e 11 vitórias; além da edição de 2010 onde o Brasiliense fez 46 pontos, mesmo número do Vila Nova, mas acabou rebaixado pelo número de vitórias (10 x 11). Nas outras oito edições os rebaixados não alcançaram os 45 pontos.

Everton Santos, depois de 27 jogos, marcou um gol com a camisa do alvinegro; Furacão com muita dificuldade para fazer gols nesta Série B. Foto: Dennt Cesar/Código 19/Estadão ConteúdoEverton Santos, depois de 27 jogos, marcou um gol com a camisa do alvinegro; Furacão com muita dificuldade para fazer gols nesta Série B. Foto: Dennt Cesar/Código 19/Estadão Conteúdo

Partindo desse cálculo, atualmente com 19 pontos, o Figueirense precisa somar 26 pontos, algo como oito vitórias e dois empates. Em aproveitamento isso bate em 45%, exatamente a campanha feita pelo Avaí até aqui, que lhe configura a 9ª posição na tabela.

O que esperar desse Figueirense até fevereiro de 2021? Façam suas apostas.