O Senado vota nesta segunda-feira (11) o relatório final da CPI da Chapecoense, criada para investigar o trágico acidente aéreo em novembro de 2016 que vitimou 71 pessoas na Colômbia.
Izalci Lucas (PSDB-DF), relator, conversa com o presidente da CPI, Jorginho Mello (PL-SC) – Foto: Edilson Rodrigues/Agência SenadoDos 71 mortos, 68 eram brasileiros. Estavam no voo jogadores da Chapecoense, dirigentes, comissão técnica e jornalistas. O Verdão jogaria a final da Copa Sul-Americana contra o Nacional, em Medelín.
O texto faz sete recomendações, entre elas a indenização de vítimas e familiares e a responsabilização de cinco empresas envolvidas em uma possível fraude na emissão da apólice de seguro contratada pela companhia aérea boliviana LaMia.
SeguirA previsão inicial de término do processo era maio deste ano, mas foi adiado para 11 de julho. Isso foi feito para ouvir depoimentos de duas empresas, Tokio Marine Klin (resseguradora) e AON (corretora de seguros). Vale ressaltar que ambas não compareceram às reuniões.
Empresas envolvidas
- LaMia Corporation, sediada na Bolívia;
- Bisa Seguros, também boliviana, com a qual a LaMia contratou seguro;
- Tokio Marine Kiln Limited, sediada no Reino Unido, com a qual a Bisa contratou resseguro;
- Corretoras Aon UK e Grupo Estratégica (antiga Aon Bolívia), que funcionaram como representantes da seguradora e da resseguradora e orientadores da LaMia.
Recomendações do relatório
- Indenizar, “contratual e extracontratualmente”, as vítimas e os familiares das vítimas do voo CP 2933 da companhia aérea LaMia, e “alcançar eventuais ilícitos penais e administrativos” cometidos por envolvidos no acidente;
- “Coibir os esforços empreendidos por alguns dos atores envolvidos, em especial a resseguradora Tokio Marine Kiln Limited e a corretora AON UK Limited, no sentido de negar ou restringir a cobertura do seguro e, consequentemente, impedir a justa indenização das vítimas e dos familiares”;
- Abrir “procedimento para averiguação da solvência das afiliadas da Tokio Marine Kiln Limited e da AON UK Limited no Brasil”, em razão das “repercussões negativas, inclusive de ordem financeira, que o caso concreto traz, em razão da deterioração da imagem” das empresas;
- Aperfeiçoar normas e protocolos operacionais do transporte aéreo de passageiros, visto que a LaMia operou por cerca de seis meses, apesar de problemas de segurança, sem manifestação contrária dos órgãos de regulação;
- Aperfeiçoar as normas e protocolos operacionais das competições esportivas, visto que a LaMia, mesmo com problemas financeiros e de segurança, transportou diversas equipes de futebol “sem qualquer tipo de crivo das entidades responsáveis pelos campeonatos”;
- Iniciar “processo de arbitragem com os atores envolvidos, em especial a Tokio Marine Seguradora S/A”, e enviar a íntegra do relatório à Petrobras e à Caixa Econômica Federal, para eventual composição com a empresa, “sob pena de rescisão dos contratos de seguro atualmente vigentes, dados os evidentes indícios de ausência de reputação ilibada por parte de empresas integrantes do grupo econômico Tokio Marine”;
- Aperfeiçoar a legislação relativa ao tema investigado pela CPI. São mencionados quatro projetos de lei: um alterando as normas de seguros privados no Código Civil e três alterando o Código Brasileiro de Aeronáutica para reforçar a responsabilização de seguradoras e transportadoras.
Indenização
Na última semana, um acordo foi selado com representantes da Tokio Marine e a Embaixada Brasileira. A intenção foi aumentar o “fundo humanitário” de 15 milhões para 25 milhões. O encontro aconteceu em Londres, na Inglaterra.
Trabalho de resgate dos destroços do avião que levava a equipe da Chapecoense – Foto: BG. José G. Acevedo/@PoliciaMedellin/DivulgaçãoEsse fundo foi criado em fevereiro de 2017, pouco menos de três meses após o acidente, pela Tokio Marine. A ideia era pagar para cada família US$ 225 mil, pouco mais de R$ 1 milhão.
No entanto, quem aceitasse a quantia teria que desistir de todas as ações judiciais abertas no Brasil ou no exterior. Aproximadamente 24 famílias concordaram com a exigência, mas a maior parte rejeitou e seguiu com os processos.