Com a saída de Tite do comando técnico da seleção brasileira os nomes de técnicos estrangeiros como Pep Guardiola, Carlo Ancelotti, Manuel Pellegrini e Jorge Jesus, começaram a “pipocar” no noticiário como possíveis sucessores do antigo comandante.
Tite deixou a seleção brasileira após a eliminação na Copa do Mundo – Foto: Lucas Figueiredo/CBF/NDEmbora nos dias atuais e, especialmente pensando na temporada 2023, haja uma “avalanche” de técnicos estrangeiros no Brasil, a situação na seleção do País é um tanto quanto diferente.
A seleção brasileira foi comandada por um treinador de outro país apenas duas vezes em sua vitoriosa história. O dado curioso foi apontado pelo pesquisador Giovanni Pacheco, dono do site “Almanaque da Seleção”, ao Arena ND+ e a reportagem foi conferir.
SeguirPrimeiro treinador estrangeiro
A primeira vez que um treinador estrangeiro comandou a Seleção foi em 1925, quando o uruguaio Ramón Platero dirigiu a equipe durante o campeonato Sul-Americano na Argentina.
Originalmente, o brasileiro Joaquim Guimarães ocuparia o cargo, porém, de acordo com registros da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), ele acabou ficando com a função de diretor técnico.
Seleção brasileira no campeonato Sul-Americano de 1925. Em pé: Ramón Platero, Fortes, Tuffy, Pennaforte, Clodo, Floriano e Nascimento. Agachados: Filo, Lagarto, Friedenreich, Nilo e Moderato. – Foto: Acervo família Wisitainer/CBF/NDO Sul-Americano de 1925 foi disputado por três países: Brasil, Argentina e Paraguai, sendo seu formato de disputa em dois turnos. A Seleção estreou vencendo o Paraguai por 5 a 2. Porém, na partida seguinte, a equipe foi goleada pela Argentina por 4 a 1.
Após a goleada, veio à tona o comportamento boêmio e a desunião dos jogadores brasileiros. Segundo o zagueiro Floriano Peixoto no livro “Grandezas e Misérias do Futebol”, após a chegada da delegação ao Palace Hotel, em Buenos Aires, cada um tratou de seguir seu rumo pela cidade, ora nos cinemas e teatros, ora à procura dos aperitivos e mulheres nos cabarés.
Técnico Ramón Platero – Foto: Reprodução/Internet/ND“Na véspera do jogo contra os argentinos, tínhamos passado a noite rodando pelos cabarés, em meio a muita bebida, tango e “chicas” [mulheres]” relata Floriano Peixoto na obra.
Na partida seguinte, nova vitória sobre os paraguaios, por 3 a 1. E então, no segundo jogo contra os argentinos a Seleção saiu na frente com gols de Friedenreich e Nilo.
A partida ainda estava 2 a 0, quando Friedenreich foi lançado completamente livre na entrada da área. Pouco antes de finalizar a jogada, o zagueiro Muttis deu uma entrada desleal, um pontapé pelas costas e o brasileiro revidou com outro pontapé.
O episódio, conforme registros da CBF, gerou uma briga generalizada entre os jogadores. Aproveitando-se da confusão, a torcida argentina, que invadiu o campo aos gritos de “macaquitos”, agrediu os jogadores brasileiros.
Ânimos serenados, a partida prosseguiu, mas, abalados, os jogadores não resistiram à pressão dos argentinos e o jogo terminou empatado.
Academia do Palmeiras
A segunda vez que um técnico estrangeiro comandou a seleção brasileira foi em 1965. É bem verdade que o feito aconteceu em apenas uma única partida.
O argentino Nelson Ernesto Filpo Nuñez, foi o comandou a seleção brasileira no dia 7 de setembro de 1965, quando o Palmeiras, de camisetas amarelas, representou a equipe canarinho e venceu o Uruguai por 3 a 0 na inauguração do estádio Mineirão, em Belo Horizonte.
Naquele ano, a equipe paulista vivia o período de sua primeira Academia. O Verdão tinha conquistado o título Paulista de 1963 e do Rio-São Paulo de 1965.