A Chapecoense anunciou na noite desta segunda-feira (29) a saída do técnico Argel Fuchs após a derrota em casa diante do Sampaio Corrêa por 1 a 0. Com a demissão do agora ex-comandante da equipe catarinense, ao todo já foram feitas 12 trocas de treinadores na Série B do Campeonato Brasileiro em menos de 10 rodadas.
Até a publicação da reportagem, 12 dos 20 clubes da competição já mudaram seu comandante.
Dos três representantes de Santa Catarina, apenas o Criciúma manteve o seu treinador. Claudio Tencati, inclusive, é o técnico mais longevo dos 20 clubes: ele comanda o Tigre desde outubro de 2021.
SeguirO Avaí já havia optado por interromper o trabalho de Alex logo após a derrota em casa para o Vila Nova por 3 a 0 na quarta rodada. O paraguaio Gustavo Morínigo, que começou a competição no Ceará e acabou demitido, foi o escolhido.
A situação, inclusive, dimensiona ainda mais o que vem sendo essa “dança das cadeiras” dos treinadores. Mozart, hoje no Mirassol, é mais um que treinou mais de um clube nesta Segundona, uma vez que havia iniciado a competição pelo Atlético-GO.
ABC:
- Fernando Marchiori -> Allan Aal
O ABC iniciou a Série B com Fernando Marchiori. No entanto, o treinador caiu após uma sequência de nove jogos sem vencer, incluindo partidas de outras competição. Allan Aal, que chegou a ser especulado no Avaí, foi o escolhido.
Atlético-GO:
- Mozart -> Alberto Valentim
O Atlético-GO iniciou a Segundona com o técnico Mozart. No entanto, o treinador acabou demitido logo no início de maio após apenas sete jogos pelo clube. Alberto Valentim, ex-Avaí, foi o escolhido da diretoria.
Avaí:
- Alex de Souza -> Gustavo Morínigo
A diretoria do Avaí sustentou a permanência de Alex de Souza mesmo após as eliminações precoces no Campeonato Catarinense e na Copa do Brasil.
No entanto, em “comum acordo”, o treinador acabou caindo após a derrota em casa sofrida para o Vila Nova na quarta rodada da Série B. O interino Marquinhos Santos chegou a dirigir o clube até a chegada de Gustavo Morínigo.
Ceará:
- Gustavo Morínigo -> Eduardo Barroca
O Ceará iniciou a Série B com Gustavo Morínigo, hoje no Avaí, no entanto, o paraguaio acabou caindo após os resultados ruins ainda no fim de abril. Eduardo Barroca, também com passagem pelo Leão, foi o escolhido da diretoria do clube.
Chapecoense:
- Argel Fuchs -> ?
O técnico Argel Fuchs deixou a Chapecoense “em comum acordo” após uma breve passagem de 10 jogos, incluindo o Campeonato Catarinense, com apenas duas vitórias.
O nome do substituto ainda não foi revelado oficialmente pelo clube, no entanto, segundo apuração do colunista Eduardo Florão, do Grupo ND, Gilmar Dal Pozzo é um dos cotados para o cargo.
Argel Fuchs, ex-técnico da Chapecoense – Foto: Tiago Meneghini/ACF/NDCRB:
- Umberto Louzer -> Daniel Paulista
O CRB iniciou a Segundona com Umberto Louzer, ex-Chapecoense, no comando do clube. O treinador acabou demitido no último fim de semana após perder três jogos em sequência. O escolhido do clube para o cargo foi Daniel Paulista.
Ituano:
- Gilmar Dal Pozzo -> Marcio Freitas
O Ituano iniciou a Segundona com Gilmar Dal Pozzo, no entanto, o trabalho do treinador no clube durou exatos 100 dias. O escolhido para substituí-lo foi Márcio Freitas.
Juventude:
- Pintado -> Thiago Carpini
O Juventude iniciou a Segundona com o técnico Pintado. No entanto, a passagem do treinador pelo clube durou apenas cinco. Thiago Carpini, vice-campeão paulista com o Água Santa, foi o escolhido da diretoria.
Londrina:
- Alexandre Gallo -> PC Gusmão
O Londrina talvez seja o caso mais emblemático da lista. A equipe iniciou a Série B com Alexandre Gallo. O treinador acabou demitido após uma sequência de resultados ruins. O interino Edson Vieira, que fazia parte da comissão técnica permanente do clube, assumiu.
Vieira, no entanto, ficou por apenas quatro jogos (com duas vitórias e duas derrotas) e foi demitido após a chegada do novo técnico PC Gusmão.
Mirassol:
- Ricardo Catalá -> Mozart
A equipe paulista iniciou a Segundona com Ricardo Catalá no comando do clube. No entanto, ele acabou demitido após a derrota para o Novorizontino por 2 a 0 no início de maio. Mozart foi o escolhido da diretoria para substituí-lo.
Ponte Preta:
- Hélio dos Anjos -> Felipe Moreira
Hélio dos Anjos deixou o clube logo após a primeira rodada da Série B após uma série de divergências com a diretoria da Macaca. O inicialmente interino Felipe Moreira assumiu o comando técnico no lugar do antigo comandante.
Sampaio Corrêa:
- Evaristo Piza -> Márcio Fernandes
Evaristo Piza acabou demitido pelo clube no início de maio após o empate em 0 a 0 com o CRB, em Alagoas. Márcio Fernandes foi o escolhido pelo clube para substituir o antigo comandante.
Times que mantiveram o treinador na Série B:
- Botafogo-SP: Adilson Batista (desde fev.2023)
- Criciúma: Claudio Tencati (desde out.2021)
- Guarani: Bruno Pivetti (desde mar.2023)
- Novorizontino: Eduardo Baptista (desde nov.2022)
- Sport: Enderson Moreira (desde nov.2022)
- Tombense: Marcelo Chamusca (desde nov.2022)
- Vila Nova: Claudinei Oliveira (desde dez.2022)
- Vitória: Léo Condé (desde fev.2023)
Problema “cultural” no Brasil
Na opinião do colunista do Grupo ND, Fábio Machado, a situação expõe a chamada “cultura imediatista” dos dirigentes do futebol brasileiro e também a “falta de planejamento” dos clubes.
“Isso é o efeito da cultura imediatista dos dirigentes do futebol brasileiro e a falta de um planejamento a médio e o longo prazo. Especificamente sobre a Série B, se seguir essa tendência, mais mudanças ocorrerão pela dificuldade e equilíbrio da competição deste ano”, opina.
Claudio Tecanti é o treinador mais longevo da Série B – Foto: Celso da Luz/Criciúma EC/Divulgação/NDPara o também colunista do Grupo ND, Eduardo Florão, a Série B, pelo equilíbrio que a competição oferece, acaba aumentando ainda mais esse problema “cultural” do futebol brasileiro.
“Dirigentes montam o elenco e contram os treinadores sem ter muita noção do que ambos podem render. Pegando o exemplo da Chapecoense, o Argel Fuchs não vinha de bons trabalhos no futebol brasileiro. Mesmo assim o clube bancou, e trouxe o treinador, que teve um aproveitamento baixíssimo”, avalia Florão.
“Quando há o entendimento de que o elenco pode render mais acontece isso. Vimos alguns clubes que optaram por essa tática e funcionou. O próprio Juventude é um caso, que estava na zona de rebaixamento e subiu de produção”, completa.