Muitos presidentes passaram pelo JEC, alguns deixaram mais boas do que más impressões, alguns foram vitoriosos em campo, outros não, alguns venceram títulos, mas acumularam dívidas, outros não foram vitoriosos em campo e ainda deixaram o clube com déficit financeiro que virou uma bola de neve.
Jony Stassun entrou na Justiça para reclamar uma suposta dívida de mais R$ 5,2 milhões – Foto: Arquivo/Beto Lima/JEC/DivulgaçãoJony Stassun não venceu títulos, acumulou rebaixamentos e sua gestão começou a expor a situação financeira delicada do Tricolor. Além disso, o ex-presidente entrou na Justiça contra o clube, reclamando uma suposta dívida de mais de R$ 5 milhões. Ao acionar o JEC judicialmente, abriu um precedente que poderia, inclusive, se estender a outros mandatários.
O Tricolor contratou uma auditoria independente para fazer um pente fino na gestão de Stassun e encontrou vários furos. Com isso, o clube abriu, ainda em 2019, um processo disciplinar, que avaliou as reclamações do ex-presidente e o resultado da auditoria.
SeguirO processo demorou para andar, uma vez que a pandemia impediu que o rito seguisse seu curso normal e, em agosto, após conclusão do relator, o Conselho Deliberativo decidiu pela suspensão do ex-presidente do quadro societário do clube por dois anos. No entanto, ele recorreu da decisão e, nesta quinta-feira (14), a partir das 18h30, os sócios tricolores poderão julgar o ex-mandatário após apresentação da denúncia, defesa e avaliação da relatoria.
Mas, afinal, do que se trata a tal dívida?
O ex-presidente entrou na Justiça reclamando uma suposta dívida de R$ 5,2 milhões do JEC referentes a empréstimos feitos pelo empresário e por sua empresa ao clube durante o período de sua gestão. No entanto, o Tricolor alega que esses empréstimos foram realizados sem respeitar quaisquer processos internos e ritos, como a aprovação no Conselho Fiscal.
Para provar as irregularidades, o JEC contratou uma auditoria independente após pedido do Conselho Fiscal para analisar todas as movimentações financeiras do clube entre 2016 e 2018.
O pente fino encontrou contratos que foram elaborados em data posterior às respectivas operações financeiras. Além disso, a auditoria não encontrou vários documentos no arquivo do clube.
Na ação, Jony aponta três empréstimos: um de R$ 2,4 milhões dele, como pessoa física; um de R$ 1,8 milhão pela Romaço Rolamentos e outro de R$ 890 mil da Irmãos Stassun e Cia.
A auditoria não encontrou registro de entrada de R$ 526 mil e, além disso, os valores sequer batem com os que constavam no balanço de sua gestão, quando o relatório apontava uma “dívida” de R$ 7,1 milhões do JEC para o ex-presidente.
A alegação do clube desde o início da ação de Jony é de que os empréstimos foram feitos irregularmente, uma vez que precisam de aprovação da diretoria executiva e do Conselho Deliberativo.
O rito
Após a abertura do processo disciplinar, o rito precisa ser finalizado, esclarece o presidente do Conselho Deliberativo, Darthanhan Oliveira. “É um assunto delicado, não é uma pauta propositiva, mas é necessária. Eu não vou engavetar porque o JEC precisa disso. O JEC precisa levar isso como exemplo e nunca mais deixar isso acontecer. Pode chegar nos demais. Que sirva de exemplo”, salienta.
Ele conta, ainda, que houve, no final de 2019, tratativas informais da diretoria para o início de uma negociação com o ex-presidente. No entanto, houve uma definição em conjunto que elas deveriam ser apresentadas aos conselhos Deliberativo e Fiscal e, sem essa apresentação, o rito continuou.
A demora, incomum, se deve à pandemia e às impossibilidades de reuniões presenciais, que retornaram recentemente.
Nesta quinta-feira, quem vota é o sócio adimplente e, para Darthanhan, é mais uma oportunidade para que o sócio defina os rumos do clube. “A Assembleia Geral é órgão soberano no clube. Os torcedores precisam aprender a participar, é lá que se decidem os rumos do clube”, finaliza.
A Assembleia Geral acontece com a primeira convocação às 18h30 e a segunda às 19h, no hall de entrada da Arena Joinville.