O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) puniu dois atletas envolvidos no esquema de manipulação de resultados deflagrado na Operação Penalidade Máxima.
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) deflagrou a Operação Penalidade Máxima; serão mais oito atletas julgados no próximo dia 1º – Foto: MP de Goiás/Divulgação/NDMarcus Vinícius Alves Barreira, o Romário, ex-Vila Nova, foi banido do futebol. O outro condenado foi o volante Gabriel Domingos, também ex-Vila, foi suspenso pelo prazo de 720 dias.
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SeguirNo entendimento dos auditores da 1ª Comissão Disciplinar do STJD, em sessão realizada nesta segunda-feira (29), o meia Romário, de 21 anos, teria aliciado outros atletas a cometerem um pênalti em duelo válido pela última rodada da Série B 2022, frente ao Sport-PE. O atleta ainda foi condenado a pagar uma multa de R$ 25 mil.
Romário foi enquadrado com base no artigo 242 do CBDJ (Código Brasileiro de Justiça Desportiva), quem “dar ou prometer vantagem indevida a membro de entidade desportiva, dirigente, técnico, atleta ou qualquer pessoa natural mencionada”.
Gabriel Domingos
Outro atleta envolvido e condenado no julgamento desta segunda-feira (29) foi Gabriel Domingos, 22 anos, também ex-Vila Nova. No entendimento do tribunal o atleta teria sido subornado pelos apostadores a fim de cometer um pênalti.
Gabriel foi condenando com a pena máxima do artigo 243 por atuar “deliberadamente de modo prejudicial à equipe que defende”. Gabriel ainda foi condenado a pagar uma multa de R$ 15 mil.
O que disseram os jogadores
Romário participou do julgamento via videoconferência. O atleta admitiu ter sido cooptado pela quadrilha que aliciava jogadores para que cometessem atos em jogos de futebol, de modo a favorecer o grupo em apostas online.
Já o volante Gabriel foi até a sede do STJD, no Rio de Janeiro, onde disse que nunca pretendeu cometer a penalidade. Em meio a denúncia do MP-GO, no entanto, o jogador foi flagrado em conversas com membros da quadrilha, onde assegurou cometer a infração.
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Segundo o MP-GO Romário combinou com um aliciador para cometer um pênalti na partida entre Vila Nova x Sport Recife. Como ficou sabendo que não iria jogar, convenceu Gabriel Domingos para cometer a infração.
Ambos não entraram em campo, no fim das contas, já que Gabriel ficou somente na reserva. Como os dois atletas receberam adiantamentos via conta bancária, segundo o MP-GO, o crime já está consolidado.
Ainda de acordo com a investigação, os jogadores envolvidos recebiam um sinal antecipado de R$ 10 mil e faturariam com o esquema cerca de R$ 150 mil. Como a aposta naufragou, os apostadores tiveram um prejuízo de R$ 2 milhões, segundo a investigação.
Romário acabou tendo uma pena maior em função do enquadramento do artigo. Romário foi posto sob o artigo 242 que prevê o banimento em casa de o acusado prometer vantagens indevidas a terceiros.
Já Gabriel respondeu pelo artigo 243, que é atuar, deliberadamente, de modo prejudicial à equipe que defende.
Ministério Público de Goiás deflagrou a Operação Penalidade Máxima; mais um julgamento está previsto para a próxima quinta-feira (1º) – Foto: MP-GO/Divulgação/NDÉ importante lembrar que as condenações são passíveis de recorrer ao pleno – última instância – do STJD. Ambos também foram denunciados pelo MP-GO (Ministério Público de Goiás) e poderão responder na esfera criminal e, se condenados, ser presos.
Mais julgamentos no dia 1º
Esta segunda-feira marcou o julgamento dos jogadores denunciados na primeira fase da Operação Penalidade Máxima. Para a próxima quinta-feira (1º), oito atletas serão julgados, dessa vez, pela 4ª comissão disciplinar do STJD.
Os oito jogadores estão suspensos de maneira preventiva pelo STJD. Segue a lista:
- Moraes (Aparecidense-GO)
- Gabriel Tota (Ypiranga-RS)
- Paulo Miranda (sem clube)
- Eduardo Bauermann (Santos)
- Igor Cariús (Sport)
- Fernando Neto (São Bernardo)
- Matheus Gomes (sem clube)
- Kevin Lomónaco (Bragantino)
Dos oito atletas denunciados, apenas o meia Gabriel Tota foi enquadrado no artigo 242 e pode ser banido. Os demais estarão passíveis de suspensão e multas.
Operação Penalidade Máxima
A investigação iniciada pelo Ministério Público de Goiás, nomeada de Operação Penalidade Máxima, listou pelo menos 13 partidas com suspeita de esquema de manipulação. Segundo o site do órgão, oito jogos seriam da Série A do Campeonato Brasileiro de 2022, além de um da Série B e quatro em estaduais neste ano.
Segundo o MP-GO, entre os lances estariam levar um cartão amarelo, cometer um pênalti e até ser expulso, por exemplo. Para isso, aliciadores faziam propostas e pagavam aos atletas quantias em dinheiro, às vezes passando de R$ 100 mil. Bruno Lopez, um dos apostadores detido na primeira fase da operação, seria o líder do esquema.