O sotaque ainda carregado e característico, o sorriso no rosto e o agradecimento pelo retorno ao estádio e ao Centro de Treinamento que conhece tão bem. Sérgio Ramirez foi apresentado oficialmente, mas nunca deixou de fazer parte da história do JEC.
Sérgio Ramirez tem história vitoriosa e chega, mais uma vez, com aprovação total da torcida – Foto: Vitor Forcellini/JEC/Divulgação/NDNenhum torcedor esquece dos feitos de Ramirez por aqui, da imagem dele com um violão na arquibancada da Arena Joinville ou dele irrompendo correndo pelo gramado a cada sucesso do time que treinou e coordenou. Foram três passagens, duas como treinador, uma como coordenador e cerca de seis anos de uma relação que é retomada em fase delicada do time.
Mas, nada que ele não saiba como tratar e a serenidade na apresentação é prova disso. “Em 2010 saímos de uma situação parecida com a de hoje, um clube fora de série para buscar um acesso. Vamos trabalhar com muito afinco, seriedade, responsabilidade. Assim como estou contente em voltar para o clube, não quero sair daqui com as pessoas lembrando ‘viu como ele deixou o JEC?’, de jeito nenhum. Isso se chama responsabilidade de não onerar o clube. O tempo é curto e aí a nossa responsabilidade aumenta. Por isso começamos hoje, buscando, cogitando nomes e vamos fazer isso diuturnamente para que esse tempo não nos atrapalhe e buscar formar um time competitivo que nos leve aos nossos objetivos traçados”, garantiu
SeguirA acolhida ao nome de Ramirez foi imediata. O torcedor tem memória afetiva, sim, mas sabe do que o uruguaio é capaz. Ramirez já mostrou que é capaz de tirar o JEC do fundo do poço. Esteve por aqui em situação semelhante, esteve por aqui para chegar à Série A, conhece os desafios e as boas fases e é exatamente essa experiência, o conhecimento da cidade, do time e da torcida que fizeram o torcedor não questionar, por um segundo sequer, sua chegada.
Entre as qualidades que fazem do agora gerente de futebol tão querido está sua entrega. E se a nomenclatura “gerente” sugere alguma mudança no comportamento, ele mesmo tratou de afastar essa possibilidade. “Não estarei dentro de uma sala, estarei de agasalho, olhando o treino a toda hora, participando. Essa é a minha missão, é a minha especialidade”, cravou.
A aprovação total da torcida não é à toa. Não é “coincidência”. Ramirez tirou o time da mesma situação que se encontra agora enquanto técnico. Ramirez ascendeu a Série A enquanto coordenador técnico. As referências são as melhores e não só os números que o fazem figura conhecida e guardada no coração do torcedor.
Ramirez é passional, Ramirez invade o campo para comemorar, grita à beira do gramado, no CT, onde estiver. Alguém duvida que, enquanto estiver de agasalho observando o treino ele terá reações como essa? Aos 69 anos, o uruguaio é apaixonado pelo futebol, assim como a torcida tricolor e ele conhece muito bem esse torcedor. “A nossa torcida é grande, vibrante, essa torcida é boa”, disse. É boa e o apoia, o que é um primeiro passo fundamental.
Se no passado Ramirez mudou a trajetória do JEC, ele quer repetir a dose. Terá muitos desafios, uma situação financeira delicada, um processo complexo de montagem de elenco e um campeonato forte para disputar, somado a uma torcida mais uma vez ferida e desconfiada. Mas, ele deu a sua receita.
“Eu sei que os tropeços vieram, mas se ficarmos lamentando e com pessimismo, não conseguiremos nada e tenho certeza que o caminho começa a mudar agora”.
Que você esteja certo, Ramirez.