Time de SC ‘apadrinhado’ por Romário faz história no Catarinense

Atlético Catarinense, de São José (SC), faz história no Campeonato Catarinense ao passar sete rodadas sem marcar um mísero gol

Foto de Diogo de Souza

Diogo de Souza Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Passadas sete rodadas do Campeonato Catarinense 2023 vai ficando, cada vez mais clara, a intenção de cada uma das equipes. Estreante na competição o CAC (Clube Atlético Catarinense), apesar de toda expectativa ao redor, vai sucumbindo dentro do seu próprio projeto.

  • 1 de 3
    Figueirense x Atlético Catarinense - Márcia Becker/ND
    Figueirense x Atlético Catarinense - Márcia Becker/ND
  • 2 de 3
    Figueirense enfrenta o Atlético Catarinense - Márcia Becker/ND
    Figueirense enfrenta o Atlético Catarinense - Márcia Becker/ND
  • 3 de 3
    FRAME - Com baterias e cantos, torcida do Atlético Catarinense fez muito barulho durante o jogo - Ian Sell/ND
    FRAME - Com baterias e cantos, torcida do Atlético Catarinense fez muito barulho durante o jogo - Ian Sell/ND

Há três anos na condição de 12 clubes para oito vagas e dois rebaixados, o formato do Catarinense não é novidade para ninguém. Com oito clubes classificados à fase seguinte e duas vagas para o rebaixamento, o estadual distribui desfecho para quase todos os participantes.

O Atlético Catarinense, fundado em 2020 e, pela primeira vez entre os gigantes do estado, chegou envolto a muita expectativa. Como se não bastasse sua campanha meteórica desde sua fundação, o baixinho, tetracampeão e atual senador Romário colou sua imagem ao clube para, além de outras coisas, angariar apoio e patrocínio junto ao clube que é de São José.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Toda essa expectativa foi reforçada com a chegada de nomes com rodagem no futebol brasileiro como o goleiro Sidão, o zagueiro Felipe Santana, o meia Didira e o atacante Soares. Além de toda a experiência, apostas locais e estaduais para que o time fizesse sua ‘liga’ baseada no equilíbrio de um elenco.

CAC entra para a história sem um mísero gol

Passadas sete rodadas desde o início da competição a verdade é que o Atlético Catarinense está virtualmente rebaixado. Restando quatro jogos para o término da competição o CAC tem um ponto conquistado, 11 gols sofridos e está a 7 pontos do 10º colocado, atualmente o Criciúma, com 8 pontos.

Hercílio Luz derrota o CAC e volta para o topo da tabela do Campeonato Catarinense; situação difícil do CAC – Foto: LUCAS JORGE/NDHercílio Luz derrota o CAC e volta para o topo da tabela do Campeonato Catarinense; situação difícil do CAC – Foto: LUCAS JORGE/ND

Em contato com o sagaz colunista Fábio Machado, a reportagem do Arena ND+ conseguiu levantar campanhas semelhantes à essa. O também comentarista lembrou da campanha do União de Timbó, em 2005, onde jogou 10 partidas e perdeu todas. Fábio Machado, no entanto, lembra que a equipe apesar das derrotas marcava gols.

Em contato com o historiador Adalberto Klüser, via Fábio Machado, a informação foi confirmada. Em 1983 o Joaçaba ficou sem marcar gols nas 6 primeiras rodadas e, na 7ª, acabou empatando em 1 a 1 com a Chapecoense.

Em 1985 teve um caso parecido: o Paysandu, da cidade de Brusque, não marcou gols nos seis primeiros jogos. No sétimo, no entanto, venceu o Marcílio Dias por 2 a 0 e arrancou a “nhaca”.

Da outra extremidade do campo, ainda, foram 11 gols sofridos e nenhum marcado. O único ponto somado pelo CAC foi diante do Brusque, em Florianópolis, empate em 0 a 0.

Mais técnicos que pontos

A campanha do Atlético Catarinense aponta para um empate, seis derrotas e dois técnicos: Arilson Costa foi o escolhido para começar a temporada – foi o treinador na campanha dos dois acessos do CAC – mas durou quatro rodadas.

Arilson Costa não é mais o técnico do Atlético Catarinense – Foto: Lucas Veber/CAC/NDArilson Costa não é mais o técnico do Atlético Catarinense – Foto: Lucas Veber/CAC/ND

Ele foi substituído por Eduardo Costa, ex-volante revelado no Avaí e com passagem pela seleção brasileira. O profissional durou três jogos ou, no caso, 13 dias, desde sua chegada até sua saída.

O CAC, até o fechamento da matéria, não havia anunciado um novo nome. Eduardo Costa não resistiu à derrota para o Concórdia por 3 a 0, neste domingo (12).

Público ausente

Dos sete jogos disputados pela Águia Josefense, até aqui, três foram “em casa” e outros quatro foram fora. Com parceria confessa junto ao Figueirense, o Atlético Catarinense manda seus jogos no lendário estádio Orlando Scarpelli.

Apesar da promoção destinada aos torcedores do Figueirense – desconto para sócios – a verdade é que o público não comprou a ideia do clube. O melhor número registrado foi no primeiro jogo da história do CAC como mandate na primeira divisão: 566 presentes e empate sem gols diante do Brusque.

O CAC perdeu duas rodadas seguidas, longe de casa, para equipes do Vale do Itajaí: 1 a 0 Cambura e 1 a 0 Barra.

Ao volta para “sua casa” o CAC tomou 4 a 0 do JEC para a testemunha de 295 pessoas. A campanha foi “fechada” até aqui na derrota deste final de semana, 3 a 0 para o Concórdia.

Foram 1.409 pessoas levadas ao estádio em suas três participações o que configura a uma média inferior a 500 pessoas por jogo.

Dispensas, sumiço e silêncio

Depois da derrota para o Hercílio Luz, dentro do estádio Orlando Scarpelli, a direção do Atlético Catarinense resolveu agir no elenco. Como já havia demitido o técnico Arílson, optou por desligar sete jogadores do elenco. Felipe Santana, experiente atleta e com mais de dez anos de futebol alemão no currículo, foi um dos nomes desligados.

  • 1 de 3
    Romário durante treino do Atlético Catarinense nesta terça-feira - Lucas Veber/CAC/ND
    Romário durante treino do Atlético Catarinense nesta terça-feira - Lucas Veber/CAC/ND
  • 2 de 3
    Romário durante treino do Atlético Catarinense nesta terça-feira; Daison, o presidente, de costas - Lucas Veber/CAC/ND
    Romário durante treino do Atlético Catarinense nesta terça-feira; Daison, o presidente, de costas - Lucas Veber/CAC/ND
  • 3 de 3
    Romário durante treino do Atlético Catarinense nesta terça-feira - Lucas Veber/CAC/ND
    Romário durante treino do Atlético Catarinense nesta terça-feira - Lucas Veber/CAC/ND

O próprio embaixador do clube, o baixinho Romário, figura presente em todas as missões da equipe até então, também não foi mais visto. Além da campanha do time, o sempre temperamental ex-atleta retomou sua função no Congresso Nacional, reeleito senador pelo PL-RJ.

Em contato com a assessoria de imprensa do CAC, a informação repassada é que a diretoria orientou que “ninguém vai dar entrevista por agora” ao responder um pedido de entrevista com o presidente do clube, Daison Rodrigues.

Próxima parada

O Atlético Catarinense volta ao campeonato tentando a recuperação – e o primeiro gol – na próxima quinta-feira (16), a partir das 19h, no estádio Orlando Scarpelli. Apesar de alguns boatos no sentido contrário, a partida está confirmada com presença de público.

Sobre o tema, inclusive, o clube encaminhou uma nota. Confira na íntegra:

A Diretoria do Clube Atlético Catarinense informa que não há nenhuma possibilidade da partida entre Atlético Catarinense e Avaí, válida pela oitava rodada do Campeonato Catarinense 2023, ocorrer com portões fechados.

A diretoria recebeu com surpresa o rumor dessa possibilidade, que não aconteceu de maneira oficial, mantendo a execução da partida e operação do jogo dentro da normalidade.

O contrato de locação do Estádio Orlando Scarpelli, entre Figueirense e Atlético Catarinense para mando de jogos do CAC no Campeonato Catarinense 2023, é minucioso em relação a partida envolvendo o Avaí Futebol Clube. Todas as medidas de segurança para a operação do referido jogo foram previamente acolhidas.

Vale ressaltar que o Estádio Orlando Scarpelli já foi palco de diversas partidas importantes envolvendo as principais equipes do Brasil, tendo um histórico exemplar no quesito segurança e comodidade para as torcidas visitantes que o frequentam. Além disso, o Estádio atende todos os requisitos exigidos pela Federação Catarinense de Futebol, Corpo de Bombeiros e demais entidades competentes.

Em todas as partidas do Atlético Catarinense na atual competição, a entrada de nossos torcedores com uniformes de outras equipes do futebol catarinense e nacional foram terminantemente proibidas, medida que será adotada com ainda mais afinco no confronto diante do Avaí.

O espaço para a torcida visitante será ampliado. Além do Setor E, que é tradicionalmente utilizado como setor visitante, o Setor D também será aberto para o torcedor avaiano. O Serviço de Jogo com maiores informações será disponibilizado na manhã desta terça-feira.

Daison Rodrigues – Presidente do Clube Atlético Catarinense