Passadas sete rodadas do Campeonato Catarinense 2023 vai ficando, cada vez mais clara, a intenção de cada uma das equipes. Estreante na competição o CAC (Clube Atlético Catarinense), apesar de toda expectativa ao redor, vai sucumbindo dentro do seu próprio projeto.
Há três anos na condição de 12 clubes para oito vagas e dois rebaixados, o formato do Catarinense não é novidade para ninguém. Com oito clubes classificados à fase seguinte e duas vagas para o rebaixamento, o estadual distribui desfecho para quase todos os participantes.
O Atlético Catarinense, fundado em 2020 e, pela primeira vez entre os gigantes do estado, chegou envolto a muita expectativa. Como se não bastasse sua campanha meteórica desde sua fundação, o baixinho, tetracampeão e atual senador Romário colou sua imagem ao clube para, além de outras coisas, angariar apoio e patrocínio junto ao clube que é de São José.
SeguirToda essa expectativa foi reforçada com a chegada de nomes com rodagem no futebol brasileiro como o goleiro Sidão, o zagueiro Felipe Santana, o meia Didira e o atacante Soares. Além de toda a experiência, apostas locais e estaduais para que o time fizesse sua ‘liga’ baseada no equilíbrio de um elenco.
CAC entra para a história sem um mísero gol
Passadas sete rodadas desde o início da competição a verdade é que o Atlético Catarinense está virtualmente rebaixado. Restando quatro jogos para o término da competição o CAC tem um ponto conquistado, 11 gols sofridos e está a 7 pontos do 10º colocado, atualmente o Criciúma, com 8 pontos.
Hercílio Luz derrota o CAC e volta para o topo da tabela do Campeonato Catarinense; situação difícil do CAC – Foto: LUCAS JORGE/NDEm contato com o sagaz colunista Fábio Machado, a reportagem do Arena ND+ conseguiu levantar campanhas semelhantes à essa. O também comentarista lembrou da campanha do União de Timbó, em 2005, onde jogou 10 partidas e perdeu todas. Fábio Machado, no entanto, lembra que a equipe apesar das derrotas marcava gols.
Em contato com o historiador Adalberto Klüser, via Fábio Machado, a informação foi confirmada. Em 1983 o Joaçaba ficou sem marcar gols nas 6 primeiras rodadas e, na 7ª, acabou empatando em 1 a 1 com a Chapecoense.
Em 1985 teve um caso parecido: o Paysandu, da cidade de Brusque, não marcou gols nos seis primeiros jogos. No sétimo, no entanto, venceu o Marcílio Dias por 2 a 0 e arrancou a “nhaca”.
Da outra extremidade do campo, ainda, foram 11 gols sofridos e nenhum marcado. O único ponto somado pelo CAC foi diante do Brusque, em Florianópolis, empate em 0 a 0.
Mais técnicos que pontos
A campanha do Atlético Catarinense aponta para um empate, seis derrotas e dois técnicos: Arilson Costa foi o escolhido para começar a temporada – foi o treinador na campanha dos dois acessos do CAC – mas durou quatro rodadas.
Arilson Costa não é mais o técnico do Atlético Catarinense – Foto: Lucas Veber/CAC/NDEle foi substituído por Eduardo Costa, ex-volante revelado no Avaí e com passagem pela seleção brasileira. O profissional durou três jogos ou, no caso, 13 dias, desde sua chegada até sua saída.
O CAC, até o fechamento da matéria, não havia anunciado um novo nome. Eduardo Costa não resistiu à derrota para o Concórdia por 3 a 0, neste domingo (12).
Público ausente
Dos sete jogos disputados pela Águia Josefense, até aqui, três foram “em casa” e outros quatro foram fora. Com parceria confessa junto ao Figueirense, o Atlético Catarinense manda seus jogos no lendário estádio Orlando Scarpelli.
Apesar da promoção destinada aos torcedores do Figueirense – desconto para sócios – a verdade é que o público não comprou a ideia do clube. O melhor número registrado foi no primeiro jogo da história do CAC como mandate na primeira divisão: 566 presentes e empate sem gols diante do Brusque.
O CAC perdeu duas rodadas seguidas, longe de casa, para equipes do Vale do Itajaí: 1 a 0 Cambura e 1 a 0 Barra.
Ao volta para “sua casa” o CAC tomou 4 a 0 do JEC para a testemunha de 295 pessoas. A campanha foi “fechada” até aqui na derrota deste final de semana, 3 a 0 para o Concórdia.
Foram 1.409 pessoas levadas ao estádio em suas três participações o que configura a uma média inferior a 500 pessoas por jogo.
Dispensas, sumiço e silêncio
Depois da derrota para o Hercílio Luz, dentro do estádio Orlando Scarpelli, a direção do Atlético Catarinense resolveu agir no elenco. Como já havia demitido o técnico Arílson, optou por desligar sete jogadores do elenco. Felipe Santana, experiente atleta e com mais de dez anos de futebol alemão no currículo, foi um dos nomes desligados.
O próprio embaixador do clube, o baixinho Romário, figura presente em todas as missões da equipe até então, também não foi mais visto. Além da campanha do time, o sempre temperamental ex-atleta retomou sua função no Congresso Nacional, reeleito senador pelo PL-RJ.
Em contato com a assessoria de imprensa do CAC, a informação repassada é que a diretoria orientou que “ninguém vai dar entrevista por agora” ao responder um pedido de entrevista com o presidente do clube, Daison Rodrigues.
Próxima parada
O Atlético Catarinense volta ao campeonato tentando a recuperação – e o primeiro gol – na próxima quinta-feira (16), a partir das 19h, no estádio Orlando Scarpelli. Apesar de alguns boatos no sentido contrário, a partida está confirmada com presença de público.
Sobre o tema, inclusive, o clube encaminhou uma nota. Confira na íntegra:
A Diretoria do Clube Atlético Catarinense informa que não há nenhuma possibilidade da partida entre Atlético Catarinense e Avaí, válida pela oitava rodada do Campeonato Catarinense 2023, ocorrer com portões fechados.
A diretoria recebeu com surpresa o rumor dessa possibilidade, que não aconteceu de maneira oficial, mantendo a execução da partida e operação do jogo dentro da normalidade.
O contrato de locação do Estádio Orlando Scarpelli, entre Figueirense e Atlético Catarinense para mando de jogos do CAC no Campeonato Catarinense 2023, é minucioso em relação a partida envolvendo o Avaí Futebol Clube. Todas as medidas de segurança para a operação do referido jogo foram previamente acolhidas.
Vale ressaltar que o Estádio Orlando Scarpelli já foi palco de diversas partidas importantes envolvendo as principais equipes do Brasil, tendo um histórico exemplar no quesito segurança e comodidade para as torcidas visitantes que o frequentam. Além disso, o Estádio atende todos os requisitos exigidos pela Federação Catarinense de Futebol, Corpo de Bombeiros e demais entidades competentes.
Em todas as partidas do Atlético Catarinense na atual competição, a entrada de nossos torcedores com uniformes de outras equipes do futebol catarinense e nacional foram terminantemente proibidas, medida que será adotada com ainda mais afinco no confronto diante do Avaí.
O espaço para a torcida visitante será ampliado. Além do Setor E, que é tradicionalmente utilizado como setor visitante, o Setor D também será aberto para o torcedor avaiano. O Serviço de Jogo com maiores informações será disponibilizado na manhã desta terça-feira.
Daison Rodrigues – Presidente do Clube Atlético Catarinense