“Vá em paz, Miguel Livramento”; a minha crônica de despedida para um amigo e incentivador

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Ontem foi um dia triste. Ontem nos despedimos do querido Miguel Livramento, um verdadeiro ícone no jornalismo esportivo de Santa Catarina. Autêntico, como em todos momentos, dentro e fora da sua profissão, Miguel rapidamente caiu no gosto popular por causa das suas expressões simples, mas sempre cheia de sabedorias. Era o seu jeito de expressar um lance, uma contratação errada (principalmente do seu Avaí) ou uma ação equivocada de um dirigente. Para o colega Marcelo Mancha, aqui do Grupo ND “Miguel foi um influenciador em uma época em que não havia mídias sociais”. Quem nunca se pegou falando “conta aqui pro bonequinho”, “nunca vi ninguém tirar leite de pedra”, ou “uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”.

Além da sua trajetória no esporte, como repórter, narrador e depois comentarista, Miguel marcou época na região da Grande Florianópolis com o seu programa de rádio de segunda as sextas, todas as manhãs, que fazia “eco” pela cidade. Era impossível circular pelo Centro, pelos bairros e pelos morros de Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu – sua cidade natal –  e não escutar a trilha de abertura até hoje lembrada: “Alô minha gente amiga, oi turma. A nossa carinhosa saudação. Até o meio-dia vamos falando de gente, de bola, de tudo aquilo que acontece na ilha mais linda do mundo, denominada Florianópolis”.

Fora do trabalho, Miguel era sempre visto com uma de suas grandes paixões: os seus curiós. Circulava pela cidade sempre com o carrão do momento ou passeava pela cidade com muito estilo: calças sociais e o sempre lustrado par de sapatos brancos. Vai deixar saudades, aliás, já deixou uma grande lacuna. No mês passado, Miguelzinho participou do Clube da Bola, programa dos sábados na NDTV, depois do Balanço Geral. Rimos muito, durante o programa com o seu jeito peculiar e nos bastidores, fora do ar. Marcelo Mancha queria que o Miguel, que foi seu padrinho de casamento, participasse mais vezes da nossa programação, infelizmente não deu tempo: foi a sua última participação na TV, veículo que ele tanto gostava.

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Além de todas essas qualidades do Miguel há uma outra, que transforma esse baixinho em um gigante. Miguel Livramento sempre apoiou e a acreditou em jovens talentos. A repórter Simone Malagolli não conseguiu segurar a emoção ao saber da sua morte “ele sempre acreditou no meu potencial, ainda não acredito que ele partiu, muito triste”.

O mesmo respeito, atenção e carinho este colunista que vos escreve essas emocionadas linhas recebia do querido Miguel Livramento que sempre falava: “Acompanho o teu trabalho diariamente e nos sábados sento ao lado dos meus filhos para acompanhar tu, o Mancha, o Badá e os outros comentaristas no programa Clube da Bola”.  Afinando a voz para provocá-lo, eu respondia com um dos seus conhecidos bordões: “mentiraaaaaa”, para logo cairmos numa gostosa risada. Obrigado, Miguel Livramento. Obrigado por ter incentivado, elogiado e inspirado tantos colegas a seguirem o jornalismo esportivo, como foi o meu caso. Vá em paz, amigo!

Miguel Livramento com Fabio Machado e Marcelo Mancha no Clube da Bola. Foi sua última aparição na TV.  – Foto: CLUBE DA BOLA/NDMiguel Livramento com Fabio Machado e Marcelo Mancha no Clube da Bola. Foi sua última aparição na TV.  – Foto: CLUBE DA BOLA/ND
Miguel Livramento, obrigado pela amizade e pelos incentivos.  – Foto: Fabio Machado/divulgaçãoMiguel Livramento, obrigado pela amizade e pelos incentivos.  – Foto: Fabio Machado/divulgação

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