Veja o porquê das partidas da Copa do Mundo do Catar durarem mais de 100 minutos

Partidas da Copa do Mundo têm sido marcadas por intermináveis minutos de acréscimos; Derrota da Argentina teve 11 de acréscimos, enquanto jogo entre Irã e Inglaterra teve 14

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Redação ND Florianópolis

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Os jogos da Copa do Mundo do Catar têm se destacado – também – pelo tempo envolvido. Segundo levantamento da rede BBC, os primeiros quatro jogos do mundial tiveram mais de 65 minutos só em acréscimos.

Não chega a surpreender. Assim como Perluigi Collina, presidente do comitê de arbitragem da Fifa, anunciou antes da Copa do Mundo do Catar, os jogos teriam, dentre outros cuidados, a prerrogativa de ser fiel ao tempo a ser jogado.

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    Brasileiros Raphael Claus apitou o duelo entre Inglaterra e Irã - Fadel Senna/AFP/Divulgação/ND
    Brasileiros Raphael Claus apitou o duelo entre Inglaterra e Irã - Fadel Senna/AFP/Divulgação/ND
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    Rapahel Claus, árbitro brasileiro; arbitragem não têm economizado nos acréscimos - Adrian Dennis/AFP/Divulgação/ND
    Rapahel Claus, árbitro brasileiro; arbitragem não têm economizado nos acréscimos - Adrian Dennis/AFP/Divulgação/ND

A explicação está nas palavras de Collina, que já havia alertado na semana passada que as equipes de arbitragem estariam “muito atentas” ao tempo de jogo real da partida.

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“Queremos evitar partidas com 42, 43 ou 44 minutos de tempo efetivo. Será necessário compensar os tempos das substituições, pênaltis, comemorações de gols, atendimento médico e, certamente, do VAR”, disse.

“As comemorações às vezes demoram 90 segundos. Este tempo deve ser compensado”, acrescentou o ex-árbitro italiano, que defendeu o “respeito aos torcedores e telespectadores”.

O jogo com mais tempo de acréscimo foi Inglaterra-Irã (6-2), que teve 117 minutos no total, 14 deles no fim do primeiro tempo. Nesta terça-feira, o jogo da Argentina chegou a ter 11 minutos de acréscimos no segundo tempo.

O jogo dos Hermanos, que culminou com a vitória inesperada da Arábia Saudita, bem como o duelo entre Inglaterra e Irã, foram alterados por condições extraordinárias envolvendo lesões, sobretudo, neurológicas.

Mais partidas

Mas as outras três partidas, Catar X Equador, Senegal X Holanda e País de Gales X Estados Unidos, também superaram cem minutos, sem importantes incidentes físicos.

Senegal’s forward #18 Ismaila Sarr (L) lies on the pitch as Brazilian referee Wilton Sampaio speaks to him during the Qatar 2022 World Cup Group A football match between Senegal and the Netherlands at the Al-Thumama Stadium in Doha on November 21, 2022. (Photo by MANAN VATSYAYANA / AFP) – Foto: MANAN VATSYAYANA/AFP/NDSenegal’s forward #18 Ismaila Sarr (L) lies on the pitch as Brazilian referee Wilton Sampaio speaks to him during the Qatar 2022 World Cup Group A football match between Senegal and the Netherlands at the Al-Thumama Stadium in Doha on November 21, 2022. (Photo by MANAN VATSYAYANA / AFP) – Foto: MANAN VATSYAYANA/AFP/ND

Apesar de uma intenção louvável, a medida também tem efeitos negativos. No fim da partida entre Estados Unidos e País de Gales, o árbitro catari Abdulrahman Al-Jassim anunciou nove minutos adicionais. No período de acréscimo, vários jogadores desabaram no gramado e receberam atendimento para cãibras, o que levou o árbitro a prolongar o tempo extra.

O segundo tempo durou mais de 55 minutos, sem lesões graves nem uso do VAR e com apenas um gol marcado.

O tempo de acréscimo também altera o placar: o iraniano Mehdi Taremi fez o segundo gol do Irã contra a Inglaterra aos 103′, e o holandês Davy Klaassen, o segundo da Holanda na vitória sobre Senegal (2-0) aos 99′.  

“Acho que foram 24 minutos de acréscimo no jogo. É muito tempo de concentração”, afirmou o técnico da Inglaterra, Gareth Southgate. “Perdemos nossa concentração, e, quando jogamos em um ritmo mais lento, não somos tão eficientes”, completou.

Efeitos negativos?

O ex-técnico belga Marc Wilmots disse que a medida pode ter efeitos negativos.

“Vi os Estados Unidos afundando contra o País de Gales. Não vimos mais o time. O que me surpreende são as cãibras, os problemas com lesões e os jogadores, que já estão no limite”, disse Wilmots à RTBF.

“O calendário foi ajustado para permitir sete partidas em 28 dias, sem contar as prorrogações, o que pode levar as partidas a 140 minutos se isso continuar assim. É insustentável”, completou.

O ex-jogador inglês Jamie Carragher, no entanto, elogiou a iniciativa. “Adoro o tempo de acréscimo dos árbitros da Copa do Mundo. Há muito tempo perdido no futebol”, tuitou.

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