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Veja raio X da Tombense, clube que pode afundar a Chapecoense na Série B

Chapecoense tem à frente mais que um simples jogo, mas um adversário que atua no futebol com dinamismo do mundo dos negócios

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Há duas coisas em jogo para a Chapecoense na partida desta sexta-feira (21), contra o Tombense, às 19h15, na Arena Condá. Primeiro o resultado do confronto, a luta pela vitória em si. Segundo, o mais importante: a obrigação da vitória para se afastar da perigosas zona da degola. O risco do rebaixamento é real.

Chapecoense tem jogo de vida ou morte e, apesar do nome do adversário, não pode tropeçar contra o Tombense – Foto: João Heemann/ACF/Divulgação/NDChapecoense tem jogo de vida ou morte e, apesar do nome do adversário, não pode tropeçar contra o Tombense – Foto: João Heemann/ACF/Divulgação/ND

Assim, embora pareça um jogo a mais para o Tombense, que tem 44 pontos e está em 14º lugar, para a Chape é vida ou morte. É tudo ou nada. Muito mais do que uma decisão. Desde 2012, quando chegou à Série B, o risco de um retrocesso à Terceira Divisão jamais foi maior. Assim, estar bem treinado e focado no jogo é pouco. É preciso conhecer o adversário, sua história.

Raio X do Tombense

O adversário da Chapecoense nessa 36ª rodada da Série B tem sua base na cidade de Tombos. Fica no extremo sul de Minas Gerais, na divisa, colada ao município de Porciúncula, já no Rio de Janeiro. É uma cidade pequena, daquelas em que a vida passa lentamente, com pouco mais de 7 mil habitantes.

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Apesar do nome, o Tombense não sofre neste momento risco de cair para a Série C, ao contrário da Chape. Tombos foi batizada assim em razão às três quedas (tombos) d’água da cachoeira do rio Carangola que fica na cidade. O clube foi fundado em 1914, mas não tinha grande destaque no cenário nacional até 1999.

Naquele ano, os empresários Eduardo Uram e Lane Mendonça Gaviolle, da empresa Brazil Soccer, começaram a gerir o Tombense. O modesto clube virou um balcão de negócios, formando atletas e projetando-os ao cenário nacional e internacional.

Eduardo Uram é um empresário influente no futebol brasileiro, sobretudo no Rio de Janeiro. Mas tem braços em outros estados, como Minas Gerais. Por exemplo, ele é o empresário do técnico Cuca, além do lateral-esquerdo Guilherme Arana, ambos do Atlético Mineiro.

Gilmar Dal Pozzo tem problemas envolvendo atletas da equipe que estão no Departamento Médico, como por exemplo, o zagueiro Victor Ramos e o lateral Maílton – Foto: João Vítor Heemann/ACF/NDGilmar Dal Pozzo tem problemas envolvendo atletas da equipe que estão no Departamento Médico, como por exemplo, o zagueiro Victor Ramos e o lateral Maílton – Foto: João Vítor Heemann/ACF/ND

Para refrescar a memória, Eduardo Uram foi um dos investigados na chamada Swissleaks, um esquema de evasão fiscal descoberto em 2015. Entre os inúmeros brasileiros envolvidos, estava lá também o nome de Ricardo Teixeira, então presidente da CBF.

Poder do Tombense

Não entenda o Tombense como um clube pequeno. No fim de 2021, a Fifa emitiu um estudo sobre o mercado de transferências internacionais. Considerou o período de uma década. Lá estava na lista de clubes com mais jogadores emprestados um inesperado Tombense. No total, a agremiação emprestou 73 jogadores entre 2011 e 2020.

É uma demonstração de poder, sem dúvida, mas significa também que o foco do Tombense não é exatamente título ou ascensão. Nesse caso, o que vier será lucro.

Assim, se em horas de crise vale buscar o otimismo, que tal apostar nisso para entender que a Chapecoense vai com mais fome de bola do que o adversário nesse confronto? Nessa hora de sufoco, se o futebol é negócio e sobra dinheiro no Tombense, a bola tem que ser um prato de comida para a Chape. Que venha o adversário e que o tropeço fique lá por Tombos.