VÍDEO: Figueirense completa 101 anos debruçado em três pilares para voltar à elite

11/06/2022 às 06h00

Figueirense está de aniversário neste domingo (12), sustentado por uma administração racional, atletas identificados e uma torcida apaixonada

Foto de Diogo de Souza

Diogo de Souza Florianópolis

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O Figueirense completa, neste domingo (12), 101 anos de fundação. Junto de uma instituição que já trocou de século e uma galeria de troféus repleta; o Furacão do Estreito é coberto por uma aura inexplicável, capaz de atrair corações mesmo em um dos seus momentos mais difíceis em mais de dez décadas de história.

Foi inspirado no tempo de existência e sem dar às costas ao passado, que o Grupo ND entendeu celebrar a data. Estruturado no que foi escrito até aqui, o Figueirense Futebol Clube passa em um momento de transição a partir de um dos poços mais profundos do futebol de alto rendimento, no Brasil.

Mesmo assim é capaz de cativar novos alvinegros que, ainda que “desacostumados” ao êxito, são formados no mais sincero dos sentimentos: o da dor.

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    Figueirense celebra vitória sobre o o Ferroviário - Patrick Floriani/FFC/Divulgação
    Figueirense celebra vitória sobre o o Ferroviário - Patrick Floriani/FFC/Divulgação
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    Goleiro Wilson é capitão, líder e referência do Figueirense nesta Série C - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
    Goleiro Wilson é capitão, líder e referência do Figueirense nesta Série C - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
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    Júnior Rocha conquista uma importante marca a frente do Figueirense - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
    Júnior Rocha conquista uma importante marca a frente do Figueirense - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND

Com uma dívida superior a R$ 160 milhões e o time principal na Série C do Campeonato Brasileiro, o Figueirense já passou pelo ‘pior’, mas ainda precisa de uma longa caminhada para que se aproxime e até mesmo se poste em um patamar à altura da instituição.

Essa transição passa por atletas identificados, uma gestão convicta e preparada para atuar na escassez e o maior dos propulsores: uma torcida apaixonada, mas necessariamente renovada.

“Maior instituição esportiva de SC”

Nas palavras do presidente Norton Flores Boppré trata-se do “Dia da Paixão” do Alvinegro. Além de marcar a data de fundação, o mandatário alvinegro lembra o Dia dos Namorados e salienta ainda os “101 anos da maior instituição esportiva de Santa Catarina“.

Conforme apurado e trazido pelo ND+, ao longo da semana, o Figueirense está com salários “regularizados e em dia”, em todos os seus âmbitos.

Se há essa condição de celebração e de prospecção, nesse momento, existem mais de 101 motivos uma vez que o clube atravessa um momento de ascensão financeira, administrativa e futebolística.

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    Presidente do Figueirense Norton Flores Boppré, em entrevista concedida ao ND - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
    Presidente do Figueirense Norton Flores Boppré, em entrevista concedida ao ND - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
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    Presidente assumiu o Figueirense em 2020, no momento mais difícil do clube - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
    Presidente assumiu o Figueirense em 2020, no momento mais difícil do clube - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
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    Presidente do Figueirense Futebol Clube, Norton Flores Boppré - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
    Presidente do Figueirense Futebol Clube, Norton Flores Boppré - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
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    Presidente do Figueirense, Norton Boppré - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND
    Presidente do Figueirense, Norton Boppré - Patrick Floriani/FFC/Divulgação/ND

Ao menos é o panorama que emana das paredes do estádio Orlando Scarpelli. O presidente Norton Boppré falou sobre o pioneirismo do FFC em adotar o financiamento coletivo, denominado Crowdfunding, onde os torcedores têm a oportunidade de aportar no clube uma fatia que, além de servir de apoio, pode virar lucro:

“O torcedor já identificou que hoje a situação do Figueirense vem dando a mostrar que o clube está no caminho certo, no erguimento de recuperação. Com todo o trabalho que está sendo realizado, é para crescer ainda mais esse montante. Aquele que aportar um valor agora, terá, ali na frente, a chance de lucrar”, observou o presidente Norton Boppré.

Ainda de acordo com o presidente, há uma meta de R$ 5 milhões para esse financiamento coletivo, que vai equivaler a 5% da SAF (Sociedade Anônima Figueirense).

A modalidade de sociedade anônima, na qual o Figueirense adotou em dezembro de 2021, também é apontada pelo presidente como um dos “saltos dados para reestruturação e reerguimento” do clube.

Norton Boppré ainda disse, com exclusividade, o que o Figueirense pretende fazer com os valores arrecadados. Confira:

Presidente Norton Boppré explica o destino do Crowdfunding – Vídeo: Diogo de Souza/ND

A base vem forte: “Figueirense é elite”

Essa foi a descrição dada pelo goleiro Antônio Carlos Martins Júnior, 18 anos, natural de Florianópolis e há sete anos no clube. O arqueiro, que chegou ao clube em 2015, moldou sua formação com o Figueirense na Série A.

Ele acompanhou o Alvinegro entre os maiores ainda em 2016, ano que o clube desceu à Série B para, até aqui, não ter voltado mais. “Eu cheguei e o clube estava na Série A, toda minha família é alvinegra, cair para Série C foi muito triste”, relembrou o atleta.

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    Goleiro Antônio tem 18 anos e está no Figueirense desde 2015 - Leo Munhoz/ND
    Goleiro Antônio tem 18 anos e está no Figueirense desde 2015 - Leo Munhoz/ND
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    Goleiro Antônio faz parte da equipe profissional do Figueirense - Leo Munhoz/ND
    Goleiro Antônio faz parte da equipe profissional do Figueirense - Leo Munhoz/ND
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    Goleiro Antônio está desde 2015 no Figueirense - Leo Munhoz/ND
    Goleiro Antônio está desde 2015 no Figueirense - Leo Munhoz/ND

Antônio, apesar de lamentar a condição atual, fez questão, em mais de uma vez, em salientar o atual grupo de jogadores e sua confiança no retorno à Segunda Divisão e, até a Série A. “O Figueirense nunca deveria ter saído, o Figueirense é elite”.

Goleiro Antônio está no Figueirense desde 2015 – Vídeo: Diogo de Souza/ND

Apesar dos descensos em sequência, o atleta revelou momentos que estão marcados em sua memória, nesses sete anos de clube, principalmente já na condição de profissional onde pode festejar o título da Copa SC, em 2021 e ainda a Recopa Catarinense, goleada sobre o rival Avaí, no Sul da Ilha.

Primeiros passos como profissional

Quem também celebrou as conquistas, mas como titular da equipe, foi o volante Uesley Moura Heinemann, 21 anos, conhecido como Uesley Gaúcho.

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    Jogadores do Figueirense treinam no CFT do Cambirela - Leo Munhoz/ND
    Jogadores do Figueirense treinam no CFT do Cambirela - Leo Munhoz/ND
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    Uesley Gaúcho é volante do Figueirense - Leo Munhoz/ND
    Uesley Gaúcho é volante do Figueirense - Leo Munhoz/ND
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    Volante Uesley Gaúcho está no Figueirense desde 2020, já identificado com o clube - Leo Munhoz/ND
    Volante Uesley Gaúcho está no Figueirense desde 2020, já identificado com o clube - Leo Munhoz/ND

Natural de São Valério do Sul, o atleta está em Santa Catarina desde seus 14 anos. Depois de atuar no Tubarão, Sul do Estado, foi trazido até a capital do Estado para atuar no lado alvinegro do futebol.

Uesley já coleciona participações entre os titulares e é considerada peça importante do grupo de Júnior Rocha. No Figueirense desde 2020, o atleta revela gratidão ao Figueirense pelos seus “primeiros passos como profissional” e ainda projeta “objetivos” no clube antes de chegar a seleção brasileira.

Com quase dois anos de casa, o atleta não pensa duas vezes antes de eleger seu grande momento no clube. Confira:

Uesley Gaúcho, atleta oriundo da base do Figueirense que hoje atua no profissional – Vídeo: Diogo de Souza/ND

Paixão incondicional

Parte fundamental no processo de retomada do clube aos degraus mais desejados do futebol brasileiro, a torcida do Figueirense sempre se credenciou pelo fanatismo e pela presença.

São comuns – se pode ser definido assim – casos de amor e fanatismos extremo envolvendo torcedores alvinegros. São casos e ocasos em todas as idades.

Era setembro de 2019 quando, ao final de uma derrota por 3 a 0 para o Bragantino, em jogo então válido pela Série B, o torcedor do Figueirense impressionou o país inteiro ao entoar cânticos de amor e devoção ao clube em imagens que correram o mundo.

Há um trecho no Hino da Torcida, de autoria do músico Paulinho Carioca, que menciona toda essa fidelidade:

“Teu patrimônio é um mundo de riquezas.
Com obras de emérito valor.
Tens a torcida mais fiel do nosso Estado.
Figueira eu te amo com fervor.”

Longe dos momentos de maior sintonia com o clube em função da degradação do clube nos últimos anos, esse aspecto também parece ir retomando, aos poucos.

O próprio site oficial do clube, ao ser aberto, comunica o número de sócios no clube que, nesse momento, são “mais de 6 mil”.

Para o duelo deste domingo (12), diante do Confiança, às 18h, há uma expectativa de recorde de público no estádio Orlando Scarpelli.

Arquibancada alvinegra: na boa e na ruim

Para Kaully Hoffmann Costa, 20 anos, o Figueirense vem do DNA familiar, mas o envolvimento com o clube desde que nasceu. O jovem revela que, em função do trabalho do pai, que atuava em uma empresa que patrocinava o Figueirense, tinha a oportunidade de adentrar acompanhando os atletas.

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    Kaully Hoffmann Costa, 20 anos, torcedor do Figueirense - Leo Munhoz/ND
    Kaully Hoffmann Costa, 20 anos, torcedor do Figueirense - Leo Munhoz/ND
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    Torcedor do Figueirense na boa e na ruim - Leo Munhoz/ND
    Torcedor do Figueirense na boa e na ruim - Leo Munhoz/ND
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    Kaully Hoffmann Costa, 20 anos, torcedor do Figueirense - Leo Munhoz/ND
    Kaully Hoffmann Costa, 20 anos, torcedor do Figueirense - Leo Munhoz/ND

Kaully ainda tentou ingressar o clube via categorias de base, mas uma apendicite o afastou dos gramados antes de ser dispensado pelo clube. O torcedor revela que ainda tentou mais algumas oportunidades, mas todas as chances foram sepultadas em um problema no joelho acrescido da pandemia do coronavírus.

“Faço minhas loucuras, vou ao estádio, vou fora quando precisa. Não adianta, torcedor é isso aí, sempre na boa e na ruim”, resumiu o autônomo.

Ele falou ainda sobre o privilégio de acompanhar um ídolo atualmente. Confira:

Torcedor Kaully Costa, 20 anos, amor pelo Figueirense na boa e na ruim – Vídeo: Diogo de Souza/ND

“Figueirense é tudo pra mim”

Mas se o clube passa por uma situação delicada, nesse momento, trata-se “apenas” de um momento. A julgar pelo amor de indivíduos como Matheus Lopes de Medeiros, jornalista, 25 anos, o clube poderá contabilizar muitas glórias – ou não – daqui a eternidade.

Com uma paixão trazida do seu tio, Matheus é enfático em se descrever apenas como um torcedor alvinegro. “Aqui é muito comum as pessoas torcerem por mais de um time, mas eu não, eu sou só Figueirense”, explicou.

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    Pedro Farinelli Medeiros [à esq] e Matheus Lopes Medeiros; amor pelo Figueirense - Arquivo pessoal/Divulgação/ND
    Pedro Farinelli Medeiros [à esq] e Matheus Lopes Medeiros; amor pelo Figueirense - Arquivo pessoal/Divulgação/ND
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    Matheus Lopes, torcedor do Figueirense que é natural de Tijucas e acompanha o clube em todos os jogos dentro de casa - Arquivo pessoal/Divulgação/ND
    Matheus Lopes, torcedor do Figueirense que é natural de Tijucas e acompanha o clube em todos os jogos dentro de casa - Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Sobrinho de Pedro Farinelli Medeiros, vítima de um câncer que o levou no final de 2021, Matheus revelou que viu no seu tio a grande inspiração para ser Figueirense de corpo e alma.

“Ele me apresentou o clube, me deu camisetas, me mostrou o que é o amor pelo Figueirense. Sou muito grato a ele que me mostrou o que é o amor por esse clube”, relembrou.

Se esse Figueirense vai voltar ao trilho dos grandes clubes do futebol nacional, não há como ‘cravar’. Mas inegavelmente corre em paralelo a certeza de que essa instituição tem (pelo menos) mais cem anos pela frente movido em uma paixão infinita.