Apesar de morar ao lado da Arena Condá, em Chapecó, o “sotaque manezinho” acaba “entregando” Paulo Roberto Laureano Filho, de 38 anos, torcedor do Avaí.
“Vizinho” da Arena Condá, Paulo segue carregando o Avaí no coração – Foto: Ian Sell/NDNascido e criado no Campeche, bairro no Sul da Ilha de Santa Catarina, o Betinho, como é carinhosamente chamado pelos amigos mais próximos, escolheu Chapecó como “nova casa” há cerca de 10 anos.
No fim de 2013, o técnico Industrial passou em um concurso público e, no início do ano seguinte, veio para o Oeste do Estado apenas com um amigo, que também havia sido aprovado em um concurso, mas de outra empresa.
SeguirO que, apesar da distância, acabou não mudando foi o sentimento pelo Avaí.
“Acho que o sentimento se transforma com o tempo, mas não muda. A gente acompanha pela TV, rádio, internet, do jeito que dá, é uma maneira de poder estar perto”, conta.
“Nos últimos 10 anos Avaí e Chapecoense se enfrentaram muitas vezes também, então acabo tendo a oportunidade ver alguns jogos aqui [em Chapecó]”, completa.
Relação com o Avaí à distância
Pouco mais de 24 horas separam o reencontro de Paulo com o Leão da Ilha. Avaí e Chapecoense se enfrentam na tarde deste domingo (27) em duelo válido pela 25ª rodada da competição.
Se quando morava em Florianópolis os encontros eram “semanais”, com a distância passaram a rarear.
“Ansioso a gente sempre fica. Confesso que nos últimos anos acabei desmotivando um pouco, teve a fase da pandemia, com estádios vazios, a fase do clube não vinha boa também”, comenta.
“Mas por um lado esse momento delicado do clube é ‘bom’, porque faz o torcedor lembrar que ele tem a força para tirar o Avaí dessa situação ruim”, pontua.
Vida do torcedor do Avaí em Chapecó
Questionado sobre como é a vida de um torcedor do Leão no Oeste de Santa Catarina, Paulo afirmou que as “brincadeiras” acontecem com frequência.
“Às vezes sou meio que um ‘estranho no ninho’ [risos] e ultimamente eles [Chapecoense] ganharam mais do que nós. É bem complicado torcer para o Avaí aqui. Principalmente há seis, sete anos atrás a Chapecoense era muito predominante”, explica Laureano.
A torcida do Avaí dentro da casa de Paulo, no entanto, não para no técnico industrial. A pequena Mariana Laureano, de apenas 5 anos, já veste a camisa do clube e segue a paixão do pai.
“Já ensinei a minha filha a gritar gol do Avaí. O único problema é que ela gostou e agora grita gol de todos os times [risos]. Eu até evito de levar ela na Arena Condá, porque vai que ela acaba começando a torcer para a Chape”, brinca.
‘É gol do Avaí’, vibra Mariana – Vídeo: Ian Sell/ND
Amigos tentaram fazer Paulo ‘mudar de lado’
Morando ao lado do estádio do Verdão, Paulo conta que os amigos do trabalho tentaram “converter” ele a torcedor da Chapecoense. As várias tentativas, no entanto, não funcionaram.
“Eles [amigos] falam que eu sou ‘praticamente Chapecoense’. Eu prefiro dizer que eu sou ‘um manezinho bem-vindo em Chapecó’, é um contexto diferente”, explica.
“Eles falam que os caras que vinham de Florianópolis pra cá ficavam três, quatro anos e já perdiam o sotaque. ‘Tu até hoje não perdeu o teu’, eles dizem. Deixa eu aqui com o meu sotaque [risos]”, completa.
O manezinho costumava apenas acompanhar os amigos em alguns jogos da Chapecoense na Arena. A prática, contudo, vem sendo “rara” ultimamente.
“Antigamente eu ia mais no estádio, esse ano fui apenas duas vezes, quando o Avaí jogou aqui esse ano eu estava em Florianópolis, aí não consegui acompanhar”, relata.
“Até vou nos jogos às vezes com meus amigos, mas não visto a camisa [da Chapecoense] não, fico só no meu cantinho. Tem uns amigos que são sócios, aí acabo indo junto. O futebol da gente anda meio ruim, isso acaba não empolgando”, completa.
Adaptação a Chapecó
Se hoje morar fora de Florianópolis ao lado da esposa e da filha já virou algo normal na vida de Laureano, ele conta que no começo a adaptação na cidade foi um tanto quanto complicada.
Após os dois primeiros anos em Chapecó, o amigo com quem dividia apartamento conseguiu se transferir de volta para Florianópolis e Paulo acabou ficando sozinho.
“O começo foi difícil. Quando vim pra cá veio esse amigo junto, mas depois que ele foi embora foi a parte mais difícil. Comecei a frequentar clubes, conhecer gente nova, fazer amizades, jogar um futebolzinho, fui criando novos laços de amizade, conheci minha esposa, foi o que me fez segurar a barra”, conta.
“Tinha hora que dava vontade de largar tudo e voltar para Florianópolis. Família está toda lá: pai, mãe e irmão”, completa.