O vereador Afrânio Boppré (PSOL) protocolou na tarde desta sexta-feira (30) na Câmara Municipal de Florianópolis uma moção de aplauso ao volante Wellington, do Avaí, pelo enfrentamento ao racismo.
Volante Wellington alega ter sido vítima de racismo no prédio onde mora em Florianópolis – Foto: Leandro Boeira/Avaí F.C/NDO texto será lido no Plenário na próxima segunda-feira (3) e pode já entrar em pauta na sequência.
O jogador encontrou uma banana jogada em frente a porta do apartamento onde mora com a família em um condomínio de Florianópolis na última semana. O caso ganhou repercussão nacional.
Seguir“É muito importante que a Câmara Municipal de Florianópolis manifeste solidariedade ao Wellington e aos seus familiares. Toda a sociedade precisa exigir punição aos responsáveis por esse ato lamentável. Não podemos tolerar o racismo em nenhuma esfera”, comenta Boppré ao Arena ND+.
À reportagem, a assessoria do jogador confirmou que o jogador foi procurado pelo vereador e que “recebeu com gratidão” a ação.
Confira o texto na íntegra:
Wellington Martins, jogador do Avaí, foi vítima de ato de racismo, no dia 17 de junho, quando, supostamente seus vizinhos, deixaram casca de banana na porta da sua casa, em Florianópolis. Wellington, com passagens por clubes como São Paulo, Athletico-PR, Vasco e Fluminense, garante que não é primeira vez que sofre esse tipo de violência no Brasil.
O jogador manifesta a revolta por ser vítima de atos de racismo e registrou Boletim de Ocorrência. “Hoje aconteceu um fato que não tem como deixar passar. Atacaram minha família. Algum covarde fez isso. É revoltante. Ato de racismo na porta de casa. Não é de hoje que minhaesposa vem sofrendo esse tipo de covardia, seja com olhares ou risadinhas de canto. Dito isso, infelizmente o RACISMO EXISTE e só não vê quem não quer. Que Deus possa me dar sabedoria para lidar com tudo isso porque a raiva, a revolta é inexplicável”, postou o volante do Avaí nas redes sociais.
Dessa forma, é importante, por parte da CMF, a aprovação da presente Moção, manifestando solidariedade ao Atleta e aos familiares, exigindo punição aos responsáveis e incentivando que outras vítimas deste tipo de violência também busquem seus direitos.
Entenda o caso envolvendo o volante Wellington
Wellington acabou denunciando o episódio na última sexta-feira (23). O fato aconteceu no momento em que a esposa do jogador, Aline Verteiro, chegava em casa após buscar o filho na escola.
“Hoje aconteceu um fato que não tem como deixar passar. Atacaram a minha família. Algum covarde (a) fez isso. É revoltante. Ato de racismo na porta da minha casa. Não é de hoje que minha esposa vem sofrendo esse tipo de covardia, seja com olhares ou com risadinhas de canto. Dito isso, infelizmente, o racismo existe e só não vê quem não quer”, escreveu o volante na ocasião.
Wellington denuncia racismo em Florianópolis – Foto: @wellington_martinsoficial/Reprodução/NDNo entanto, em contato com o Arena ND+ nesta quinta-feira (29), o delegado geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, afirmou que afirmou que a investigação não apontava indícios de crime de racismo ou injúria racial.
Segundo o delegado, houve uma queda de luz e crianças brincavam no local no momento. As maiores saíram correndo e uma criança menor, que estaria comendo uma banana, ficou para trás e acabou jogando a fruta no chão.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, o jogador questiona o delegado e a suposta conclusão do caso. “Como, o delegado de Polícia, que conduz a investigação de um caso com essa magnitude, vai a público em um episódio dessa gravidade e informa ter havido conclusão do inquérito sem ouvir a minha parte ou a minha esposa, os efetivos envolvidos na injúria havida? Como se chegou nesta definição?”, diz o volante.
Wellington ainda alega que, nas imagens que possui, não há nenhum momento apontando falta de energia elétrica no corredor do andar em que mora.
“Temos as imagens. A Polícia Civil também. Em nenhum momento, nas imagens que temos, houve demonstração de falta de energia elétrica no corredor do meu andar; temos informações de moradores contrárias a esta alegação. Lembrando que não existem câmeras no corredor deste local, somente nos elevadores, o que reforça nossa estranheza”, disse.
O jogador também conta que o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) foi até sua casa e relatou à esposa que as imagens seriam enviadas para investigação, “o que nos demonstra que o caso não foi encerrado, e nem poderia”.
De acordo com o delegado, o jogador já deve ter sido intimado a prestar depoimento, o que deve acontecer, reforça ele, entre esta sexta-feira e a próxima semana.
“Os índicos são nesse sentido de que não houve situação indicativa de racismo ou injúria racial, mas ele será ouvido, até para saber se ele quer dar continuidade ou não no caso”, disse.