Wellington ‘zagueiro’? Entenda a estratégia de Barroca para anular a jogada forte do Ituano

Eduardo Barroca fez mudanças na estrutura do Avaí no segundo tempo da vitória contra o Ituano; o Arena ND+ explica a estratégia

Foto de Ian Sell

Ian Sell Florianópolis

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O cronômetro marcava 24 minutos do segundo tempo na partida entre Ituano e Avaí, neste sábado (22), quando Eduardo Barroca sacou o atacante Felipinho para colocar o volante Xavier. O Leão da Ilha já vencia por 1 a 0 na ocasião.

A substituição, que naturalmente mexeria na estrutura da equipe, trouxe uma “surpresa” preparada pelo treinador para tentar anular o que vinha sendo a jogada forte da equipe paulista até então: o pontas recebendo em situações de um contra um contra o lateral adversário.

O técnico Marcinho Freitas espetou Hélio Borges (pela direita) e Felipe Saraiva (pela esquerda) nas duas pontas, com o “pé na linha lateral”. O objetivo era espaçar a linha defensiva do Leão e, além de fazer com que fossem possíveis situações de mano a mano contra os laterais, também criar espaços para os meias infiltrarem nos intervalos entre zagueiro e lateral do Avaí.

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Amplitude máxima do Ituano causou problemas ao Avaí antes das mexidasAmplitude máxima do Ituano causou problemas ao Avaí antes das mexidas – Foto: TacticalBoard/Reprodução/ND

Para evitar que o Avaí conseguisse dobrar a marcação nos pontas, com William Pottker e Felipinho (os dois pontas azurras) descendo para auxiliar os laterais, o Ituano passou a tentar bolas diretas dos jogadores de meio-campo para os pontas, para que não houvesse tempo para essas dobras.

Mapa de calor do Ituano mostra a concentração de ações pelos lados – Foto: FootStats/Reprodução/NDMapa de calor do Ituano mostra a concentração de ações pelos lados – Foto: FootStats/Reprodução/ND

Segundo dados do FootStats, o atacante Felipe Saraiva foi o terceiro jogador que mais recebeu passes do volante José Aldo na partida, apenas atrás dos laterais Pacheco e Kauan Richard.

Além disso, o atacante foi o jogador que mais recebeu bolas do meia Eduardo Person, que entrou na segunda etapa.

A mexida de Eduardo Barroca teve a intenção de “alargar” a última linha do Avaí e fazer com que não houvesse espaço para os meias infiltrarem.

Com a entrada de Xavier, Wellington desceu como zagueiro central para fazer uma linha de cinco no momento em que o Leão da Ilha entrava em organização defensiva, ou seja, quando estava postado para se defender.

Com a mudança, os laterais passaram a “bater de frente” com os dois pontas e o espaço que ficava “aberto” com Cortez e, especialmente, Igor Inocêncio descolando da linha de quatro para marcar o ponta, era preenchido por mais um zagueiro.

Mexida de Barroca trouxe Wellington para a linha de zagaMexida de Barroca trouxe Wellington para a linha de zaga – Foto: TacticalBoard/Reprodução/ND

Barroca explica mudanças

Questionado pela reportagem do Arena ND+ em coletiva após a partida, Barroca explicou os motivos da mudança.

“A ideia foi tentar controlar a amplitude total do Ituano. Como os extremos jogavam praticamente com o pé na linha lateral, se a gente trabalhasse com linha de quatro, teríamos que fazer nosso lateral saltar para bater de frente e estávamos tendo dificuldades com as infiltrações dos meias”, explica o treinador.

Barroca explica mudança no segundo tempo durante a vitória contra o Ituano – Vídeo: TV Avaí/Reprodução/ND

“No primeiro tempo tentamos controlar os pontas através de dobras de marcação com os nossos pontas e meias, mas como eles usavam muitas bolas longas direto do volante, em alguns momentos ficou muito distante para acertamos essa dobra e o jogo ficou muito característico para um contra um e queríamos fugir disso”, completa.

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