A mistura de experiência e juventude que fez história no Tubarão Futsal

Equipe catarinense chega, pela primeira vez, às semifinais da Liga Nacional após 13 participações e enfrenta, nesta quarta-feira (2), o Sorocaba

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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Se 2020 é um ano atípico, de adaptações, mudanças e privações nas ruas, nas quadras não tem sido diferente. O futsal brasileiro precisou se readequar em um ano de pandemia que mudou a fórmula de disputa da maior competição nacional, obrigou atletas a ficarem afastados de sua torcida e, no caso de Santa Catarina, tem obrigado os times a procurar “casas provisórias”. Mas, para o Tubarão, o ano vai ficar marcado, também, pela campanha histórica que a equipe já fez e que pretende melhorar ainda mais.

Com apenas uma derrota na competição, Tubarão tem o terceiro melhor aproveitamento da Liga Nacional – Foto: Tubarão/DivulgaçãoCom apenas uma derrota na competição, Tubarão tem o terceiro melhor aproveitamento da Liga Nacional – Foto: Tubarão/Divulgação

Após 13 participações na Liga Nacional, o Tubarão fez história e chegou, pela primeira vez, às semifinais da competição que reúne os 21 melhores times do país. A equipe fez – e muito – por merecer estar entre as quatro melhores equipes do Brasil neste ano.

Com uma campanha regular, quase irretocável, o Tubarão desbancou o atual bicampeão na primeira fase, deixou o Pato para trás e garantiu a primeira colocação do grupo C com sete vitórias, três empates e apenas duas derrotas, um aproveitamento de 66,7%, com 24 gols marcados em 12 jogos. A campanha garantiu, ainda, a terceira colocação geral, atrás apenas de JEC/Krona e do adversário dessas semifinais, Sorocaba.

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Nos playoffs, o empate tem dominado as partidas da equipe catarinense. Nas oitavas, o adversário foi o São José, 5º colocado do grupo A. Com dois empates, a decisão foi para a prorrogação e aí, o Tubarão mostrou que não foi terceiro colocado geral à toa, venceu por 2 a 0 e garantiu a classificação. Nas quartas de final, novo empate. Enfrentando o Praia Clube, terceiro colocado do grupo A, a equipe catarinense ficou no 2 a 2 fora de casa, mas em casa, domínio: 6 a 3 e passagem carimbada para a história. Em 2019, as semifinais bateram na trave e o time foi eliminado pelo Jaraguá nas quartas, ficando com a 5ª posição. Desta vez, não teve espaço para falha e o time comandado pelo técnico Gordo está entre os quatro melhores do Brasil.

Mas, a equipe quer mais e, para isso, precisa superar um adversário e tanto. O Sorocaba é o que se chama de time “acostumado às finais”. No ano passado, a equipe do interior paulista foi vice, depois de sofrer uma goleada, dentro de casa, para o Pato, que faturou o bicampeonato. Com a melhor campanha geral, a equipe que tem sua base no experiente fico Rodrigo, não perdeu uma partida sequer na primeira fase. E, mais do que isso, foram 12 vitórias em 12 jogos.

Marcinho marcou o gol da vitória do Tubarão – Foto: Divulgação/LNF/NDMarcinho marcou o gol da vitória do Tubarão – Foto: Divulgação/LNF/ND

Nos playoffs, campanha parecida com a do Tubarão, dois empates nos primeiros jogos nas oitavas, contra Campo Mourão e Cascavel e duas vitórias jogando em casa para garantir lugar entre os quatro melhores, mais uma vez.

O jogo desta quarta-feira (2) marca a primeira vez do Tubarão jogando uma decisão de semifinal e marca, também, mais uma das “concessões” que os times catarinenses precisam fazer neste ano atípico. A partida, que deveria acontecer em Tubarão, foi transferida para Carlos Barbosa devido ao aumento no número de casos de coronavírus no Estado e, a partir das 16h, a bola rola para que o time que investiu na mistura entre experiência e juventude possa começar, novamente, a reescrever um capítulo que pode ser ainda mais histórico.

A melhor campanha do Tubarão antes de 2020 foi no ano passado, com a 5ª colocação.

Experiência e juventude

Muitas vezes o discurso de mesclar experiência e juventude em times vai apenas até a página dois e, quando a competição começa a afunilar, os “garotos” são deixados de lado em detrimento aos jogadores mais “cascudos”. Em Tubarão essa pode ser exatamente a fórmula que trouxe o time até as semifinais. O discurso saiu da teoria para a prática e o resultado tem enchido os olhos da torcida, mesmo que de longe.

Garotos da base têm brilhado nas quadras e impulsionado o Tubarão para a ponta da tabela – Foto: Tubarão/DivulgaçãoGarotos da base têm brilhado nas quadras e impulsionado o Tubarão para a ponta da tabela – Foto: Tubarão/Divulgação

No elenco que disputa a Liga Nacional seis “joias” tubaronenses são utilizadas no grupo principal e o resultado é a história sendo escrita. Apesar de sempre usar muito a base nas competições, neste ano o projeto era, de fato, dar mais protagonismo aos garotos. “Nossa meta é sempre ter os meninos no time”, diz o presidente Eduardo Rigotti que fala, ainda, que a sensação é de dever cumprido.

O sucesso da temporada, fala o presidente, é fruto de um trabalho intenso de muitos anos que tenta melhorar a qualidade do time dentro e fora de quadra a cada ano que passa.  “A cada ano vamos melhorando o time, trazendo mais jogadores, mesclando jogadores experientes com os meninos da base. Então, isso é um trabalho a longo prazo, por isso que eu acredito muito nesse título e, para nós, ficar entre os quatro melhores do Brasil já é um sabor especial, agora é tentar as duas partidas para chegar na final”, fala.

O experiente fixo e capitão Júlio Cesar sabe que o adversário é duro, mas também sabe que o Tubarão merece uma vaga na final que pode, inclusive, ser catarinense. O JEC/Krona está na outra semifinal e aguarda o adversário que sai do confronto entre Carlos Barbosa e Corinthians. Se as duas equipes avançarem, Santa Catarina terá uma final após 13 anos. A última foi em 2007 entre a extinta Malwee e o Joinville.

O capitão fala que a tática para derrubar o Sorocaba é manter o ritmo e estilo de jogo que a equipe vem apresentando desde o início da competição e que deu ao Tubarão um lugar entre os quatro. “Sabemos que será um jogo especial porque será a primeira semifinal de Liga da equipe, mas nós temos jogadores experientes que já disputaram semifinais com outras equipes. Estamos tranquilos e preparados, a expectativa é tentar fazer um grande jogo e ser competitivo o tempo inteiro. Sabemos da qualidade do Sorocaba, uma equipe acostumada a chegar em finais, então precisamos errar o menos possível. Temos que vencer esse primeiro duelo para reverter a pequena vantagem que eles têm, ir para o jogo fora de casa e buscar essa tão sonhada classificação para a final que é merecimento do Tubarão”, diz.

O ala Pixote, que já esteve no Sorocaba, projeta uma possível final catarinense. Ele, que já jogou no JEC/Krona, quer agora uma final vestindo a camisa do Tubarão. “Uma final catarinense seria muito importante para o nosso Estado. Depois de tanto tempo, voltar a decidir uma Liga Nacional com duas equipes de Santa Catarina colocaria o estado novamente no auge”, avalia.

A partida de volta, na casa do Sorocaba, está marcada para o próximo domingo (6). O horário ainda será definido.

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