O melhor jogador do mundo por duas temporadas consecutivas, o artilheiro da Copa do Mundo, jogadores que figuram sempre na lista dos melhores do planeta, que empilham títulos nas maiores Ligas do mundo. O futsal brasileiro não chegou à final da Copa do Mundo neste ano, foi superado pela atual campeã. E, embora a derrota seja dolorida, ainda mais dolorida por ser a rival Argentina, há muito o que se comemorar quando os olhos se voltam para a modalidade e não apenas para o resultado do jogo desta quarta-feira (29).
Brasil caiu para a atual campeã, mas nas quadras do mundo, o talento brasileiro nunca deixou de ser destaque – Foto: Thais Magalhães/CBFImportante lembrar que a Argentina investe pesado no futsal. Só na competição nacional são três “divisões”. Apenas na região metropolitana da Grande Buenos Aires são 65, isso mesmo, 65 times. Além disso, o elenco que derrotou o Brasil joga junto há uma década. É uma base formada ainda no Sub-17 e que se conhece de olhos fechados. Mais um fator determinante: o tempo de preparação foi de três meses. Os jogadores brasileiros se encontraram em agosto. Ou seja, há bons motivos para a Argentina ser a atual campeã e colocar em quadra um futsal tão forte.
Dito isto, voltemos os olhos para o nosso futsal. Assim que o jogo terminou, alguns discursos de “estamos em reconstrução” surgiram. Mas, reconstrução? Quando foi que o nosso futsal se tornou “fraco” para usarmos esse termo? Não se tornou. E essa afirmação me soa, até mesmo, desrespeitosa com quem mantém o futsal brasileiro de pé há tantos anos.
SeguirNo Brasil, a modalidade forma talentos geracionais. Não à toa temos o melhor do mundo na atualidade. Não à toa, clubes da Espanha, Portugal, Itália e de todos os cantos do mundo desembarcam seus representantes aqui para levar as nossas joias.
Ferrão, Dyego, Gadeia, Pito… e a maioria dos que lá estavam saíram das nossas bases direto para clubes do porte do Barcelona, por exemplo. Os que não estão na seleção, ainda assim, brilham nas quadras brasileiras e estrangeiras. Daniel Shiraishi, que acabou de voltar após seis temporadas na Espanha, é um bom exemplo. Um entre tantos.
Catarinense, Ferrão é o melhor do mundo e foi “criado” na base do JEC Futsal – Foto: Thaís Magalhães/CBFO futsal brasileiro precisa de investimento, estrutura, a modalidade precisa ser trabalhada, profissionalizada? Para ontem. Quantos talentos “abandonam” a quadra porque não há estrutura em clubes menores? Centenas. Quantos largam o futsal para tentar a vida no futebol porque entendem que há um leque maior? Milhares.
O investimento precisa começar na base, nas escolinhas, nas categorias Sub-17 (aquela que começou a construir a Argentina). O JEC Futsal é um ótimo referencial quando o assunto é estrutura e formação. Digo isso para puxar a sardinha? Não. Digo isso porque o investimento rende frutos. O melhor do mundo? Natural de Chapecó, formado no JEC.
Hoje, no elenco do JEC Futsal, potência não só do futsal brasileiro, como mundial – e a volta de estrelas para vestir a camisa tricolor provam o que minhas palavras querem expressar – 11 dos 20 jogadores são crias da base.
O futsal brasileiro não está em reconstrução. Temos talentos humanos que encantam em todas as quadras por onde passam, que conquistam espaço, títulos, prêmios. O que precisa ser reconstruído e aí, infelizmente, ainda não demos os passos necessários, é a valorização do esporte, o investimento e a solidificação de projetos que possam formar e transformar atletas.
Precisamos parar de achar que ele se resume a Falcão e seus feitos. O camisa 12 foi único, histórico, deixou seu legado, mas o esporte é maior.
Nosso futsal é um dos melhores do mundo, só precisamos olhar para ele todos os dias e não a cada quatro anos.