A força do futsal catarinense é conhecida em todo o país. Com seis times na Liga Nacional, o estado carrega a tradição na modalidade, mas a situação na FCFs (Federação Catarinense de Futsal) está longe de ser a ideal. Eleito presidente, Nelson Carvalho Neto assumiu a entidade no dia 2 de janeiro e os desafios são imensos, com dívidas milionárias, falta de acesso à conta bancária da Federação, além de diversos problemas administrativos herdados de gestões passadas.
Nelson Carvalho Neto assumiu a presidência da FCFs para a gestão 2024/2027 – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDEle conta que após o registro da ata em cartório oficializando a gestão, eleita no dia 29 de dezembro com mandato até 2027, o segundo passo foi tentar se atualizar da situação financeira da entidade, que está afundada em dívidas. “Fomos ao banco, mas ainda não conseguimos ter acesso à conta bancária. Sabemos que tem um problema grave. Estamos tentando administrar esse problema bancário. Encontramos a Federação com um saldo de R$ 1,9 mil, mas com dois clubes pleiteando valores muito maiores que teriam sido adiantados, algo em torno de R$ 5 mil”, conta.
Além disso, a Federação tem uma dívida milionária que se arrasta há mais de uma década e que já está judicializada. Inicialmente, a dívida era de R$ 2,5 milhões e é oriunda da prestação de contas de um Grand Prix realizado pela entidade e que rejeitada pelo Tribunal de Contas do Estado. Com os valores corrigidos, a dívida já é de R$ 7,9 milhões.
Seguir“É uma dívida impagável. Se foi errado no passado, não cabe a nós julgar, mas estamos negociando com o juiz porque já está judicializado. Temos que negociar e pagar, não vejo outro caminho e, para isso vamos precisar muito do poder público e dos clubes. É um desafio difícil e árduo, mas cada passo que damos é gratificante”, ressalta o presidente.
Enquanto ainda trabalha para ter acesso às contas bancárias e todos os dados e documentos, a gestão atua em outra frente: a de fechar os patrocínios para o ano. “Temos interesse em continuar com a Krona e estamos nos detalhes finais. Acabamos de acertar com a Penalty e estamos trabalhando com o marketing para viabilizar e acertar as transmissões, como vai funcionar, porque também não tivemos acesso a isso”, fala.
De acordo com o presidente, as transmissões gratuitas para o público devem continuar, mas a intenção é melhorar o produto para torná-lo ainda mais acessível e atraente para o público. “Não podemos piorar o que foi feito. A nossa meta é que isso não caia, estamos negociando para que exista um crescimento, pessoas que ajudem a tornar o produto mais forte”, salienta.
Outro ponto trabalhado em paralelo, conta Neto, é a ligação com a CBFS (Confederação Brasileira de Futsal) que instituiu uma anuidade para os clubes como condição para liberação de registros, inscrições de atletas e campeonatos, transferências e outras demandas cotidianas dos times. “Temos tido muitas conversas com a CBFS. Pegamos a Federação sem informações de como a operação funcionava. Esse é o cenário, um cenário muito difícil que encontramos nestes 30 dias de mandato”, diz.
Competições, formatos e calendário
Com os times já em pré-temporada e outros iniciando os trabalhos, a Federação também tem o desafio de organizar as competições, fomentar e ampliar a modalidade em Santa Catarina.
Em 2023, JEC Futsal conquistou o oitavo título da Série Ouro do Campeonato Catarinense – Foto: Juliano Schmidt/JEC Futsal/Divulgação/NDO presidente reforça que um dos objetivos é intensificar o trabalho nas categorias de base e no futsal feminino. “Neste ano estamos tentando instituir os campeonatos de base e Série Prata no feminino, que não teve ano passado. Queremos tentar trazer o mundo feminino para dentro da federação e temos tido um retorno muito bacana, muitas equipes querendo participar. Também queremos que os clubes valorizem as suas categorias menores, que é quem vai trazer as famílias para dentro do ginásio”, ressalta.
As competições já tradicionais do calendário têm as datas dos arbitrais já definidas. Para a Série Ouro do Campeonato Catarinense, o congresso será no dia 17 de fevereiro, em Blumenau, já a Série Prata (antiga Primeira Divisão) terá o arbitral no dia 24 de fevereiro, em Lages.
Embora as definições fiquem para as datas dos congressos, o presidente adianta que a Série Ouro deve ter mais times nesta temporada. Em 2023, quando o JEC Futsal conquistou o título, eram nove equipes e, além delas, Criciúma, Concórdia e outro time de Camboriú já demonstraram interesse na participação. Já na Série Prata há 18 equipes pré-inscritas.
A disputa que geralmente abre o calendário em Santa Catarina é a Recopa, que coloca frente a frente os campeões do Estadual e da Copa Santa Catarina. Neste ano, JEC Futsal e Cunhã Porã disputam o título, no entanto, ainda não há uma data definida.
“Não vamos conseguir fazer nos moldes dos anos anteriores porque Cunha Porã está inaugurando o ginásio e o JEC Futsal tem uma agenda apertada. Queremos fazer o quanto antes, mas sempre respeitando o calendário das duas equipes”, garante o presidente. A tendência é que a disputa pelo título aconteça entre março e abril.
Outra mudança que deve acontecer é na fórmula de disputa da Copa Santa Catarina, que deve passar a ser toda em mata-mata, como a Copa do Brasil. Mas, a Federação ainda busca patrocinadores para a competição. “Queremos fortalecer em forma de mata-mata. O nosso sonho é que tivesse uma premiação, mas ainda não temos patrocinador e gostaríamos de ter uma premiação nos moldes da Copa do Brasil”, destaca.
Um dos principais pontos de discussão, o calendário deve ser discutido com os clubes. O presidente ressalta que as competições precisam se estender durante o ano, até dezembro, especialmente para as equipes que não tem calendário nacional o ano inteiro, mas reforça também que a entidade estuda uma maneira de não ter jogos em fases decisivas de competições como a Liga Nacional.
“Entendemos que os clubes precisam levar o ano até dezembro. Estamos em um quebra-cabeça e a nossa ideia é iniciar a temporada o quanto antes para não chocar com datas de finais lá em dezembro. Precisamos de datas mais pausadas e flexíveis em dezembro para liberar esse período para os clubes que estão em disputas nacionais”, garante.
O novo presidente da FCFs tem anos de gestão à frente e muitos desafios, mas já tem as principais metas traçadas. “É recuperar a credibilidade, fortalecer os clubes e, com isso, ter um produto ainda melhor para oferecer”, finaliza.