Culinária do frio: conheça pratos típicos da Serra que atraíram os turistas da neve em SC

Visitantes puderam testemunhar, além da neve, o espetáculo gastronômico dos restaurantes localizados na Serra catarinense

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi São Joaquim

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Nem todo mundo que tentou, conseguiu presenciar o espetáculo proporcionado pela neve em Santa Catarina esta semana. No entanto, outro show pode ser apreciado nas regiões mais frias do Estado: a culinária e os pratos típicos da Serra catarinense.

Culinária do frio: os pratos da Serra que atraíram os turistas da neve em SCRestaurante Pequeno Bosque, em São Joaquim, vai além do tradicional e cria novos pratos com ingredientes tipicamente serranos – Foto: Felipe Bottamedi/ND

Em São Joaquim, um dos cinco municípios a registrar neve entre segunda (28) e quarta-feira (30) tinha um “carro-chefe” anunciado nas placas dos restaurantes: a famosa paçoca de pinhão, preparada com a semente da araucária, árvore símbolo da Serra. A receita mistura diferentes cortes de carnes de gado e porco, além de embutidos como linguicinha, bacon, calabresa que, adicionados de aromáticos temperos, compõem um sabor denso e mais seco. Outro destaque da região ficou por conta da carne de cordeiro, outro prato típico. 

Peixe de água doce e águas frias, a truta também faz sucesso nos pratos dos restaurantes serranos. Geleias e sobremesas a base de frutas como o mirtilo, a physalis, a Gila e, é claro, a maçã, também atraem os que têm bom paladar. A região é uma das maiores áreas produtoras no país. 

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Mas com as temperaturas negativas, as padarias registraram maior movimento de turistas que queriam se aquecer com xícaras de café bem  quentes acompanhadas das famosas roscas de coalhada e bijajica, esta última se assemelha a tradicional rosca de polvilho doce. 

Famosos doces da padaria serrana: (1) Bolacha de nata com recheio de maça (2) Rosca de Coalhada (3) Bijajica – Foto: Felipe Bottamedi/NDFamosos doces da padaria serrana: (1) Bolacha de nata com recheio de maça (2) Rosca de Coalhada (3) Bijajica – Foto: Felipe Bottamedi/ND

Há várias padarias distribuídas entre as duas praças centrais de São Joaquim, são elas Cesário Amarante e João Ribeiro. A distribuidora Casa do Vinho é outro local importante, localizado a 300m das duas praças, sendo referência nos famosos vinhos finos de altitude de Santa Catarina.

As montanhas catarinenses, onde são produzidos, permitem que a uva seja colhida mais tardiamente, o que dispensa, por exemplo, a necessidade de acrescentar açúcar para aumentar o teor alcoólico da bebida. Quem explica é Vilson Borges, fundador do estabelecimento.

Segundo Borges, apenas na parte mais alta do Planalto Sul há cerca de 18 vinícolas. A produção é tão ampla e característica que requer um roteiro turístico a parte.

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    Paçoca de pinhão servida no estabelecimento Bourbon Café e Cultura - Felipe Bottamedi/ND
    Paçoca de pinhão servida no estabelecimento Bourbon Café e Cultura - Felipe Bottamedi/ND
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    A tradição dos vinhos de altitude da Serra catarinense - Felipe Bottamedi/ND
    A tradição dos vinhos de altitude da Serra catarinense - Felipe Bottamedi/ND
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    Paçoca de pinhão anunciada no Empório Quatro Estações - Felipe Bottamedi/ND
    Paçoca de pinhão anunciada no Empório Quatro Estações - Felipe Bottamedi/ND

Ingredientes serranos, novos pratos

Há ainda quem use os vegetais, peixes e carnes tradicionais para criar novas combinações. É uma opção para quem não gosta dos pratos mais densos e temperados típicos da Serra. Neste grupo está o restaurante Pequeno Bosque, no Centro de São Joaquim, focado na criação de pratos   mais leves.

Em uma das preparações, a truta é acompanhada de molho de pinhão e risoto de maçã com queijo gorgonzola. O sabor amargo e terroso, característico do peixe, é suavizado pela fruta. Em outra receita, a maça é servida em forma de carpaccio com iogurte, aceto balsâmico e rúcula.

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    Truta ao molho de pinhão, acompanhada de risoto de de maçã verde com queijo gorgonzola - Felipe Bottamedi/ND
    Truta ao molho de pinhão, acompanhada de risoto de de maçã verde com queijo gorgonzola - Felipe Bottamedi/ND
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    Carpaccio de maçã com iogurte natural, acompanhado de aceto balsâmico e rúcula - Felipe Bottamedi/ND
    Carpaccio de maçã com iogurte natural, acompanhado de aceto balsâmico e rúcula - Felipe Bottamedi/ND
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    Maçã Chatelayn com creme de doce de leite, abacaxi e canela - Felipe Bottamedi/ND
    Maçã Chatelayn com creme de doce de leite, abacaxi e canela - Felipe Bottamedi/ND

O bolinho de pinhão, outra igualaria serrana, é servido com geleia de pimenta. Entre as sobremesas queridinhas da casa está a maçã chatelayne, assada com canela e servida com um creme de doce de leite e abacaxi. “Nós aprimoramos a culinária serrana”, avalia Sílvia Lemos Tomazzini.

Ela é proprietária do restaurante, junto ao marido Luciano Tomazzini, que é também chef de cozinha do local. Lemos é natural de São Joaquim, ele nasceu em Gramado, em uma família ligada a gastronomia. Foi dessa fusão que nasceu o conceito do estabelecimento.

Segundo os proprietários, com a pandemia, o movimento cresceu. “Mesmo com as restrições de horário e afastamento das mesas, passamos a receber mais clientes”, conta. Somente nestes três dias de neve, o aumento foi de 20% comparado a movimentação normal. 

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