A manhã desta quinta-feira (7), feriado da Independência, é de recomeço para os moradores do Monte Cristo, em Florianópolis. Eles trabalham para limpar o terreno dos destroços – herança do rompimento de um reservatório da Casan no dia anterior.
Há 170 desalojados que tiveram o lar destruído em função da força da água. Há também 280 famílias atingidas procuraram até a manhã desta quinta auxílio da empresa seja com alimentação ou com hospedagem, de acordo com dados da Companhia.
Cenário no Monte Cristo na manhã do dia seguinte ao rompimento do reservatório – Foto: Valeska Loureiro/NDDiversos carros transitam pelas rua Luiz Carlos Prestes e imediações no esforço de retirar os entulhos. Os resquícios de móveis e construções impossibilitam ver a cor do asfalto na rua. É apenas perceptível terra e destroços.
SeguirA Casan empresa reúne informações referentes às perdas para produzir um orçamento prévio e definir as indenizações. A Companhia se comprometeu a pagar às vítimas um salário mínimo (a partir desta quinta-feira) e uma indenização prévia até o dia 11.
Giovanna Ribeiro Borges e o marido, o carpinteiro Felipe Ribeiro Borges, retiram os destroços de casa onde vivem com quatros filhos. A ajuda dos familiares tem sido fundamental. A família vive na parte de trás do reservatório, na rua Professora Marieta Barbosa Ribeiro, a mais atingida.
Segundo Natan Monteiro, diretor administrativo da Casan e responsável pelo acolhimento, o cadastramento das famílias foi realizado até a noite desta quarta-feira. Dos 170 desalojados, 83 escolher ir para acomodações da Casan. Os demais estão na casa de parente.
O que já se sabe
Quais foram as circunstâncias do acidente?
O rompimento ocorreu na segunda hora desta quarta-feira (2) na rua Luiz Carlos Prestes, no bairro Monte Cristo, região continental de Florianópolis. A estrutura comporta cerca de 8 milhões de litros de água.
No local há dois reservatórios: o primeiro, mais antigo, ficou intacto. A estrutura era que se rompeu era a mais recente e operava desde março de 2022 – estava em funcionamento há menos de dois anos.
O que já se sabe sobre a causa?
As circunstâncias do rompimento da caixa d’água ainda devem ser esclarecidas. Moradores da região haviam comunicado a empresa nos últimos meses dando conta de diversos remendos no concreto, além de rachaduras.
Em paralelo a isso, a Casan se comprometeu a vistoriar todos os demais 475 reservatórios de concreto – mesmo material utilizado para a construção da caixa d’água – devem passar por análise.
O engenheiro civil Rafael Elizeu Beltrão de Azevedo, em entrevista ao Grupo ND, deu algumas hipóteses para o incidente. Ele acredita que os problemas tenham se originado no projeto ou mesmo na construção do reservatório.
Quantas pessoas foram atingidas?
Até a noite desta quarta-feira (6), foram contabilizadas 170 desalojados. Há 280 famílias que procuraram atendimento, de acordo com dados da própria Casan. Não há vítimas fatais.
As vítimas serão ressarcidas?
A Casan se comprometeu a pagar às vítimas um salário mínimo e uma indenização prévia aos moradores do bairro Monte Cristo que tiveram casa e bens materiais destruídos pelo rompimento, afirmou o presidente da empresa, Edson Moritz, em entrevista à NDTV.
Os salários devem começar a ser pagos nesta quinta-feira (7). A indenização deve entrar na conta até á próxima segunda-feira (11).
A Companhia também montou um ponto de atendimento no local com duas tendas e está fornecendo roupas, sapatos, produtos de higiene e aproximadamente 250 refeições na Paróquia do Sapé.
A estrutura já tinha sido vistoriada?
O ND+ procurou também a Aresc (Agência Reguladora de Serviços Públicos de Santa Catarina), órgão estadual responsável por vistoriar estruturas do tipo, para verificar se o órgão já fez análises na estrutura. No entanto, a reportagem não obteve retorno até o fechamento.
Nos relatórios disponíveis no site da Aresc desde 2022, quando a estrutura foi inaugurada, não há análise referente ao reservatório do Monte Cristo.
O que será feito agora?
O TCE/SC (Tribunal de Contas de Santa Catarina ) começou a coleta de informações e imagens para avaliar as razões e as consequências. A Câmara de Vereadores de Florianópolis vai pedir esclarecimentos à Casan.
A Comissão de Economia da Assembleia Legislativa aprovou, nesta quarta-feira (6), requerimento do vice-presidente do colegiado, deputado Matheus Cadorin (Novo), para convidar o diretor-presidente da Casan, Édson Moritz, para prestar esclarecimentos sobre o rompimento de um reservatório da estatal em Florianópolis, durante a madrugada da quarta-feira.
*Com informações da repórter do Jornal ND, Valeska Loureiro