Daniela dos Santos, de 26 anos, mora no Monte Cristo e a casa de sua mãe, de 55, foi completamente destruída após uma caixa d’água da Casan estourar no bairro na madrugada desta quarta-feira (6). A força da água foi tanta no local, que derrubou o muro da casa e deixou a moradora presa dentro de casa.
A moradora não está sozinha quanto à destruição. Até o momento, 150 pessoas foram cadastradas pela equipe da Casan como atingidas pela tragédia. Segundo a prefeitura municipal de Florianópolis, há alimentos para 250 pessoas em um abrigo provisório que fica no bairro ao lado, a Sapé.
Moradora mostra marcas d’água em sua casa – Foto: Ana Schoeller/ND“Eu gritava pela minha mãe e ela não respondia. A força da água fez vários móveis serem arrastados para a porta e então ela estava trancada. Achei que ela ia morrer, a água quase matou a minha mãe”, relata a moradora enquanto chora olhando para um colchão completamente destruído.
SeguirNa casa, o cheiro forte de lama se misturava com um cenário digno de guerra. Os móveis estavam todos levantados, mas a grande maioria foi perdido. Por trás do lamaçal, Daniela olhava o local e chorava, chorava muito.
Segundo ela, o problema não foram as perdas materiais, mas o trauma de gritar e não ouvir a resposta da mãe.
A força da água entrou na cozinha, na sala, no quarto e no banheiro. Daniela mora no andar de cima e é lá que a mãe está acolhida. A mulher estava tão traumatizada que preferiu não descer para conversar. Segundo a filha, tudo o que aconteceu era e é um grande pesadelo.
Na frente da casa, moradores se amontoavam buscando respostas e ouvindo os sons dos carros, caminhões onde equipes da Casan e da Prefeitura de Florianópolis que limpavam o local.
Equipes trabalhavam em frente à casa – Foto: Ana Schoeller/NDSegundo os moradores, a ajuda só chegou às 8h, apesar da caixa d’água ter sido rompida próximo às 2h da manhã.
A água tomou conta
“Eu desci e vi a lama em toda a minha casa e a gente sozinhos começou a limpar as coisas. Acordei 4h e comecei a limpeza. O quarto do meu filho destruiu inteiro. Foi uma coisa de louco, as pessoas gritando, as paredes quebrando”, diz Fabíola Andreza da Rosa, de 43 anos, que mora há 26 na comunidade.
Moradora mostra sua casa e locais atingidos pela água – Foto: Ana Schoeller/NDO que diz a Casan
O presidente da companhia, Edson Moritz, diz que a Casan irá apurar o que aconteceu e que se houve erro, dentro e fora da Companhia, haverá providências severas.
O diretor diz que até o momento não é possível quantificar os prejuízos causados pelo rompimento da caixa d’água, mas que perícias são feitas tanto por engenheiros da Casan quanto por uma empresa terceirizada de fora. Assim, segundo ele, é possível dar mais imparcialidade para a fiscalização.