“A área dava indícios. Se você verificar fotos aéreas, vê que já tem cicatrizes de movimento gravitacional de massa”, diz o geólogo e professor Abdel Hach sobre riscos de deslizamento na BR-376. Para o especialista, obras realizadas ao entorno do local já demonstravam o risco alto de acidentes.
“Se você ver, tem uma cicatriz de concreto [ao lado do trecho desmoronado]. Para frente onde tem caminhões, carros parados, tem um muro com tirantes. Então, [o local] já é conhecido como área de risco. Por que não foi feito concreto em cima da área onde sabíamos que ia acontecer uma corrida de lama, por exemplo?”, questiona o geólogo.
Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), o trecho já havia apresentado deslizamento em 2011, último grande registro de acidente natural no local. O especialista defende que a ocorrência também era um indicativo de risco.
Abdel argumenta que a solução preventiva que poderia ter sido adotada era o mapeamento geológico da área. O estudo aponta o histórico natural de local e quais são os riscos naturais.
Após a tragédia, o especialista orienta que o estudo seja o primeiro passo dos responsáveis para que se evite novos deslizamentos em grandes proporções. “Haveria necessidade de ter mapeamento de riscos geológicos”, afirma.
O geólogo comenta que a engenharia possui diversos mecanismos para contenção de riscos e que a saída deverá ser indicada por este mapeamento.
Além disso, o especialista defende que, em qualquer zona com ação humana, há riscos de movimentação da natureza, que busca o reequilíbrio natural da área. Por isso, a importância da avaliação de riscos e serviços preventivos.
“É para evitar riscos, acidentes tamanho o qual aconteceu é irreversível, já que tivemos vítimas fatais. Você não consegue recuperar. Temos danos reversíveis e danos irreversíveis“, comenta Abdel.
A Arteris Litoral Sul foi procurada pela reportagem do Portal ND+ para falar sobre sinais de risco, obras e serviços de contenção, mas não retornou o contato até a publicação desta matéria.
Veja imagens do local
Deslizamento na BR-376 mobiliza bombeiros e policiais – Foto: Ricardo Alves/NDTV
