A Arteris Litoral Sul não conseguiu cravar uma data para a entrega do Contorno Viário da Grande Florianópolis.
Prometeu à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) um “prazo máximo” de julho de 2024 mas a efetiva conclusão, com absolutamente tudo pronto, ainda depende da evolução dos trabalhos daqui em diante.
São quatro prazos descumpridos para a entrega de uma obra que é vital para a continuidade do desenvolvimento econômico e social de todo o Estado. A agência que regula o andamento alertou, desde agora, a necessidade de um acompanhamento semanal dos trabalhos sob pena de comprometer, pela 5ª vez, a conclusão.
SeguirNem a própria agência confia mais na empresa que, como a coluna publicou nesta quinta-feira, já foi multada em mais de R$ 500 milhões. O próprio diretor-geral do órgão federal, em entrevista coletiva concedida na tarde desta sexta-feira (20), admitiu que ainda precisa de garantias da Arteris para cravar uma data exata.
Mesmo diante de toda essa dívida com a comunidade local, proibiu a presença da imprensa junto à comitiva que vistoriou todo o percurso que vai de Palhoça, na Guarda do Cubatão, até Biguaçu, altura do quilômetro 177, próximo ao aterro sanitário.
Uma atitude grotesca e antipática frente a uma população cansada de esperar.
Contorno Viário
Reverenciado como a principal obra de infraestrutura rodoviária do Brasil atualmente, o Contorno Viário da Grande Florianópolis contrasta um projeto audacioso de melhoria de mobilidade, com uma realidade que escala o prejuízo em diferentes degraus, virando mais um case nacional de descaso e atraso.
O Contorno Viário consiste em um corredor expresso, com velocidade de até 100 km/h, que atravessa quatro municípios. A pista visa desafogar, sobretudo, o tráfego mais pesado da insolúvel BR-101.
Orçada inicialmente em R$ 400 milhões, a obra da região vai custar, pelo menos, R$ 3,9 bilhões até a entrega — uma alta de aproximadamente 875%.