As 3 principais vantagens da chegada, em julho, do Gás Natural Líquido a SC

Previsão é de que o gás natural líquido (GNL) chegue a SC em meados deste ano por meio do terminal que está sendo construído em São Francisco do Sul

Raquel Schiavini Schwarz Joinville

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Já há uma previsão de data para a chegada do Gás Natural Líquido (GNL) a Santa Catarina. Segundo o investidor privado NFE (New Fortress Energy (NFE), o GNL chega em julho ao Estado, um avanço em solução energética eficiente.

terminal de g´sTerminal de Regaseificação que está sendo construído em São Francisco do Sul – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

O terminal de GNL está sendo construído no Porto de São Francisco do Sul, no Litoral Norte catarinense. Esse terminal nada mais é do que um meganavio  ancorado que recebe o produto de outro navio que vem importando esse gás de várias localidades do mundo, como Estados Unidos, Holanda, Argélia, Malásia, entre outros. Onde tiver gás mais competitivo será importado, não dependendo apenas de única fonte de abastecimento.

Esse navio trará o gás no estado líquido. Quando chega ao Porto de São Francisco do Sul é transportado para outro navio (gasoduto marítimo), onde o gás é transformado para o estado gasoso num processo chamado de regaseificação. Depois injetado na rede (gasoduto terrestre), que irá se conectar com o gasoduto Bolívia-Brasil.

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O navio que traz gás importado chega e transporta o produto para outro navio. –  Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDO navio que traz gás importado chega e transporta o produto para outro navio. –  Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND
Transposição do gás entre os navios. O gás será transformado em estado gasoso antes de ir para a rede. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação NDTransposição do gás entre os navios. O gás será transformado em estado gasoso antes de ir para a rede. – Foto: Reprodução vídeo/Divulgação ND

De acordo com Leonardo Mosimann Estrella, gerente de marketing da SC GÁS, companhia distribuidora de gás natural em SC, três são as principais vantagens de ter um terminal de GNL em SC. Hoje, todo o gás usado no Estado é importado da Bolívia. Veja abaixo os benefícios:

  • 1 – Hoje, o gás da Bolívia entra no Brasil pelo Mato Grosso, estado que recebe e fica com todos os impostos dessa transação. Com o terminal em SC, esses impostos vão ficar no Estado.
  • 2 –Haverá no Estado um novo modal de atendimento. Esse terminal instalado em São Francisco do Sul vai permitir que se possa expandir o volume de gás ofertado ao mercado catarinense e também permitir que esse gás possa ir mais longe porque o custo da operação logística é menor do que o modelo operado hoje, o gasoduto Bolívia-Brasil.
  • 3 –SC terá um novo supridor de gás natural, aumentando, assim, a competitividade (pode ter ofertantes do mundo todo) o que pode reduzir os custos para o consumidor final.

Só para se ter uma ideia: o Japão todo é abastecido por GNL. Aliás, o Japão e a China são os principais importadores de gás natural do mundo.

“A partir de agora passaremos a usufruir dessa tecnologia aqui em Santa Catarina. Isto é um grande avanço”, frisa Leonardo Estrella.

Inspiração

Em 2016, uma missão foi até Portugal conhecer a lógica da transmissão do GNL. A comitiva que teve integrantes da SC Gás observou que naquele país o gás fica estocado em estado líquido não necessitando de interconexões entre todas as redes. À medida em que o mercado demanda, daí, sim, o gás passa pela transformação do estado líquido para o gasoso. No entanto, há unidades autônomas que conseguem levar o gás líquido até o consumidor final em caminhões com 800 km de autonomia.

Esse modelo inspirou a SC Gás a implantar uma rede em Lages e outras serão construídas no Planalto Norte catarinense.

Claro que ainda há um processo de evolução tecnológica a partir de agora para poder operacionalizar estoque e distribuição de gás natural líquido.

Importante, segundo a SC Gás, é que o GNL será importante para SC, inclusive como segurança energética. Outra prova disso é que o gás natural será o energético utilizado na nova usina termelétrica de Gaspar, no Vale do Itajaí, que poderá abastecer até 100 mil casas com energia elétrica.