Audiência pública irá discutir situação das barragens do Alto Vale do Itajaí; saiba quando

Encontro em Rio do Sul irá tratar sobre contenção das cheias em período climático influenciado pelo El Niño

Foto de Bruna Ziekuhr e Lucas Adriano

Bruna Ziekuhr e Lucas Adriano Blumenau

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Acontece na próxima quinta-feira (22) uma audiência pública em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, para debater a situação das barragens de Ituporanga, Taió e José Boiteux. A possibilidade de investimentos que viabilizem a construção de novas estruturas de menor porte em Petrolândia, Taió e Braço do Trombudo também será debatida.

Barragem Norte, em Taió, é uma das estruturas que garante prevenção às cheias no Alto Vale do Itajaí – Foto: Arquivo/Defesa Civil Taió/Divulgação/NDBarragem Norte, em Taió, é uma das estruturas que garante prevenção às cheias no Alto Vale do Itajaí – Foto: Arquivo/Defesa Civil Taió/Divulgação/ND

A audiência pública é promovida pela Alesc (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina) e acontece no Centro de Inovação Norberto Frahm, a partir das 18h30 no dia 22 de junho. Abordada na Comissão de Turismo e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa, a realização do evento foi aprovada pela comissão e foi uma proposta de autoria do deputado estadual Gerri Consoli (PSD).

Segundo o parlamentar, a previsão que o fenômeno climático do El Niño tenha grande impacto no tempo em 2023 e 2024 gerou dúvidas também de outros parlamentares com relação à segurança das barragens instaladas no Alto Vale do Itajaí. A reunião irá debater os seguintes temas:

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  • Manutenção das barragens;
  • Desassoreamento e a limpeza de rios;
  • Construção de três novas micro barragens que irão auxiliar no reservatório de água nos períodos de fortes chuvas.

O deputado que solicita a realização da audiência pública é empresário na cidade de Rio do Sul e está na segunda suplência do PSD (Partido Social Democrático), ocupando atualmente uma cadeira no parlamento. Ao ND+, ele falou sobre a importância da reunião para o Alto Vale do Itajaí.

“O que mais preocupa a toda a população das cidades impactadas pelas cheias, é o fato de que a licitação para manutenção das barragens, ela se deu por deserta e não houve nova licitação. Então, a manutenção das barragens não está 100% concluída e isso nos causa extrema preocupação”, afirma o empresário ao ND+.

Gerri Consoli é empresário em Rio do Sul e ocupa cadeira no legislativo estadual catarinense – Foto: Arquivo Pessoal/Redes Sociais/Divulgação/NDGerri Consoli é empresário em Rio do Sul e ocupa cadeira no legislativo estadual catarinense – Foto: Arquivo Pessoal/Redes Sociais/Divulgação/ND

Consoli lembra que fortes chuvas alagaram as cidades da região em 2022 e o tema da situação das barragens voltou à tona. A condição de chuvas mais intensas em virtude do avanço do ‘El Niño’ para este ano e também para 2024 acende o alerta para providências a serem tomadas a curto, médio e longo prazo.

“No ano passado, num período de incidência forte de chuvas, houve alagamento nas cidades e, para que fossem fechadas as comportas das barragens, houve a necessidade de interferência política para isso, mas foi muito tarde”, relembra.

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    Em 2022, chuvas causaram alagamentos em Rio do Sul - NDTV/ND
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    Em 2022, chuvas causaram alagamentos em Rio do Sul - Arquivo Pessoal/Orlando Pereira/ND
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    Em 2022, chuvas causaram alagamentos em Rio do Sul - NDTV/ND
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    Em 2022, chuvas causaram alagamentos em Rio do Sul - Reprodução/ND
    Em 2022, chuvas causaram alagamentos em Rio do Sul - Reprodução/ND

Construção de novas barragens está em pauta

O tema das barragens de menor porte que podem ser construídas ao longo do rio Itajaí-Açu e seus afluentes para conter as cheias de forma mais eficaz também será destacado. A possibilidade de construção de micro barragens nas cidades de Braço do Trombudo, Taió e Petrolândia entrará na pauta.

Projetos da Agência de Cooperação Japonesa Jica (Japan International Cooperation Agency) já são debatidos na região há muitos anos e, em 2015, um plano de prevenção às cheias derivado de estudos anteriores sugeriu a construção de mais sete barragens em todo o Alto Vale. A proposta seria parte de um conjunto de ações de mitigação de catástrofes naturais.

“Desde 1983 que começaram os estudos do projeto Jica (Japan International Cooperation Agency), então hoje o que nós clamamos é para que haja a manutenção das barragens, compreendendo Ituporanga, Taió e José Boiteux. Vale salientar que a elevação das barragens de Ituporanga e de Taió foram efetuadas, mas existem ainda a construção de sete outras micro barragens”, enfatiza o deputado.

Muito além de viabilizar a construção de novas estruturas, o parlamentar afirma que ações de conscientização aos moradores devem ser implementadas. A manutenção constante e a certeza de operação funcional das estruturas quando houver situações de risco são outros pontos defendidos.

“Existe a necessidade da limpeza e desassoreamento de rios, a remoção dos maciços, a construção do canal extravasor de Salto Pilão (em Apiúna), a limpeza e a contenção das margens dos rios. (…) Nós iremos agregar mais ações no sentido de conscientização de todos os cidadãos, como o produtor agrícola, para que haja desde o preparo do sulco da terra para plantação que seja no sentido adequado para que não não cause uma vazão rápida da água para os rios, desde a conscientização na hora do corte da vegetação para que a sobra de galhos, raízes e troncos não seja então dispensado, sendo jogado para dentro dos rios ou deixados nas áreas que podem receber a água do rio quando ele enche, e isso ser arrastado e consequentemente parar nas barragens”, defende.

As cinco comportas da barragem de Ituporanga foram fechadas – Foto: Arquivo/Helena Marquardt/Prefeitura de Ituporanga/Divulgação/NDAs cinco comportas da barragem de Ituporanga foram fechadas – Foto: Arquivo/Helena Marquardt/Prefeitura de Ituporanga/Divulgação/ND

Influência do El Niño

No início deste mês, a Defesa Civil de Santa Catarina emitiu alertas sobre o aquecimento das águas do oceano Pacífico Equatorial, como sendo um sinal para a chegada do fenômeno El Niño.

Com isso, Santa Catarina pode contar com chuva acima da média em julho e agosto deste ano. Segundo a climatologia, a chuva média nesses meses é a menor do ano especialmente nas áreas litorâneas, Vale do Itajaí e Norte do Estado.

“Principalmente na segunda quinzena (de julho), quando as chuvas devem ser mais volumosas no Oeste e na Serra. No litoral é provável que os meses de agosto, setembro e outubro tenham chuva acima da média com índices pluviométricos além da normalidade”, disse o meteorologista Piter Scheuer, em entrevista ao ND+ no início desta semana.

NOAA confirma o início do El Niño, que deve resultar em chuvas em Santa Catarina – Foto: NOAA/Reprodução/NDNOAA confirma o início do El Niño, que deve resultar em chuvas em Santa Catarina – Foto: NOAA/Reprodução/ND

Em virtude desta situação, o deputado Gerri Consoli acredita que o Alto Vale poderá ser novamente impactado caso as medidas necessárias não sejam tomadas.

“Ele não é novidade, é um fenômeno que acontece reiteradas vezes na nossa vida e ele traz a preocupação porque está demonstrando que os seus efeitos trarão uma incidência muito forte de chuvas nas regiões que são impactadas pelas cheias. Essa possibilidade do El Niño acontecer de maneira muito forte isso nos traz a clareza de que nós seremos vitimados pelo excesso de água e mais vitimados se nós não tivermos ações verdadeiras e efetivas para que estejamos preparados e minimizar os impactos dessa chuva toda que o El Niño trazer para as regiões”, finaliza.