Avanço do coronavírus expõe perigo a pessoas em situação de rua em Santa Catarina

Sem teto, pouca higiene e dormindo no chão, pessoas em situação de rua estão correndo risco de serem atingidas pelo Covid-19

Caroline Borges Florianópolis

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A determinação é clara e simples: evitar sair de casa para não se expor ao novo coronavírus. A orientação sobre isolamento social definida pelo governo na terça-feira (17) expôs as dificuldades pelas quais os mais vulneráveis passam no Estado.

Sem teto fixo, com pouca ou nenhuma higiene e dormindo em bancos ou sob papelões no chão, pessoas em situação de rua estão correndo risco de serem atingidas pelo Covid-19.

Conforme a Secretaria de Estado de Assistência Social, cada município deve adotar medidas de saúde para a população. Porém, com o fechamento dos centros de assistência ao redor do Estado, a atenção e cuidados com a população que não tem casa é um desafio.  

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Pessoa em situação de rua no Centro Leste de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/NDPessoa em situação de rua no Centro Leste de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

Para tentar minimizar os riscos, o governo montou grupos de trabalho que acompanham as necessidades dos municípios em tempo real. De acordo com o secretário de Estado da Saúde, Helton Zeferino, a recomendação é que as prefeituras se organizem para que as “pessoas não fiquem desassistidas”. 

Durante coletiva de imprensa nesta terça, o chefe da pasta afirmou que muitos dos moradores em situação de rua possuem problemas de saúde, estão no grupo de risco e são mais suscetíveis à doença.

“Temos pessoas com a imunidade muito baixa e que são acometidas de patologia ou doenças crônicas e pessoas idosas”, disse. 

Na manhã desta quinta-feira (19), o Estado confirmou 20 casos do novo vírus. Destes, pelo menos uma pessoa teve transmissão comunitária –  quando não é identificado a origem da contaminação. 

Centro de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/NDCentro de Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/ND

A Pesquisa Nacional sobre a População em Situação de Rua, publicada em 2017, mostrou que 47% das pessoas que não tinham moradia estava acima de 45 anos. Pelo menos 36% afirmou ter problemas com álcool ou drogas. Não há dados atuais sobre a moradores em situação de rua no Estado.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), a partir dos 50 anos, a probabilidade de morte pelo coronavírus sobe de 2% para 4%. Acima de 60, o índice dobra.

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Pensando nesta população, a Prefeitura de de Florianópolis decidiu modificar o atendimento durante o período de distanciamento social determinado pelo governo estadual.

Desde quarta-feira (18), a Assistência Social da Capital disponibilizou um espaço extra na Passarela da Cidadania para receber as pessoas que estavam sendo atendidas no abrigo do bairro Jardim Atlântico, com alimentação e vagas para pernoite. Ao todo, são 160 espaços disponíveis. 

Passarela da Cidadania – Foto: Eduardo Cristofoli/NDPassarela da Cidadania – Foto: Eduardo Cristofoli/ND

Além disso, pessoas em situação de rua vão poder permanecer no ginásio do IEE (Instituto Estadual de Educação) durante o dia. No local, há espaço para alimentação e higienização. As aulas no local estão suspensas.  

“Em parceria com a Comcap, com a Guarda Municipal, o serviço foi todo readequado. A secretaria de Educação disponibilizou todos os materiais perecíveis que já tinham sido recebidos nas unidades educativas e estamos fazendo o deslocamento deste material para a passarela”, disse a Secretária de Assistência Social de Florianópolis, Maria Cláudia Goulart da Silva.

Em todos os ambientes, houve higienização antes da chegada da população. Durante o período de quarenta, todos os colchões serão limpos regularmente, assim como os talheres usados nas refeições. Além disso, os usuários do serviço estão recebendo uma orientação reforçada ressaltando a importância do álcool gel, e da água e sabão para lavar as mãos regularmente.

São José e Joinville fecham serviço

Em São José, na Grande Florianópolis, e em Joinville, no Norte, com a restrição de circulação as prefeituras fecharam os Centros Pop como medida de saúde. 

Cati São José –  Foto: PMSJ/Divulgação/NDCati São José –  Foto: PMSJ/Divulgação/ND

Por meio de nota, o executivo municipal de São José informou que foi feito um trabalho de orientação para que as pessoas nessa situação, “havendo sintomas, se dirijam ao Cati (Centro de Atendimento ao Idoso), para o atendimento e encaminhamento necessário”. 

Em Joinville, somente a casa de passagem, com vaga para 15 pessoas funciona. Quatorze pessoas estão no local. 

Com o decreto do governo de Santa Catarina, serviços como Cras (Centro de Referência de Assistência Social), Creas (Centro de Referência Especializado de Assistência Social), Centro Pop, e Cremv (Centro de Referência de Atendimento à Mulher em Situação de Violência) estão suspensos e seguirão fechados para limitar a circulação e aglomeração de pessoas.

Recomendações

  • Lavar as mãos frequentemente com água e sabão e passar álcool em gel;
  • Manter distância e evitar tocar em pessoas doentes;
  • Evitar lugares aglomerados e/ou fechados;
  • Quando tossir ou espirrar, cobrir a boca e o nariz;
  • Utilizar lenço descartável para higiene nasal
  • Não compartilhar objetos de uso pessoal;
  • Evitar deslocamentos enquanto a pessoa estiver doente.

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