Pescadores e moradores da Barra da Lagoa, em Florianópolis, estão preocupados com a situação do canal. Com o acúmulo de sedimentos e areia, a água está baixando e barcos ficam encalhados, prejudicando toda a cadeia produtiva da região. Agora, eles aguardam pelas obras de desassoreamento.
Ponte do Canal da Barra da Lagoa, em Florianópolis – Foto: Jackson Botelho/NDTVAs memórias do pescador Zito Eugênio Pereira são de uma Barra da Lagoa completamente diferente para a pesca. “Antes, você ia com uma tarrafa lá no meio da lagoa com cinco braços, você botava a tarrafa, sobrava meio braço. Hoje, você vai com uma tarrafa de três braços e sobra metade. Tá toda assoreada essa lagoa. É uma tristeza. Se não tiver um socorro, vai morrer”, contou.
Aos 74 anos, Pereira já não vai mais para o mar. Passou a profissão para o filho, mas continua lutando pelo trabalho que garante o sustento de tantas famílias. Porém, tem sido difícil. Principalmente, por causa dos prejuízos trazidos pelo assoreamento. Para ele, foram R$ 7 mil ao encalhar o barco.
Se é possível fazer a travessia a pé em alguns pontos, passar com embarcações de qualquer tamanho se torna impossível. Segundo moradores, alguns trechos do canal tinham até 10 metros de profundidade. Hoje, chega a 0,5 metro.
De acordo com o presidente da Associação de Moradores da Barra da Lagoa, Gilson Bittencourt, “a maré tem a força de arrastar a terra para dentro do canal, mas ela não tem a mesma força para retirar”.
Pelo canal passam cerca de 150 embarcações, que movimentam a economia pesqueira da região, e estão instaladas 10 marinas. A de Carlos Tadeu Ventri gera seis empregos diretos e outros cinco indiretos, mas a areia virou inimiga e afasta os donos de lanchas que preferem deixar o veículo em outro lugar.
“Não é só os barcos também, tem muitos acidentes. Tem acidentes noturnos por falta de balizamento, tem acidentes que entra aqui na parte rasa, a pessoa bate e quebra dente, se machuca. Até acontecer algo pior, a coisa tá indo. Quando acontecer, aí sim vão querer fazer alguma coisa aí na lagoa ”, explicou Ventri.
“Durante o dia já é difícil de passar por esse canal, à noite é mais difícil ainda. No último sábado, tivemos um pescador aqui da Lagoa da Conceição que teve um prejuízo de mais de R$ 5 mil. Ficou encalhado aqui final de tarde e acabou passando a noite toda ali para tirar o barco e não conseguiu”, afirmou o presidente da Associação de Pescadores Retiro da Lagoa, Lourival Manoel Teixeira.
Toda uma cadeia é prejudicada pelo acúmulo excessivo de areia. A vida marinha, os donos de restaurantes que aguardam os turistas chegando pelas escunas. Por isso, entidades, moradores e pescadores estão se unindo para reivindicar melhorias e alterar o cenário.
Um estudo técnico comprovou a necessidade de desassorear o canal da Barra. A Acif (Associação Comercial e Industrial de Florianópolis) contratou a empresa e doou o resultado para a prefeitura. No fim do ano passado, foi publicado no Diário Oficial do Estado o edital para contratar a empresa que faria a dragagem do canal. De lá para cá, nada foi feito.
Por meio de nota, a prefeitura informou que está trabalhando para viabilizar as obras de desassoreamento da entrada da lagoa. Nesse momento, a equipe técnica especializada da Floram (Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis) está analisando o processo de licenciamento ambiental. Depois, será lançada a licitação da obra.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.