Buracos e falta de iluminação no trecho de cerca de 5 km da ciclovia anexa a Via Expressa Sul, em Florianópolis, são motivo de reclamações dos ciclistas. A Amobici (Associação Mobilidade por Bicicleta e Modos Sustentáveis) está coletando assinaturas para pedir a melhoria do trecho.
Ciclistas pedem melhorias na ciclovia anexa à Via Expressa Sul em Florianópolis – Foto: Anderson Coelho/Arquivo/NDSegundo o jornalista Fábio Almeida, os ciclistas querem “que a secretaria de Estado e a Prefeitura façam a manutenção da ciclovia. Ela tá em estado de abandono e, apesar de ser uma ciclovia ótima para caminhar, ela não tá recebendo a atenção que merece”.
Quem deixa sua contribuição a caneta no papel, deixa também suas queixas sobre o estado da faixa para ciclistas. “Falta bastante alinhamento, bastante buraco, tem alguns elevados que eu tenho que reduzir a velocidade da bicicleta para poder passar, senão tropica muito”, disse o gerente de projetos Leonardo Tramontina.
O autônomo Jaime Nunes Filho também pedala todos os dias da Costeira até o Centro onde trabalha. São cerca de 50 minutos entre a ida e a volta e nesse percurso dá pra perceber os problemas.
“Tá horrível. Quando chove não dá para passar, é piscina. A gente tem que sair e passar por cima do passeio do pedestre. A bicicleta molha toda, molha toda a tua roupa. E também tá sem iluminação em alguns pontos”.
Além disso, uma adutora já rompeu no local e os buracos são recorrentes. Além dos buracos, existe outro grande problema: a iluminação. Um levantamento feito pela Amobici apontou que, do primeiro bolsão até o túnel, existem 56 postes de iluminação e 34 deles não estão funcionando.
De acordo com a diretora administrativa da Amobici, Ana Destri, “a cidade não é pensada para as mulheres. Então, a gente precisa de lugares mais seguros para a gente pedalar, com mais iluminação, lugares mais abertos e nós precisamos muito desses espaços para que empodere as outras mulheres a pedalar. E a segurança como um todo, segurança da via, se o piso é adequado para a gente. Não só para as mulheres, mas para todo mundo”.
Uma nova ciclovia de concreto está sendo feita pelo Município do outro lado da rodovia. São mais de 5 km de trecho. “Com a autorização do governo do Estado, a Prefeitura assumiu o recapeamento das pistas e aproveitou também, já que estávamos trabalhando, para criar uma qualificação no entorno dessas pistas com passeio e com ciclovia. Aqui serão em torno de 5,5 km que somarão ao contexto todo do aterro”, explicou o secretário de Mobilidade Urbana de Florianópolis, Michel Mittmann.
No entanto, os ciclistas preferem a ciclovia que já existe, por ser mais longe dos veículos. Para Almeida, os ciclistas enfrentam “o problema de falta de segurança. Se tiver um acidente ou alguma coisa assim, o carro pode atingir o ciclista e o pedestre. Não tem guard rail. Além disso, essa daqui é uma ciclovia que não tem cruzamentos e a nova vai ter seis cruzamentos com ruas. Outra questão é o próprio pavimento, que aqui é asfalto e lá é concreto, ondulado e mais sujeito a buracos”.
Sobre a ciclovia já existente, a secretaria de Mobilidade Urbana afirma estar fazendo reparos no local, mesmo não sendo competência do Município.
“Naturalmente, tem que ser dado manutenção e a gente vai encaminhar isso para que o governo do Estado também nos auxilie na manutenção daquela área. Se eles preferem andar lá ou aqui, eu acho que o tempo vai dizer, porque a Prefeitura tem criado um esforço para tentar ajudar o governo do Estado nessa manutenção dentro dos limites do que a Prefeitura consegue fazer”, disse Mittmann.
A equipe do Balanço Geral Florianópolis entrou em contato com o secretário de Infraestrutura da Capital, Valter Gallina, que afirmou que a responsabilidade da ciclovia anexa à via expressa é do governo estadual. Ele disse também que a Prefeitura recebeu autorização em maio para revitalizar apenas as pistas da Via Expressa e trabalhar nas faixas de domínio.
Já a SIE (Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade) esclareceu por nota que a ciclovia está em área do Município, por estar fora da faixa de domínio da rodovia. E confirma que a Via Expressa Sul está provisoriamente sob responsabilidade do Município para serviços de recapeamento.
Saiba mais na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.