REPORTAGEM: Caroline Borges
EDIÇÃO: Beatriz Carrasco
O caminho que hoje é a BR-282 teve sua história iniciada na Serra, ainda no século 18. Na época, o território que hoje abriga a cidade de Lages – então “Vila de Nossa Senhora dos Prazeres das Lagens” – já era forte na criação de gado.
No entanto, não havia ligação alguma com as Vilas de Nossa Senhora do Desterro, no Litoral, e, a agricultura predominante nas vilas açorianas precisava se aproximar da pecuária presente nas cidades do interior do Estado.
Em 1776, na tentativa de desbravar as terras afastadas do Litoral, foi convocada a primeira expedição exploradora, saindo da foz do Rio Cubatão, na atual região da Grande Florianópolis, em direção ao Planalto Serrano. O principal intuito: facilitar a integração socioeconômica e política entre as duas importantes regiões.
Um ano depois, a invasão à Ilha de Santa Catarina pelos espanhóis evidenciou a necessidade da abertura e implantação de novas e estratégicas estradas na Capitania.
A partir desta data, começaram os trabalhos de estudo do terreno para a abertura de estradas que ligassem o Leste ao Oeste.
De 1776 a 2019 – Rota de tropeiros virou BR
Os anos passaram e a estrada Lages-Desterro ainda não tinha seu trajeto definido. Foi apenas em 1790 que o projeto foi concluído e passou para a etapa de construção, ainda improvisada e precária. Enquanto isso, vilarejos começaram a crescer ao redor do caminho, muito utilizado por tropeiros.
Fotografia de 1979 mostra exploradores ao lado de uma pedra com inscrições de 1889 – Foto: Arquivo/Antonio Carlos Werner/ReproduçãoSomente no fim da década de 1880 é que começou a implantação da estrada de rodagem. Em 1813, no entanto, as notícias eram de que o que foi construído acabou se danificando. Só foi restabelecido após a chegada dos imigrantes alemães que, em março de 1829, fundaram a Colônia São Pedro de Alcântara.
As informações estão no livro “Caminhos da Integração Catarinense – Do Caminho das Tropas à Rodovia BR-282 (Florianópolis – Lages)”, do engenheiro civil Antônio Carlos Werner (1926 – 2001).
Continue lendo (reportagem em 3 partes):
- Viagens interrompidas: Uma pessoa morre a cada 4 dias na BR-282
- Com mais de 680 km de extensão, BR-282 tem projetos parados e apenas 6% de duplicação
Rodovia é “herança” do descaso
Aspectos fotográficos da antiga estrada de Florianópolis a Lages e atual rodovia BR-282 nas imediações de Bom Retiro. Fotografia de 1998 Foto: Antonio Carlos WernerImprovisada em meio às serras e vegetações, a história tornou a BR-282 sinuosa, cheia de curvas e com geografia diversificada.
Na década de 1950, o poder público voltou a olhar para a importante ligação do Estado, que já era chamada de BR-282. A estrada cumpria sua função de maneira precária, por mais de meio século.
Os primeiros quilômetros foram asfaltados em Xaxim e Joaçaba, no final dos anos 1950. Mas as obras na rodovia só terminaram 65 anos depois, em 2010. Foi quando foi feita a ligação entre o Oeste até Lages, e a conclusão do trecho de São Miguel do Oeste a Paraíso.
Foram mais de 200 anos para a conclusão da BR-282, que já se mostra ultrapassada.
Em 2019, a história continua se repetindo: a rodovia não recebe atenção à altura da importância de seu trajeto. Um dos resultados: as 379 mortes em menos de cinco anos.