Estudos do Grupo de Trabalho BR-101 do Futuro apontaram a necessidade urgente de obras estruturantes nos gargalos mais críticos da rodovia, localizados nas regiões de Joinville, Itajaí e Florianópolis.
Veja como foi o lançamento:
O corpo técnico da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), junto com engenheiros, entidades, Crea e concessionária desenvolveram propostas que contemplam a construção de faixas adicionais, marginais com continuidade, implantação de viadutos, pontes de transposição, readequação das alças e agulhas de acesso, além de melhorias nas intersecções com outras rodovias. O custo das obras estruturantes é de aproximadamente R$ 2,6 bilhões.
Campanha ‘BR 101 – SC não pode parar’ alerta para colapso em rodovia, inclusive no trecho da Grande Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDOs projetos foram entregues à ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres). O problema é que estão parados em Brasília, sem previsão de autorização para serem executados e nem garantia de recursos.
SeguirO contrato original de concessão do trecho norte da BR-101 previa apenas a construção do contorno viário da Grande Florianópolis, obra atrasada há quase uma década.
As outras obras que estão sendo executadas, como a terceira faixa no sentido Norte, entre Palhoça e São José, precisaram ser incorporadas posteriormente ao contrato. Só que a burocracia trava e atrasa a execução desses paliativos necessários para garantir a trafegabilidade na rodovia.
Para mobilizar toda a sociedade catarinense, a Fiesc e o Grupo ND lançam a campanha “BR-101 – SC não pode parar” para discutir e propor soluções para a rodovia antes de um colapso total no eixo litorâneo catarinense.
“As soluções já foram discutidas por um grupo técnico e estão nas entidades competentes, como a ANTT e no Ministério de Infraestrutura. Então, a sociedade deverá em conjunto pedir para que sejam implementadas essas melhorias, para que Santa Catarina possa ter uma rodovia condizente com pujança da sua economia”, afirma o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar.
Durante 12 meses, os veículos do Grupo ND levarão aos catarinenses informações do estudo completo realizado pela Fiesc e o detalhamento das propostas para destravar a BR-101. São mais de 100 profissionais envolvidos diretamente na produção de conteúdo nos telejornais da NDTV, jornal ND e portal ND+.
“Esse é um projeto que se inicia hoje, mas que vai durar meses, ano, talvez até mais, para poder construir essa percepção e essa pressão legítima, saudável, republicana, para que os órgãos públicos façam seu papel. E fazer o seu papel é trabalhar para planejar, para que o futuro chegue sempre melhor do que o presente”, enfatiza o presidente executivo do Grupo ND, Marcello Corrêa Petrelli.
A campanha está planejada para ser realizada em sete etapas e mobilizará os catarinenses para fazer o maior abaixo-assinado digital da história de Santa Catarina, que será entregue ao governo federal para cobrar a execução imediata de melhorias no eixo litorâneo do Estado.
*Saiba mais em fiesc.com.br/101
Diagnóstico aponta situação de colapso
Em 2014, a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina) criou o Grupo de Trabalho BR-101 do Futuro para estudar o principal eixo de ligação do Sul do país.
Engenheiros, técnicos e entidades concentraram esforços para entender a estrutura e o comportamento do fluxo de veículos na rodovia. O resultado indica um futuro nada animador para o desenvolvimento de SC se intervenções a curto, médio e longo prazo não forem executadas na BR-101.
O diagnóstico é de uma rodovia à beira do colapso. “Qualquer trajeto que você fizer, por exemplo, entre Florianópolis, Itajaí e Joinville, você já está sujeito a filas e atrasos. Então, já está colapsada”, alerta o gerente de logística e sustentabilidade da Fiesc, Edígio Antônio Martorano, que também é integrante do grupo de trabalho.
A própria concessionária do trecho Norte da BR-101 reconhece os gargalos e a necessidade de obras estruturantes imediatas para melhorar as condições de trafegabilidade.
“Porque o crescimento que está havendo ao longo da rodovia, no entorno, pode gerar muito mais veículos do que as soluções que hoje existem”, pondera o diretor de operações da Arteris Litoral Sul, Antônio César Ribas Sass.
Atualmente, um simples deslocamento em horário de pico entre cidades vizinhas cortadas pela BR-101 é suficiente para qualquer pessoa viver um dia de caos, perder tempo e dinheiro. E nem é preciso ser engenheiro ou especialista em tráfego rodoviário para perceber o tamanho do problema.
Prejuízo para quem vive do transporte
“Eu levo duas horas para atravessar entre Biguaçu e Palhoça, trecho que levava em torno de 30 minutos”, desabafa o caminhoneiro Clodoir Padilha.
Há 13 anos, ele sustenta a família na boleia de um caminhão e vê o ganho diminuir quando precisa ficar parado em meio ao congestionamento.
Engarrafamentos na BR-101, na Grande Florianópolis, são cenário comum aos usuários da região – Foto: Leo Munhoz/ND“Então, com esses transtornos que acontecem [na BR-101] a gente que paga o prejuízo, tanto a empresa quanto nós. Mas, o lado que mais sofre é a gente, porque tiro do bolso, do próprio salário para pagar o diesel”, lamenta.
No verão, os engarrafamentos são ainda mais constantes, porque o fluxo chega a aumentar 60% em relação a outros períodos do ano. Na alta temporada de 2019/2020, a Arteris registrou média diária de 48 mil veículos só nas praças de pedágio.
Todo esse movimento é efeito prático da vinda de turistas ao Estado. Em torno de 8,2 milhões de visitantes passam por Santa Catarina todos os anos.
A Fiesc tem projeção apontando que em 2029 esse número deve chegar a 13,8 milhões, ou seja, 69% mais turistas em comparação com a atual realidade. A estimativa leva em conta a média histórica de visitantes registrada pela Santur.
BR-101: Rodovia se estende do Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte, em traçado próximo ao litoral do Brasil – Foto: BIT (Banco de Informações e Mapas de Transporte)/Divulgação/ND