A Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) registrou uma média de 60 vazamentos de água por dia em Florianópolis só em abril. O mais recente foi registrado no bairro Trindade esta semana. Mas por que isso ocorre? Veja o que pode causar o problema.
FRAME – Adutora da Casan rompe na Lauro Linhares e causa transtornos à moradores. – Foto: Divulgação/GMF/NDMatheus Felipe Ferreira chegava em casa quando viu a rua toda alagada, na quarta-feira (27). Ele mora em um prédio na rua Lauro Linhares, no bairro Trindade, onde uma adutora da Casan estourou. O trânsito precisou ser interrompido. Era tanta água que a garagem do prédio ficou praticamente toda inundada.
“Acho que fazia uns 15 minutos que tinha estourado e aqui já tava inundando porque é bem isolado, então só foi aumentando. Em menos de uma hora já tava tudo inundado”, contou Ferreira.
Não havia nenhum carro estacionado ali. Um caminhão hidrojato foi usado para tirar a água da garagem. Segundo o morador, a própria Casan fez a limpeza da área alagada e uma vistoria para avaliar os prejuízos, e se comprometeu em ressarcir o condomínio.
Conforme Ferreira, “as estruturas do prédio, a gente ficou com medo que fosse abalar porque encheu tudo. Falaram que era coisa de dois até três dias para voltar a água, para voltar a energia, porque não sabia como ia ser. Mas graças a Deus foi rápido e agente ficou mais tranquilo”.
Rompimento de uma adutora na avenida Gustavo Richard interrompeu o acesso ao Sul da Ilha pela via – Foto: Casan/Divulgação/NDNo dia 18 de abril, o rompimento de uma adutora na avenida Gustavo Richard, no Centro da Capital, interrompeu o acesso ao Sul da Ilha por esta via. Foi uma manhã de caos na mobilidade urbana. O encanamento foi consertado no mesmo dia, mas o recapeamento só terminou na manhã seguinte.
Na semana anterior, um motorista passava pela rua Mané Vicente, no Monte Verde, quando uma tubulação estourou e o veículo caiu na cratera. Foi preciso um guincho para tirar o carro.
Em abril, a Casan registrou uma média de 60 vazamentos por dia na Capital. Segundo a empresa, a maioria (60%) próximo a cavaletes. Ou seja, perto dos medidores de água. Outros 30% na rede e 10% em adutoras que causaram transtornos na cidade nas últimas semanas.
A companhia afirmou que conta com 400 pontos de monitoramento de pressão na rede e de nível dos reservatórios. O sistema consegue identificar quando há uma queda ou aumento de pressão. Segundo a Casan, os rompimentos têm diversas causas.
“As regiões mais baixas tendem a ter maior pressão e tendem a ter mais vazamentos pela alta pressão. Esses lugares tendem a dar mais vazamentos, por exemplo em cavaletes, em ramal, porque a pressão é maior. A gente já tá providenciando a instalação de válvulas redutoras de pressão, que tu consegue gerenciar a pressão desses lugares”, explicou o chefe da agência da Casan de Florianópolis, Francisco Pimentel.
Mais 20 pontos devem ser incluídos no sistema supervisório da companhia, num contrato de quase R$ 100 mil. De acordo com a Casan, isso deve ajudar a melhorar o monitoramento e as ações preventivas para evitar rompimento das adutoras.
Tubulações antigas
Atualmente, Florianópolis tem 1.500 quilômetros de rede de água. Para a Secretaria de Infraestrutura da Capital, uma forma de evitar vazamentos seria trocar as tubulações antigas, algumas com mais de 30 anos.
“Eu acho primordial quando a gente for fazer uma pavimentação asfáltica numa rua estruturante que a Casan pudesse ir lá e constatar se a tubulação antiga. A grande maioria é muito antiga, tem mais de 30 anos, são tubulações desgastadas. Normalmente, elas ficam sob o asfalto. Trocar aquela tubulação desgastada e antiga que tem sob o asfalto daquela determinada rua estruturante”, disse o secretário de Infraestrutura, Valter Gallina.
Sobre isto, a Casan informou que só executa serviços de manutenção na rede com autorização da prefeitura e que, quando solicitada, pode fazer a avaliação da rede antes do Município executar uma obra.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.