Santa Catarina enfrenta uma grave estiagem que tem afetado o abastecimento de água em praticamente todo o território.
Para aliviar a situação na região metropolitana da Grande Florianópolis, a Casan (Companhia de Águas e Saneamento) vai investir no projeto de captação de água no rio Biguaçu.
Estiagem afeta Santa Catarina. Projeto pretende reforçar abastecimento na Grande Florianópolis – Foto: Divulgação/Epagri/NDDe acordo com a Casan, o plano é reforçar o SIF (Sistema Integrado da Região Metropolitana da Grande Florianópolis), com captação de mais 900 litros por segundo de água. Essa quantidade representa 30% do consumo atual, que é de 3 mil litros por segundo.
SeguirQuando o projeto estiver em operação, o município de Biguaçu, que hoje é ponta de rede no SIF, passará a ser centro de captação e de consumo de água.
Com a captação local em maior quantidade, a Companhia prevê que o projeto trará melhorias a bairros do município com dificuldades no abastecimento. Bairros de São José que ficam próximos à divisa com Biguaçu, também poderão ser abastecidos por essa nova captação.
A Casan explica que a cidade de Biguaçu é considerada “ponta de rede” porque é a mais distante do ponto de captação e da Estação de Tratamento, localizada em Palhoça.
O novo projeto pretende mudar esse cenário geográfico, com água suficiente para abastecer toda a população de Biguaçu.
O projeto encontra-se em fase final de estudo e a previsão é de que seja liberado para licenciamento ambiental e licitação a partir de 2021. O valor estimado da obra fica entre R$ 50 milhões e R$ 70 milhões. A execução será feita com recursos próprios da Casan.
Estudo previu agravamento da situação
Uma pesquisa publicada em 1996 pelo Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) previu o quadro grave de abastecimento de água em Florianópolis.
O artigo do professor Ramon Lucas Dalsasso estimou que a Capital chegaria ao limite de disponibilidade hídrica em 26 anos, isto é, em 2022. Mesmo a dois anos da data, o professor afirma que a projeção está se concretizando.
Rio Vargem do Braço principal captação da Casan costuma passar por períodos de baixo nível de água – Foto: Divulgação/ND“Realmente estamos em uma situação de limite. O artigo é atual porque a discussão em torno da ocupação territorial, do crescimento da população e da necessidade de infraestrutura está em pauta”, diz.
A pesquisa, desenvolvida também por Cesar Augusto Pompêo e Zoraia Vargas Guimarães, foi apresentada no Congresso Internacional do México em 1996. O estudo questionou a existência de limites de ocupação na Ilha de Santa Catarina, levantando o plano diretor e o crescimento urbano.
“Percebemos que a população cresce e não há uma articulação entre os órgãos. Aumenta a demanda por serviços em vários segmentos, não apenas no saneamento, e as políticas públicas não acompanham. O cenário poderia ter sido evitado? Sim, com mais planejamento”, avalia.
O artigo baseou-se nas formas de abastecimento utilizadas no período da publicação. Naquela época, ainda não havia a captação de água na Lagoa do Peri.
Possíveis alternativas
Para aliviar a situação, o professor comenta a possibilidade de ampliar a captação já existente. Outra alternativa seria a construção de uma barragem de acumulação de água no rio Cubatão Sul ou no rio Vargem do Braço, em Santo Amaro da Imperatriz.
Dalsasso vê como positivo o projeto da Casan em captar água do rio Biguaçu. A Companhia informou que esse e outros projetos, visam justamente aumentar a disponibilidade prevendo o crescimento vegetativo da população.