Em uma cidade, o centro é sinônimo de atividade, de movimento, de concentração de estabelecimentos comerciais e financeiros. Em Florianópolis não é diferente, mas há também muita história e cultura. Por isso, a região central da Capital tem sido foco de uma série de revitalizações, mudanças que se conectam e vêm para garantir uma integração de moradia, comércio e também de lazer.
Revitalização vai trazer conexão entre moradia, lazer e comércio no Centro de Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND“A gente fala muito em centralidade. O que é isso? É onde você possa andar em 15 minutos pro trabalho, pro lazer, pra um curso. E o Centro de Florianópolis hoje ainda é um local só de trabalho. Se você vier final de semana no Centro de Florianópolis, ele é deserto. Em compensação, durante a semana o trânsito e a mobilização de pessoas é enorme e isso precisa ser redimensionado”, explicou a coordenadora do movimento Floripa Sustentável, Zena Becker.
Recentemente, uma parte essencial dessa região ganhou vida nova, mantendo a cultura de sempre. No Centro Oeste, o Armazém Rita Maria foi inaugurado em janeiro. Já virou ponto de lazer e de resgate da história das embarcações no antigo porto de Desterro. A ideia é que essa região possa logo se integrar também com o parque do remo, outro ponto a ser revitalizado.
Farolete no Parque Náutico Walter Lang, no aterro da Baía Sul – Foto: Divulgação/Marinha/ND“A primeira coisa é realmente a gente ter o acesso das pessoas a esses lugares. As pessoas poderem acessar, conhecer o lugar e a partir disso a gente poder colocar em prática o projeto, com áreas de lazer, áreas de esporte, com a revitalização dos clubes de remo. Uma série de outras atividades que a gente poderia trazer para esse espaço”, afirmou o presidente Feresc (Federação de Remo do Estado de Santa Catarina), André Arthur Dutra.
O projeto também inclui espaços para valorizar a caminhada e o ciclismo, além de garantir a segurança e a manutenção do local. Mais no trecho Leste da região, está prevista a revitalização de prédios antigos que hoje abrigam comércios.
Para o gerente de articulação e negócios da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) Florianópolis, Hélio Leite, “precisamos pensar na recuperação global do nosso Centro Histórico. Precisamos avançar além disso. O Centro Histórico não são fragmentos. O Centro Histórico é um todo. Para isso, nós precisamos fazer com que tudo possa ser realmente renovado, possa estar a contento, para que as pessoas possam usufruir”.
No futuro, essa integração deve abraçar também a construção do parque da Marina da Beira-Mar Norte, que deve começar ainda este ano. A obra deve contribuir para o resgate da cultura e do lazer voltado ao mar. Além disso, integra mais uma importante parte do Centro da Capital, que vai se transformando em um grande produto turístico e também em uma alternativa às praias na baixa temporada.
Projeto da marina na Beira-Mar Norte, em Florianópolis – Foto: Divulgação“Quem visita Florianópolis praticamente é um passeio de um dia inteiro, onde você vai ter todas as atrações que vêm desde a avenida Hercílio Luz, passa pelo Centro Leste com a sua área de bares e restaurantes. Nós vamos revitalizar toda aquela região. Depois, você tem o Largo da Alfândega, com toda a questão histórica, passando pelo Mercado Público revitalizado, que será a partir de agora, você chega até a ponte Hercílio Luz e o entorno. E a hora que a marina estiver pronta, você ainda pode descer e terminar o dia na marina vendo o melhor pôr do sol da cidade”, defendeu o vice-prefeito de Florianópolis, Topázio Silveira Neto.
A coordenadora do movimento Floripa Sustentável ressaltou que são ideias e projetos interessantes para o desenvolvimento da Capital, mas que a execução de tudo isso vai depender da aprovação do novo Plano Diretor da cidade.
Segundo Zena, “estamos vivendo um momento em que o Centro tem tudo para ser revitalizado e se transformar num grande espaço que as pessoas possam viver, trabalhar e ter o seu lazer. Porém, é necessário e fundamental que a gente tenha a aprovação dessa revisão do Plano Diretor, para que ele defina as regras (onde você pode morar, onde você pode o uso misto) e principalmente a regularização dos pequenos negócios que ainda sofrem com a falta de regras claras”.
“A preservação do patrimônio como um todo, o que a gente acredita que seja mais importante é ampliar a democratização, aumentar o fluxo de pessoas, aumentar o olhar das pessoas e a presença das pessoas nesses espaços com a possibilidade de que elas percebam a história, a beleza arquitetônica que existe nesses espaços”, explicou a superintendente substituta do Iphan-SC (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em Santa Catarina), Regina Helena Meirelles Santiago.
Para o futuro, mais projetos estão na mira da administração. “Nós deveremos ter uma nova concessão de todo o espaço do centro de eventos a partir de 2024. É uma nova cidade que tá se construindo em termos de caminhada, em termos de passeio a pé”, disse o vice-prefeito.
Confira mais informações na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.