Centro Histórico de Florianópolis “chegou ao limite”, diz comerciante

Rafael Salim deu depoimento durante audiência pública na Câmara em defesa da revitalização da área da chamada ala leste

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O secretário de Mobilidade e Planejamento Urbano, Michel Mittmann, disse que “não vai ser possível a manutenção completa dos paralelepípedos” no entorno da praça 15, como vêm defendendo alguns frequentadores da região, entre eles arquitetos e urbanistas.

Ele falou sobre o projeto de revitalização da ala leste do Centro Histórico em audiência pública realizada nesta quinta-feira (21) pela Comissão de Viação, Urbanismo e Obras Públicas da Câmara de Vereadores.

Área da ala leste do Centro Histórico de Florianópolis – Foto: Fabio Gadotti/NDÁrea da ala leste do Centro Histórico de Florianópolis – Foto: Fabio Gadotti/ND

Mittmann defendeu a intervenção na região como forma de melhorar a acessibilidade, especialmente de cadeirantes e idosos. Apesar de reconhecer a importância das pedras como elemento histórico daquele núcleo urbano, o secretário destacou que elas não são tombadas como patrimônio histórico.

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Moradores e comerciantes defenderam urgência na obra de qualificação para a recuperação econômica da ala leste. “A região vem se degradando nos últimos 20 anos, desde o início das operações do Ticen (Terminal de Integração do Centro. Não temos como esperar mais”, disse Hélio Leite, representante da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas). O Centro Histórico, de acordo com ele, está “em decadência e em ruínas”.

O comerciante Rafael Salim também subiu à tribuna para apelar pela revitalização. “A região chegou ao limite, não tem mais o que pensar, tem que agir”, disse Salim, que tem estabelecimento comercial na rua João Pinto e mora a poucos metros, na rua Anita Garibaldi. Ele reclamou do abandono e degradação da área.

Os representantes dos órgãos de proteção do patrimônio histórico aproveitaram a audiência, que foi proposta pelo vereador Afrânio Boppré (PSol), para cobrar acesso oficial ao projeto, ainda não enviado pela prefeitura.

Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Liliane Nizzola disse que uma portaria prevê manifestação do Iphan em caso de obras em áreas com bens tombados.

Rodrigo Rosa, gerente de patrimônio imaterial da FCC (Fundação Catarinense de Cultura), também disse que há necessidade de consulta ao órgão gestor do patrimônio estadual no caso de intervenções em locais com as características históricas da ala leste.