REPORTAGEM: Caroline Borges
EDIÇÃO: Beatriz Carrasco
Da capital catarinense ao Extremo-Oeste, os 680,6 quilômetros da BR-282 têm apenas três trechos duplicados – que totalizam 40,6 quilômetros. Ou seja, 5,96% da rodovia.
As áreas agraciadas ficam na Grande Florianópolis (5,6 km), em Lages (5 km), e no Oeste – entre Xanxerê e Chapecó (30 km).
O primeiro está do km 0 ao 5,6 e é conhecido como Via Expressa. Com início na saída da Ponte Colombo Salles, em Florianópolis, a via tem três faixas em cada sentido. Mais de 180 mil veículos passam pela região diariamente.
Km 0 da BR-282 fica em Florianópolis e é duplicado – Foto: Anderson Coelho/NDRodovia duplicada, mas sem passarela
O segundo perímetro duplicado está em Lages, na Serra. São 5 quilômetros dentro da cidade, construídos em 2014. Na região, no entanto, a comunidade aguarda a construção de três passarelas.
Com a duplicação da via, os semáforos foram retirados e os pedestres têm que arriscar a vida para fazer a travessia. Sadi Montemezzo, presidente da Acil (Associação Empresarial de Lages), afirma que apenas duas das cinco passarelas que estavam previstas foram construídas até o momento.
“A gente espera essas passarelas há muitos anos. As pessoas precisam atravessar a rodovia em vários trechos e podem ser atropeladas e morrer”, disse.
Continue lendo (reportagem em 3 partes):
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Duplicação no Oeste sofreu atrasos
O terceiro trecho duplicado foi entregue no início deste ano, no Oeste. Cerca de 30 quilômetros entre Xanxerê e Chapecó receberam melhorias.
No entanto, para o presidente da Acic (Associação Comercial e Industrial de Chapecó), Cidnei Luiz Barozzi, a duplicação de mais um trecho, entre Chapecó e São Miguel do Oeste, melhoraria a situação que ele classifica como “calamitosa”.
Medidas em trecho letal evitaria mortes
Apesar do alto número de mortes e acidentes na região de Serra que é cortada pela BR-282, o trecho é de pista simples.
Por ser montanhoso, o Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) avalia ser muito caro e inviável um projeto para duplicação. No entanto, a construção de trechos com terceira faixa, melhoria na sinalização e manutenção da via poderiam diminuir a perda de vidas.
Em agosto, foi dada a largada para a construção de faixa adicional em 8 quilômetros da região. Comunidade e órgãos de infraestrutura definiram três locais de prioridade:
- Morro na região de Índios, do Km 207 ao Km 211 (sentido Lages);
- Km 213 ao Km 209 (sentido Florianópolis);
- Km 221 ao Km 224, no acesso à BR-116.
A evolução mais rápida da iniciativa, no entanto, é impedida pela falta de recursos.
“O governo federal está passando por um contingenciamento e, por isso, o Dnit não dispõe desse recurso para investir. Mas caso venha a ter, temos condições de melhorar a rodovia de Águas Mornas até Lages”, disse o superintendente do órgão em Santa Catarina, Ronaldo Carioni.
Paliativos
Enquanto isso não ocorre, o especialista em gestão e segurança no trânsito Pedro Paulo da Cruz defende prudência dos motoristas, implantação de radares, sinalização e fiscalização.
Segundo ele, mesmo que paliativas, essas medidas reduziriam drasticamente o número de acidentes no trecho.
“O lugar tem alguns problemas e o motorista tem que respeitar a sinalização. Os radares ajudariam a diminuir a velocidade e melhorar, mas poderia ser feita uma manutenção do local também, com mais placas, asfalto novo”, destaca.
Melhorias no trecho sinuoso da BR-282 evitariam mortes – Foto: Arquivo/Flávio Tin/NDEsperança para região é canteiro de obras abandonado
Com 120 quilômetros, o projeto de duplicação entre Chapecó e São Miguel do Oeste foi anunciado em 2016 e também inclui melhorias também na BR-158
No entanto, uma série de discussões atrasou o início da obra, que começou, de fato, apenas em novembro de 2018. Agora, caminha a passos lentos.
Trecho da BR-282 em Chapecó – Foto: Arquivo/Luiz Evangelista/NDA região escoa grande parte da produção agrícola do Estado e é um importante elo entre as cidades do Oeste. São milhões de reais em produtos, carne e grãos que passam na BR-282 com destino aos portos.
“Eu não vejo ninguém trabalhando na rodovia. Enquanto isso, acidentes ceifam vidas, destroem famílias inteiras e o progresso aqui no Oeste demora. A região tinha tudo para gerar emprego. Ser empresário não obriga só a produzir, mas a pensar na logística, que é uma coisa que deveria ser feita pelos políticos”, reclama o presidente da Acic.
Na primeira ordem de serviço, a obra tinha prazo para ser encerrada em 2017. Porém, com algumas alterações no projeto repactuado, a nova previsão de término é para novembro de 2020.
Segundo o mapa de monitoramento da rodovia feito pela Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), apenas 10% da obra avançou.
Segundo Carioni, os trabalhos precisaram ser “reduzidos em função de uma adequação no projeto”.
Na questão financeira, para dar prosseguimento aos trabalhos, o órgão dispõe de R$ 6 milhões. Outros R$ 14 milhões do governo federal. e mais repasses de emendas parlamentares. são esperados para incrementar o orçamento da obra.
Novo traçado na Grande Florianópolis
A BR-282 tem seu marco inicial em Florianópolis. Da Capital até São José são 6 quilômetros, que depois levam a via até a sobreposição na BR-101.
Em Palhoça, a BR-282 se apresenta como pista simples, com fluxo travado todos os dias nos horários de pico, até Santo Amaro da Imperatriz.
Para tentar reduzir o trânsito no local, o Dnit pretende criar um contorno, como forma de desviar dali o tráfego pesado de caminhões.
O traçado proposto prevê a construção de uma rodovia que contorne Palhoça, no bairro Pedra Branca, e chegue à BR-282 somente no final de Santo Amaro da Imperatriz.
Porém, mais uma vez, a origem da verba é incerta. “No ano que vem, a ideia é contratar uma empresa para o projeto e, quem sabe, em 2021, começar a obra”, disse o superintendente do Dnit.
Novo traçado busca aliviar trancamento no início da BR-282, em Palhoça e Santo Amaro da Imperatriz – Foto: Reprodução/RICTV/NDNovos radares somente em março
A partir de março, a BR-282 receberá 82 novos controladores de velocidade. Conforme a superintendência do Dnit no Estado, os trechos em que os equipamentos serão instalados são considerados os mais críticos da rodovia e foram escolhidos após um estudo.
Para Pedro Paulo da Cruz, especialista em gestão e segurança no trânsito, os equipamentos podem fazer toda a diferença quando se fala em segurança no trânsito.
“O aumento de velocidade também causa acidentes. Os radares obrigam os motoristas a diminuírem a velocidade”, observou.
Radares serão instalados em áreas críticas da rodovia – Foto: Arquivo/Flavio Tin/NDAlém da BR-282, as rodovias federais em Santa Catarina não registram infrações por meio de controladores desde janeiro de 2019, quando o contrato emergencial que permitia o uso de 152 equipamentos chegou ao final e não foi renovado pelo governo federal.
Desvios
Enquanto as obras para melhorar a BR-282 demoram a caminhar, quem trafega na via pode escolher desvios e caminhos alternativos.
Pedro Paulo da Cruz sugere que turistas e moradores a passeio usem a Serra do Rio do Rastro como alternativa.
Outra opção para quem sai do Oeste em direção ao Sul do Estado é a BR-285 ou a BR-386, para chegar no Litoral. Para o trajeto ao Norte, uma opção é entrar na BR-280.
“Tem algumas opções para quem passeia na região. Depende muito da rota e o destino, mas é sempre bom verificar antes de viajar”, finalizou Cruz.