Comerciantes temem fechamento do Mercado Público de Florianópolis

Eles cobram da prefeitura que adote medidas para evitar a interdição do local após recomendação do MPSC. Prazo dado pelo Ministério Público acaba nesta quinta-feira (16)

Foto de Paulo Rolemberg

Paulo Rolemberg Florianópolis

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A possibilidade de interdição do Mercado Público de Florianópolis após recomendação do MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) devido a falta de segurança gerou descontentamento de comerciantes do local, que cobram uma atitude da prefeitura da Capital para evitar o fechamento do prédio. O órgão deu um prazo máximo de 48 horas, a partir da terça-feira (14) para o Município acatar o pedido.

Mercado Público de Florianópolis tem problemas de infraestrutura – Foto: Paulo Rolemberg/ NDMercado Público de Florianópolis tem problemas de infraestrutura – Foto: Paulo Rolemberg/ ND

Para o comerciante José Felipe, proprietário de um dos restaurantes do Mercado Público, a prefeitura deve estabelecer um cronograma e realizar as melhorias cobradas pelo MPSC e o Corpo de Bombeiros.

O empresário cobrou ações imediatas do Município já que arrecada com as taxas de aluguel e condomínio pagos pelos comerciantes. Os pagamentos ficam entre R$ 2 mil e R$ 8 mil a depender do estabelecimento.

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“Foi feita a licitação dos boxes, vendido os boxes, geraram muito dinheiro. É pago aluguel para prefeitura, é pago condomínio, é complicado chegar nessa situação de querer fechar o Mercado”, reclamou José Felipe.

José Felipe relatou que foram raríssimas vezes feitas manutenção no teto retrátil e o estabelecimento dele é um dos prejudicados, principalmente no período chuvoso.

“Chove no cliente. A nossa televisão tem que ser guardada com capa porque pinga muita água do teto. Para falar a verdade nunca foi feita manutenção nesse teto, no toldo. Está sujo, sem manutenção”, desabafou.

José Felipe diz que interdição vai prejudicar comerciantes e funcionários – Foto: Paulo Rolemberg/ NDJosé Felipe diz que interdição vai prejudicar comerciantes e funcionários – Foto: Paulo Rolemberg/ ND

Segundo o comerciante, o fechamento do local vai gerar desemprego e prejudicar o comércio. “A gente já passou por uma crise grande. Agora que começou a querer voltar ao normal, vem essa agora. Daí fechar vai prejudicar muita gente. Muita gente depende daqui, muitos empregos são gerados”, avisou José Felipe, que emprega 18 pessoas.

Para Sérgio Murilo, que possui um box que comercializa artesanatos, a culpa é do Município pela iminência da interdição. “Sabe de quem é o relaxamento disso aí? Da prefeitura, de quem mais né? Pagamos o aluguel, nós pagamos e muito”, comentou.

Comerciante Sérgio Murilo pede agilidade da prefeitura para solucionar os problemas – Foto: Paulo Rolemberg/ NDComerciante Sérgio Murilo pede agilidade da prefeitura para solucionar os problemas – Foto: Paulo Rolemberg/ ND

Murilo disse temer pela segurança dos frequentadores do Mercado, principalmente na área dos restaurantes. Na entrada pelo lado da rua Jerônimo Coelho, rebocos de parede caíram e deixaram expostas as vigas de ferro. Existem marcas de infiltração, o que pode causar novas quedas. “Não dá manutenção no prédio, está claro isso”, observou.

O comerciante sugere que se isole essa área por questão de segurança. “Tem que isolar aquela parte”, cobrou.

Parte do reboco do teto do Mercado Público caiu, mas área não foi isolada – Foto: Paulo Rolemberg/ NDParte do reboco do teto do Mercado Público caiu, mas área não foi isolada – Foto: Paulo Rolemberg/ ND

Apesar dos riscos, frequentadores continuam utilizando as mesas que ficam na linha de risco onde caíram os rebocos, por falta de conhecimento do problema. “Meu Deus, eu nem sabia, nem tinha visto isso!”, disse a aposentada Cristina Maria Fernandes, que bebia água no local.

Há 39 anos como comerciante no Mercado, Murilo disse que os problemas de prevenção de incêndio são corriqueiros no local. “Estou aqui desde 1982, nunca foi diferente”.

Murilo tem medo de um novo incêndio como o ocorrido em 2005. Ele, que na época era dono de um box que comercializava calçados, perdeu tudo no fogo.

Outro lado

A prefeitura de Florianópolis informou que recebeu a notificação do MPSC e já acionou a empresa contratada para começar os trabalhos solicitados.