Com apenas 2,8 % de áreas verdes na região continental, a preocupação com o meio ambiente representa uma das prioridades da comunidade local.
O presidente do Codecon (Conselho de Desenvolvimento do Continente), Dalton Heron Malucelli Jr, ressalta que o distrito carece de diretrizes que priorizem a arborização, a conservação e a preservação das áreas verdes remanescentes, todas perigosamente ameaçadas.
Vista panorâmica do Continente mostra avanço da urbanização- Foto: ANDERSON COELHO/ ARQUIVO“Áreas verdes e de lazer são vitais. Numa cidade, são santuário. E no Continente temos carência destas áreas. O rio Araújo e o canal Buchele, que fazem divisa com São José, por exemplo, estão há anos poluídos e despejam suas imundícies nas nossas baías, em pleno ano de 2022. Tal desprezo com o meio ambiente levou nossas praias, antes destino do florianopolitano, ao abandono e impróprias para banho. Hoje servem apenas como pano de fundo para fotos e selfies. Sem contar que nossa orla segue invadida por casas e bares com seus 35% inacessíveis ao mar”, lamenta.
Meio ambiente
Esta também é a inquietação da arquiteta Silvia Lenzi no que diz respeito ao meio ambiente.
“Tenho a expectativa de dispor de um plano elaborado com a incorporação dos avanços conquistados pelo Estatuto da Cidade, com a definição de um modelo de cidade socialmente justa e ambientalmente sustentável, incorporando medidas que atendam aos desafios das mudanças climáticas e do esgotamento dos recursos naturais. E ainda, que valorize, qualifique e amplie o seu sistema de áreas públicas, notadamente as praças, parques e demais áreas verdes, que tiveram sua importância tão evidenciada em tempos de pandemia”, afirma.
Silvia ressalta ainda que um Plano Diretor que almeja assegurar a qualidade de vida de seus moradores e visitantes deveria contemplar prioritariamente a resolução dos problemas já existentes antes de propor incentivos que só aumentam as demandas por serviços já deficitários em algumas zonas.
“Também deveria encontrar-se entre seus objetivos a adequação do uso e ocupação do solo às características físicas e paisagísticas das áreas e o dimensionamento e previsão de equipamentos urbanos, áreas verdes e áreas públicas devidamente tratadas ou reservas de áreas para futuras implantações, distribuídos espacialmente por todos os bairros da cidade. Essa garantia de áreas verdes é fundamental em zonas com previsão de maior adensamento como forma de amenizar as ilhas de calor geradas pela concentração da massa construída”, conclui.
Novas regras rendem discussão
O arquiteto e urbanista Gustavo Andrade pondera que não está sendo corretamente avaliada na proposta o impacto da verticalização na paisagem, considerado o ativo mais importante da cidade.
“Bastam alguns prédios para alterar um cenário que deixa todos nós orgulhosos como a Lagoa da Conceição, por exemplo. É importante ser responsável com a paisagem que resultará da construção de edifícios que utilizarão os incentivos”, diz.
“É preciso incorporar uma visão de conservação. Precisamos ter áreas preservadas, mas permitir que se tenha uma relação com ela”, é o que defende o representante do Floripa Sustentável no debate sobre o Plano Diretor, Fabrício Schveitzer.
Ele acredita que alguns bairros precisam de mais áreas verdes, mas em boa parte de Florianópolis, não há necessidade de mais áreas verdes, mas qualificar e dar uso às que já existem.
“E isso se faz com geração de riqueza. Pensar que isso será feito exclusivamente pelo poder público é utópico. Ainda cabe uma discussão mais clara sobre as áreas que queremos manter com baixa ocupação. Temos locais sensíveis e bucólicos que devem e podem permanecer com suas características. São locais que, além de preservados, precisam de estímulos para a manutenção do ativo cultural local. Temos que achar espaço para cultura, pesca e gastronomia local. Mas para que isso possa ser feito, outros locais precisam compensar essa conta, precisamos ter em perspectiva que a cidade precisa produzir arrecadação para saúde, segurança, educação, áreas verdes e outros”, opina.
Áreas verdes e espaços de convivência
O diretor da Acif (Associação Empresarial de Florianópolis), Rafael Novaes, pensa que é necessário criar áreas dentro desse processo que permitam preservar o espaço verde e proporcionar maiores espaços, principalmente, de convivência.
“Uma vez que a gente consiga melhorar o Plano Diretor a ideia é que tenhamos esse centro urbano mais distribuído e que na região continental a gente possa criar áreas de convivência, que possamos explorar áreas verdes, integradas justamente com todas essas novas edificações e construções que visam justamente proporcionar o equilíbrio. Uma vez que a gente consegue ampliar a estrutura podemos crescer, subir verticalmente, a gente consegue trabalhar a questão da arborização e a ambientação na questão horizontal”, finaliza.
Rafael enxerga na região continental um potencial muito grande uma vez que com a atualização do Plano Diretor teria a oportunidade de chamar a atenção de investidores para aumentar a construção de edifícios, ampliara infraestrutura para que a região possa comportar cada vez mais empresas associadas ao processo e fomentar o comércio como um todo.
“Melhorar o comércio, proporcionar mais condições para que a gente possa ter mais estabelecimentos comerciais e proporcionar um ambiente mais diversificado para que tanto o cidadão quanto o empresário possam usufruir, trabalhar em conjunto na região”, acrescenta.