Estudo apresentado terça-feira (11) na sede da Fiesc (Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina), no bairro Itacorubi, na Capital, estima que a entrega da obra do Contorno Viário da Grande Florianópolis, atrasada há mais de dez anos, vai levar pelo menos mais uns seis meses além do último prazo estabelecido pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) para a entrega.
Contorno Viário de Florianópolis – Foto: Fiesc/Divulgação/NDA previsão é do engenheiro e consultor da Fiesc, Ricardo Saporiti, em estudo feito a pedido da federação, em que percorreu toda a obra.
A concessionária Arteris, que conduz os serviços, não confirma a mudança de prazo e mantém a previsão para dezembro de 2023.
SeguirInforma que ainda precisa analisar o estudo e conhecer os cronogramas da empresa que vai assumir os trabalhos da Azevedo & Travassos, que teve o contrato rescindido.
A Azevedo & Travassos era responsável por 9,6 quilômetros de obras no contorno e a rescisão se deu pelo descumprimento de obrigações trabalhistas que motivaram protestos dos trabalhadores.
A Arteris informa que pagou R$ 2,5 milhões em salários atrasados deixados pela terceirizada, arcou com outra despesa após mais de 200 rescisões e pode arcar com mais 700.
O engenheiro Ricardo Saporiti – Foto: Filipe Scotti/Fiesc/NDE argumenta que o consultor da Fiesc sequer considerou a rescisão com a Azevedo & Travassos em seu estudo, mas aspectos como o período de chuva comum no fim do ano no Sul do Brasil.
“Vamos enfrentar, no inverno, época chuvosa aqui na região, e isso vai prejudicar a evolução dos serviços. Fiz e refiz os cálculos e cheguei à conclusão de que a Arteris, na minha estimativa, deve concluir a obra totalmente no fim do 1º semestre de 2024. Torço para que consiga concluir antes, porque sei da importância da obra e da dedicação da concessionária, mas, realisticamente, cheguei a essa conclusão”, afirmou Saporiti.
Pontos críticos
Na análise do engenheiro, quatro serviços provavelmente atrasarão a obra: a interseção da BR-101 Norte; a interseção com a BR-282; a interseção com a BR-101 Sul e a implantação, pavimentação e obras de artes especiais entre as BRs 282 e 101. “Fizemos levantamento in loco vendo os serviços que faltam ser executados”, disse Saporiti, explicando que o estudo foi feito antes da rescisão com a Azevedo & Travassos, que trabalhava num dos pontos considerados críticos.
O executivo da Câmara de Transportes da Fiesc, Egídio Martorano, falou sobre a importância do estudo e do encontro promovido pela federação.
Obra do Contorno Viário está há mais de uma década atrasada – Foto: Fiesc/Divulgação/ND“É muito importante a sociedade acompanhar. Estamos falando de uma variável importantíssima para o setor industrial, que vem sofrendo muito com a perda de competitividade”, afirmou.
Precariedade das estradas prejudica o desempenho da indústria, conclui Aguiar
O presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, ressalta que a infraestrutura de transporte é um componente importante da logística e fator determinante para a competitividade das empresas.
“Não é novidade dizer que a nossa precariedade em termos de transporte rodoviário prejudica o desempenho da indústria catarinense. Somos o segundo Estado mais competitivo do Brasil, perdendo por um milésimo para São Paulo e, certamente, se tivéssemos uma estrutura de transporte mais adequada, Santa Catarina teria a indústria mais competitiva do Brasil.”
Arteris não confirma mudança de prazoO diretor de Operações Sul da Arteris, Antonio Cesar Ribas Sass, disse que a empresa vai conversar com o engenheiro Saporiti para entender a metodologia usada.
Agradeceu pelo estudo, mas não confirmou a mudança de prazo para conclusão da obra para o 1º semestre de 2024, como aponta o estudo.
“No nosso cronograma, de janeiro a junho sempre tínhamos a execução maior que o previsto. A saída da Azevedo & Travassos nos trouxe um pouco de preocupação. Mas a ideia é buscar empresas que estão conosco em outras obras, inclusive acabando obras dentro dos 50 quilômetros do contorno”, declarou Sass.
Mario Cezar de Aguiar, presidente da Fiesc – Foto: Filipe Scotti/Fiesc/NDSegundo ele, no momento praticamente 83% da obra está concluída. No trecho Sul A é preciso atacar dois pontos imediatamente.
“São basicamente 400 metros que são desmontes de rocha, totalizando 25 mil m³. Um para detonar, outro para retirar. Vencemos todas as fundações e os túneis, que eram pontos críticos, não são mais”, completou.
Conforme Ribas, tão logo a Arteris receba os cronogramas e propostas das empresas que disputam para substituir a Azevedo & Travassos, podendo trabalhar em mais turnos, a Arteris vai atualizar o cronograma e vir a público falar como a obra toda está ficando.
“A ideia é contratar imediatamente os 400 metros, em uma, duas semanas, para não perder o prazo de estiagem que temos”, frisou.