Contorno Viário: Justiça bloqueia R$ 15 milhões da Azevedo & Travassos para pagar trabalhadores

Funcionários foram demitidos em junho, mas não receberam verbas rescisórias; Justiça atende pedido do Ministério Público do Trabalho

Daniela Ceccon Florianópolis

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A 1ª Vara da Justiça do Trabalho de Florianópolis bloqueou as contas de seis empresas pertencentes ao grupo Azevedo & Travassos. O despacho publicado nesta quinta-feira (27) congela valores para o pagamento de funcionários demitidos desde junho pela empresa, que atuava na construção do trecho sul do novo Contorno Viário, em Palhoça.

Decisão da Justiça do Trabalho bloqueia contas de seis empresas pertencentes ao grupo Azevedo & Travassos para pagamentos de funcionários do Contorno Viário - Foto: Arteris S.A./Divulgação/NDDecisão da Justiça do Trabalho bloqueia contas de seis empresas pertencentes ao grupo Azevedo & Travassos para pagamentos de funcionários do Contorno Viário – Foto: Arteris S.A./Divulgação/ND

A decisão foi publicada pelo juiz titular da Justiça do Trabalho na Capital, Luciano Paschoeto. O valor congelado é R$ 15 milhões. A cifra deve ser destinada ao pagamento de rescisões contratuais com os funcionários da empresa que trabalhavam no Contorno Viário. O ND+ procurou a Azevedo & Travassos, mas a empresa não respondeu aos pedidos de posicionamento. O texto será atualizado em caso de manifestação.

Em decisão anterior, a Justiça havia bloqueado os valores da Arteris Litoral Sul, concessionária responsável pelas obras do novo Contorno Viário. Isso porque a empresa Azevedo & Travassos não tinha o montante em conta para que o valor pudesse ser congelado. O novo despacho, no entanto, entende que a Arteris não é a ré principal na ação movida pelo Ministério Público do Trabalho, e que os valores devem ser bloqueados em contas de outras empresas do grupo responsável.

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Parte do despacho da Justiça do Trabalho, publicado nesta quinta-feira (27) – Foto: Reprodução/NDParte do despacho da Justiça do Trabalho, publicado nesta quinta-feira (27) – Foto: Reprodução/ND

No texto, também fica definida uma multa de R$ 150 mil à Azevedo & Travassos, a ser paga em 48 horas, por não dar suporte ou ajuda de custo aos trabalhadores demitidos. Esses valores devem ser revertidos ao pagamento das rescisões, e caso o prazo não seja cumprido, uma nova multa deve ser aplicada.

Também ficou definida a marcação de uma nova audiência de conciliação entre a Azevedo, o Sindicato da Construção Pesada da Grande Florianópolis e o Ministério Público do Trabalho e o Ministério do Trabalho. A audiência ocorre na próxima quarta-feira (02), às 11h30.

Rescisões com os trabalhadores do Contorno Viário

Desde junho, quando a empresa rompeu contrato com a Arteris Litoral Sul, mais de 700 funcionários que atuavam nas obras foram demitidos pela Azevedo & Travassos. Cerca de 400 deles, segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada, não receberam os valores das rescisões contratuais.

Demissões em massa de trabalhadores começou em junho – Foto: Reprodução/NDTVDemissões em massa de trabalhadores começou em junho – Foto: Reprodução/NDTV

Com o ingresso da situação na Justiça, veio o bloqueio de R$ 15 milhões das contas da Arteris. O novo despacho desta quinta transfere a ação para empresas do Grupo Azevedo.

Ainda segundo o sindicato, 90% dos trabalhadores demitidos são do norte e Nordeste do país e alegam não tem dinheiro nem para voltar pra casa.

Nossa equipe procurou a Azevedo & Travassos, por meio de nota a empresa se posicionou sobre os fatos, confira na íntegra:

O Grupo Azevedo e Travassos vem a público esclarecer as recentes informações divulgadas sobre o bloqueio de valores de nossas contas, determinado pela Justiça do Trabalho de Santa Catarina a pedido do Ministério Público do Trabalho.

Em primeiro lugar, fomos surpreendidos com a decisão de bloqueio de valores, uma vez que já existem recursos suficientes depositados em juízo, no âmbito da ação civil pública, destinados a garantir o pagamento de verbas rescisórias dos funcionários envolvidos na obra do contorno de Florianópolis.

Importante também assegurar que, apesar desta medida, a continuidade das nossas operações e demais obras em andamento pelo Grupo Azevedo e Travassos não será afetada. Mantemos nosso compromisso com todos os nossos projetos e colaboradores.

Queremos ressaltar que, desde o início, temos nos comprometido em ajudar nossos colaboradores a retornar aos seus lares. Prova disso são as passagens aéreas e outros inúmeros documentos de suporte logístico e financeiro que foram apresentados pela Azevedo e Travassos nos autos da ação civil pública.

Entendemos que a interrupção repentina das obras e a consequente rescisão unilateral resultaram em uma demanda excepcionalmente alta para a desmobilização dos nossos 700 funcionários, cuja atual situação é: 230 rescisões quitadas, 400 rescisões em andamento e 70 funcionários realocados para outras obras da Azevedo e Travassos Infraestrutura. Ainda assim, estamos fazendo tudo ao nosso alcance para garantir que todos sejam devidamente assistidos, apesar do pouco tempo que tivemos para organizar uma resposta adequada a uma obra desta magnitude.

Por fim, gostaríamos de comunicar que fomos convocados para uma audiência de conciliação na próxima terça-feira. Estamos confiantes de que, com diálogo e cooperação, conseguiremos resolver todas as questões pendentes e dar os passos necessários para atender às necessidades de nossos funcionários.

Grupo Azevedo e Travassos

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