‘Desapareceu’, diz presidente da Casan sobre empresa responsável por reservatório rompido

Martins da Silva respondeu perguntas na Alesc sobre o andamento do procedimento que apura a culpa sobre o acidente no Monte Cristo, em Florianópolis

Foto de Felipe Bottamedi

Felipe Bottamedi Florianópolis

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A Gomes e Gomes, construtora que ergueu o reservatório da Casan que rompeu no último dia 6 no Monte Cristo, bairro de Florianópolis,  “praticamente desapareceu” desde o episódio, afirmou nesta quarta-feira (7) o presidente-diretor da Companhia, Edson Moritz Martins da Silva.

“O que se sabe é que a empresa esteva na quarta-feira [dia do acidente], falando com a perícia. Depois não apareceu mais, praticamente desapareceu”, destacou Martins da Silva em resposta a deputados da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina).

Presidente da Casan respondeu perguntas sobre o acidente registrado em FlorianópolisComissão de Economia, Ciência, Tecnologia, Minas e Energia submeteu presidente a uma série de perguntas sobre o acidente e as ações executadas pela Casan – TV AL/Divulgação/ND

Martins da Silva assumiu a presidência da Casan uma semana antes aos evento no Monte Cristo. Nesta quarta-feira (27) ele respondeu perguntas realizadas no âmbito da Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia, Minas e Energia.

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“O diretor da empresa [Gomes e Gomes] afirmou que apareceu lá [no dia do rompimento], emprestou uma máquina e um caminhão para o conserto”, afirmou o presidente-diretor da Casan, citando entrevistas que leu na imprensa. “De lá pra cá não se sabe mais nada”.

ND+ procurou John Clovis Peiker, sócio da Construtora Gomes e Gomes, mas ele não quis se manifestar sobre as declarações. Em entrevista ao Jornal ND, publicada no último dia 15, Peiker destacou que a Gomes e Gomes é um dos três pilares na construção, seguindo projetos executivo e estrutural pré-definidos. “A responsabilidade foi toda jogada para nós”.

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    Casan diz que ofereceu alimentação, alojamento e transporte - Leo Munhoz/ND
    Casan diz que ofereceu alimentação, alojamento e transporte - Leo Munhoz/ND
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    Cenário no Monte Cristo na manhã do dia seguinte ao rompimento do reservatório - Valeska Loureiro/ND
    Cenário no Monte Cristo na manhã do dia seguinte ao rompimento do reservatório - Valeska Loureiro/ND
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    Área de rompimento permanece fechada - Daniela Ceccon/NDTV
    Área de rompimento permanece fechada - Daniela Ceccon/NDTV
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    Questionado se a situação que aconteceu em Florianópolis poderia ocorrer em outros reservatórios, o presidente respondeu que não - Daniela Ceccon/NDTV
    Questionado se a situação que aconteceu em Florianópolis poderia ocorrer em outros reservatórios, o presidente respondeu que não - Daniela Ceccon/NDTV
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    Desastre com reservatório da Casan destruiu centenas de casas e carros - Leo Munhoz/Arquivo ND
    Desastre com reservatório da Casan destruiu centenas de casas e carros - Leo Munhoz/Arquivo ND

O balanço final da Casan, divulgado pelo presidente-diretor, aponta 497 pessoas diretamente afetadas pelo evento – o rompimento afetou moradores da comunidade do Sapé, na região continental de Florianópolis.

Dentre os danos materiais registrados estão 95 veículos atingidos, 186 móveis e 54 imóveis comprometidos. Foi necessário demolir sete residências. Até o último dia 20 as indenizações prévias somavam R$ 2 milhões.

Sem citar nomes, presidente destacou investigação em andamento

A Companhia está contratando uma empresa especializada para fiscalizar os 1083 reservatórios distribuídos pelo Estado, tal como as ETEs (Estações de Tratamento de Esgoto). Uma comissão formada por quatro engenheiros da Casan apura as responsabilidades pelo acidente.

Justificando cautela, Martins da Silva evitou apontar culpados pelo acidente durante os questionamentos. “A construção do reservatório atingiu diversas administrações. A prudência recomendou que eu não fizesse nenhum julgamento prévio”, destacou.

A obra ficou pronta em 2014 e o contrato foi assinado em 2015. Somente em março de 2022 é que a caixa d’água passou a ser utilizado, ainda em fase de testes. “O reservatório ficou 1 ano e seis meses em teste, por quê?”, questionou o presidente-diretor.

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