As chuvas fortes que têm causado alagamentos e deslizamentos em Joinville, no Norte de Santa Catarina, afetaram também o Cemitério Municipal. Pelo menos nove túmulos foram afetados pelas chuvas dos últimos dias e praticamente desmoronaram.
Fortes chuvas provocaram deslizamentos em diversos pontos da cidade e no Cemitério Municipal, túmulos foram atingidos – Foto: Thiago Bonin/NDTVHá exatamente um ano, a motorista por aplicativo Úrsula Zils Benkendorf perdia o filho Jackson aos 34 anos de idade, vítima de um infarto fulminante. Nesta sexta-feira (8), uma data tão marcante para a família, ela encontrou o túmulo completamente destruído devido aos deslizamentos.
“Eu quase desmaiei, vim com a minha nora, esposa dele. Chegamos aqui, ela me abraçou e pensamos que isso não era verdade. Perder um filho já dói, agora passar tudo de novo é muito triste”, fala.
SeguirEla reclama, ainda, de não ter sido sequer comunicada sobre os estragos causados pela chuva no túmulo do filho. Úrsula foi avisada por uma familiar de uma pessoa enterrada em um túmulo próximo ao do filho. “Aconteceu no dia 31 e não avisaram a família. Se essa senhora não viesse, ficaria cada vez pior. Estou indignada, por que não avisar a família? Não tem explicação”, indaga.
O aposentado Rolf Benkendorf, companheiro de Úrsula e pai de Jackson, teme que as chuvas típicas dessa época do ano piorem ainda mais a situação. “Se eles não arrumarem, isso vem ainda mais pra baixo e nós não queremos que a situação fique ainda pior”, diz.
Município afirma que iniciou o contato para viabilizar os trâmites necessários para remoção dos corpos e recuperação dos túmulos – Foto: Thiago Bonin/NDTVAlgumas lonas foram colocadas no local e um funcionário foi designado para trabalhar. De acordo com a assessoria de comunicação do município, a Secretaria de Agricultura Meio Ambiente está analisando a situação e, para mexer em restos mortais é necessária uma autorização judicial e autorização da família, o que, segundo o município, pode demorar.
“Eu quero que eles tirem, que removam para um lugar mais seguro para que isso não aconteça mais”, salienta Úrsula. “É um pesadelo, enquanto isso não se resolver, para nós é um sofrimento. Não enterramos um animal aqui”, complementa Rolf.
A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente afirma que iniciou o contato com as famílias de pessoas que tiveram os túmulos atingidos para viabilizar os trâmites necessários para remoção dos corpos e recuperação das estruturas.