A discussão da necessidade de duplicação da principal via do bairro Pantanal, a avenida Deputado Antônio Edu Vieira, começou em 2007, mas só ganhou “vida” nove anos depois, em 2016, após a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) ceder parte de sua área entre o CTC (Centro Tecnológico) e o CFD (Centro de Formação Desportiva).
Avenida Edu Vieira ganha nova tentativa de conclusão – Foto: Leo Munhoz/NDAssim foi possível colocar em prática a execução do projeto do Anel Viário Trecho Sul, orçado inicialmente em R$ 36 milhões. Neste período, a obra na avenida já passou por quatro licitações, dois prefeitos, e ainda não foi concluída.
Na semana passada, a Prefeitura de Florianópolis anunciou a quarta licitação nesses quase seis anos da obra.
SeguirA proposta é no valor máximo de R$ 12.571.077,25 e o prazo para execução é de 240 dias, conforme cronograma físico-financeiro, a contar da data do recebimento da ordem de serviço pela contratada, podendo ser prorrogado. A expectativa da administração municipal é que encerre antes do prazo estipulado.
A empresa contratada fará a execução da duplicação no entorno da UFSC, no trecho de 1,3 km que vai da rótula da Dona Benta, na entrada da rua João Pio Duarte Silva, até a rótula da Eletrosul, na esquina com a avenida César Seara.
O canteiro central será feito de modo que, no futuro, possa transformar-se em corredor exclusivo de ônibus, no caso da implantação do anel viário. Além do que, a obra leva em conta o estudo em andamento pelos técnicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura de um sistema binário.
A ideia é fazê-lo entre a Edu Vieira (no trecho Eletrosul-Armazém Vieira) e a rua Capitão Romualdo de Barros, na Carvoeira, a fim de melhorar o fluxo de veículos na região.
Importante recordar que o projeto inicial, na gestão do então prefeito César Souza, a obra do anel viário Trecho Sul compreendia 7,4 quilômetros de extensão e começaria na entrada do Córrego Grande e ia até a avenida Paulo Fontes, no Ticen.
Existia ainda a possibilidade de um corredor exclusivo para ônibus, com via elevada sobre a rótula da Eletrosul, porém não foi adiante por causa do custo das desapropriações na área, de aproximadamente R$ 36 milhões.
Mesmo com a obra emperrada, levantamento da Secretaria de Infraestrutura apontou que o serviço de terraplanagem está concluído e 80% da drenagem.
Com isso, a empresa que assumir o trabalho realizará a duplicação do trecho com pavimentação asfáltica; restauração do pavimento da pista existente; melhoramento das alças de acesso e retorno; implantações de passeios e ciclovia bidirecional, ou seja, com duas faixas que permitem a passagem em ambos os sentidos, no lado da UFSC; finalização da recuperação do sistema de drenagem e sinalização viária.
Após a conclusão, o tráfego será deslocado para a nova pista, enquanto será feita a recuperação da via “antiga” utilizada atualmente pelos veículos.
O secretário de Infraestrutura de Florianópolis, Valter Gallina, disse que a obra na avenida visa melhorar as condições de segurança e acessibilidade das pessoas, a fluidez do tráfego local, visando aumentar a capacidade da via.
Desistências
Gallina responsabiliza as empresas que iniciaram o serviço, mas acabaram desistindo por problemas financeiros.
“Elas começam mergulhadas no preço e depois não conseguiram prosseguir. Não podemos escolher a empresa, tem uma lei a cumprir”, comentou o secretário, ao se referir à Lei 8666, que estabelece normas gerais sobre licitações e contratos administrativos pertinentes a obras.
A última a não conseguir terminar a obra foi a Ebrax Construtora, do Rio Grande do Sul. O projeto foi orçado em R$ 10,5 milhões, mas a empresa ofertou o valor de R$ 8.298.059,38.
Seria uma economia de aproximadamente R$ 2,3 milhões. Ela iniciou o trabalho em julho do ano passado, mas não suportou o custo e parou o serviço. O contrato foi cancelado em janeiro deste ano.
“Agora é torcer para que uma empresa de porte ganhe essa obra e não tenhamos mais interrupções nessa obra”, disse Gallina, ao reforçar que a prefeitura tem efetuado o pagamento rigorosamente em dia às empresas que realizam ou realizaram as 1.182 obras feitas nos últimos cinco anos.
Confira a cronologia:
- Junho de 2016 – Prefeitura inicia as obras do trecho 1 do Anel Viário Trecho Sul, com a duplicação da avenida Deputado Antônio Edu Vieira;
- Novembro de 2017 – Contrato de R$ 36 milhões é rescindido pelo prefeito Gean Loureiro, porque o consórcio empresarial Alves Ribeiro/Conpesa queria um aditivo de R$ 3,2 milhões para o trecho, alegando reequilíbrio em razão das adequações necessárias ao projeto, bem como para custear a administração local das obras;
- Março de 2019 – A MJRE Construtora Ltda, do Rio de Janeiro, é contratada para execução da obra da avenida e parte do corredor de BRT, em um trecho de 3,2 km, ao custo de R$ 29,1 milhões;
- Março de 2020 – A Prefeitura de Florianópolis rompe o contrato com a MJRE Construtora Ltda, por solicitação da empresa, que declarou falência;
- Julho de 2021 – A Ebrax Construtora, do Rio Grande do Sul, inicia o trabalho no trecho de 1,3 km no perímetro da universidade;
- Janeiro de 2022 – Prefeitura cancela o contrato com a Ebrax Construtora, após a empresa alegar problemas financeiros para continuar o serviço;
- Fevereiro de 2022 – Município abre mais uma licitação para conclusão da duplicação da avenida. Propostas podem ser apresentadas até o dia 28 de março.
Raio-x inicial da obra:
Anel Viário Trecho Sul
- Extensão total: 7,4 km
- Ponto inicial: proximidades da rua João Pio Duarte (entrada do Córrego Grande)
- Ponto final: avenida Paulo Fontes (no Ticen)
- Valor total: R$ 37 milhões
- Prazo da obra: 36 meses (três anos)
- Total de desapropriações: 75
Trecho 1: do início do Córrego Grande até o Armazém Vieira (1,9 km)
- Duplicação da rua Deputado Antônio Edu Vieira
- Corredor exclusivo para ônibus
- Primeiro elevado somente para o transporte coletivo (nas imediações da Eletrosul)
- Calçadas
- Ciclovia
Trecho 2: do Armazém Vieira até o Ticen (passa pela avenida Waldemar Vieira, ruas Jerônimo José Dias, José Maria da Luz, Silva Jardim e Jorge da Luz Fontes e avenida Paulo Fontes)
- Recapeamento
- Calçadas