Quando lavamos as mãos, escovamos os dentes ou tomamos banho, não paramos para refletir o quanto a água é importante e como seria a vida sem ela. Só que este cenário de escassez não está tão distante.
Em diversas regiões do país há impactos causados pela seca. Em Santa Catarina, há registros de estiagens em vários anos com impactos para a população.
Pior seca em Santa Catarina ocorreu em 2019, quando algumas regiões tiveram queda de 28% nos índices pluviométricos – Foto: Ricardo Wolffenbüttel/Secom/Divulgação/ND“A gente vem acompanhando essa questão há muitos anos. Isso nos mostra que, principalmente, a partir de 2017, houve em algumas regiões uma mudança de disponibilidade hídrica, como no Oeste catarinense”, diz o hidrólogo da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), Guilherme Miranda.
A pior seca ocorreu em 2019, quando algumas regiões apresentaram redução de até 28% no índice de chuvas, o que impactou a agricultura e economia.
“Por exemplo, algumas indústrias tiveram que trazer 40 caminhões por dia só de água do Rio Chapecó, do Rio Uruguai, para atender as indústrias de Chapecó. Isso aumenta o custo lá no final, para a sociedade, também em termos de alimentação”, explica Miranda.
Água e economia andam juntos. Sem a certeza de água disponível, não há interesse em estabelecer empresas em um determinado local. “Hoje não há dúvida de que a água é uma questão econômica. Se não tem água disponível, a economia não anda”, comenta o professor de engenharia ambiental e sanitária da Univali (Universidade do Vale do Itajaí), Paulo Schwingel.
Impacto na agricultura
Santa Catarina tem no agronegócio um dos motores que impulsionam o PIB (Produto Interno Bruto) catarinense. Em 2020, o VPA (Valor de Produção Agropecuária) do Estado ficou em R$ 40,9 bilhões, o maior da história.
Entretanto, apesar do bom cenário econômico, a estiagem tem causado impacto aos produtores. De acordo com o levantamento da Epagri, até meados de abril de 2020 havia 639 suinocultores que recebiam água por meio de caminhões pipa ou similares.
A carne é um dos alimentos que mais demanda água na cadeia produtiva. Por isso, Miranda destaca a importância de mecanismos de preservação para a economia. “Condições de reutilizar esse recorte natural em diversos processos, sem perder a qualidade”.
Busca por soluções
Diante dessa situação, o ditado popular “evitar o desperdício é tarefa de todos”, torna-se uma máxima. Segundo Miranda, existem diversas formas de colocá-lo em prática.
“No caso das indústrias e agroindústrias, um sistema que possa ser realizado o reuso dessa água. No setor urbano precisamos de um gerenciamento mais macro para atender à necessidade hídrica”.
Para Paulo Schwingel, a solução está no planejamento. Municípios e regiões áridas devem investir em alternativas para manter a população abastecida. Ele cita Alicante, na Espanha, cidade com mais de 300 mil habitantes em uma região de seca.
“Eles não têm problema de água. Por que será? Porque tem planejamento, eles fazem reuso de água, usam água de profundidade, realizam dessalinização de água”, diz Schwingel.
A preservação da água, além de evitar a degradação ambiental, também representa ganhos à economia – Arte: Leandro Maciel/ND