A possibilidade de uma via expressa como alternativa à BR-470, ventilada pelo estado durante esta semana, reabriu uma discussão antiga entre entidades e autoridades que lidam com os inúmeros problemas desta rodovia diariamente.
Enquanto o cronograma do DNIT segue parado, possibilidade de uma via expressa passa a fazer parte dos debates – Foto: Rodolfo Espínola /Agência AL/NDSe de um lado, grupos como o Conselho de Desenvolvimento Econômico de Rio do Sul (Codensul) já defendiam essa tese, enquanto cobram do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) respostas mais concretas, do outro, policiais rodoviários federais também acompanham os desfechos, principalmente em razão de mortes e acidentes registrados diariamente.
Trecho entre Indaial e Gaspar já deveria estar triplicado
O consultor do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Rio do Sul (Codensul), Cleber Stassun, acompanha de perto os desdobramentos relacionados às obras da BR-470. Segundo ele, o trecho entre Gaspar e Indaial deveria estar triplicado se o estudo de viabilidade feito pelo DNIT, em 2014, tivesse se tornado realidade.
Seguir“Foi esse mesmo estudo que recomendou que até 2018 toda a rodovia deveria estar duplicada até a BR-116, incluindo a construção dos contornos viários de Ascurra e Apiúna. Um cenário muito distante de se consolidar”, lamenta o consultor.
Um impasse que também atrapalha o desenvolvimento econômico da região, segundo o Codensul. Por este motivo, a entidade acredita que a possibilidade de uma via alternativa é essencial para o desenvolvimento desta região.
“O interior catarinense está cada vez mais com dificuldades de se desenvolver, de ser competitivo e atrativo para novos negócios. Ampliar a oferta de infraestrutura é essencial. Esse estudo do governo vai avaliar qual caminho essa oferta de infraestrutura vai ter que ser melhorada”, ressalta.
DNIT não se posicionou sobre contratação de estudos
Segundo Cleber, desde 1990 as entidades empresariais tratam sobre a possibilidade de uma via expressa.
“O que o estado está analisando é algo que há muitos anos já se colocava como uma necessidade. Os estudos vão considerar a intermodalidade, as obras futuras previstas e dar ao estado um direcionamento de como investir e se ele deve ou não fazer este investimento”, analisa o consultor, acrescentando que a entidade vai continuar acompanhando este estudo.
Entidades vão acompanhar os estudos anunciados pelo Governo do Estado – Foto: Divulgação/Codensul/NDParalelo à ideia do estado, os empresários e lideranças também têm cobrado do DNIT a contratação dos estudos para licenças ambientais e o desenvolvimento dos projetos básicos executivos para continuar a duplicação da BR-470, de Indaial até a BR-116.
“Havia um posicionamento de que a autarquia contrataria esses dois serviços em 2022. Estamos aguardando, mas ainda não temos posicionamento”, lamenta.
A assessoria de imprensa do DNIT informou em nota que, sobre o pedido de estudos para avançar com a duplicação, eles chegam na autarquia sendo protocolizados. “O DNIT tem investido muito na 470, como a duplicação dos 73 km e a restauração de Indaial em diante”, finaliza o departamento.
‘Região é vulnerável, não tem vias alternativas’
Conforme o levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF), somente neste ano, 266 acidentes já foram registrados na BR-470 e motivaram 13 mortes. O policial rodoviário, Manoel Fernandes Bittencourt, que atua há 28 anos na instituição policial, lembra que a rodovia não oferece mais condições de trafegabilidade para a região.
“Temos um estado rico que vive dependendo de uma rodovia federal. Já era a hora de o governo de Santa Catarina fazer a sua própria estratégia sem depender exclusivamente de uma rodovia federal”, lança o policial.
Em 2009, ponte de Ibirama ficou interditada e motoristas sem alternativa
Ele relembra um episódio que marcou a carreira, em 2009, quando a ponte do trevo de acesso à Ibirama, na BR-470, ficou interditada para veículos pesados por avarias nas estruturas. “A alternativa aos motoristas seria ir por dentro da cidade, mas chegou um momento em que o prefeito bloqueou a entrada por que a ponte de dentro do município não tinha estrutura adequada para veículos pesados”, relembra Bittencourt.
Na época, ele era chefe de delegacia e precisou intermediar as conversas entre o Dnit e a prefeitura para que os motoristas não ficassem desamparados. “Durante este período a região chegou a ficar desabastecida por falta de uma rota alternativa”, relembra.
A autoridade policial também ressalta que os trechos entre Lontras e Apiúna, assim como Ibirama e este mesmo município não contam, por exemplo, como uma rodovia estadual de ligação. Dependem apenas da BR-470. “Isso faz com que a nossa região seja vulnerável. Se cair uma barreira, por exemplo, ficamos sem alternativa”, reforça.
Para o estudo do Governo do Estado, Bittencourt deu uma ideia. “De lontras até a BR-101, com uma linha reta, passando por Presidente Nereu e fazendo ligação, iria sair perto de Tijucas na 101, isso encurtaria distância para quem está indo para Florianópolis e quem tá vindo do oeste e quer pegar o litoral”, propõe.
Segundo ele, se a ideia também for para o escoamento das cargas, as cidades poderiam contar com desvios.